Francisca Costa Gomes
Divulgação/Music For All

Francisca Costa Gomes: “Quero passar uma energia boa e ser o mais genuína possível”

A cantora, compositora e guitarrista conversa sobre o seu single de estreia, 'Já Não És Tu', e o que futuro reserva

Com boas vibrações estampadas no sorriso, e marcadas na voz. É assim que Francisca Costa Gomes mergulha pelo mundo da música com o seu primeiro single, Já Não És Tu‘, com música e letra por Marta Carvalho. A faixa foi desenhada especialmente para uma expansão de horizontes. Ingressa nesta nova aventura a expor na sua canção a intensidade do seu amor e um coração parte-carioca.

Francisca tem a arte no seu sangue, e soube-o desde cedo. Das longas e alegres festas de família aos palcos do The Voice. A música sempre esteve presente na sua vida, nas vozes de John Mayer, Mallu Magalhães — mas do seu jeito, com a sua identidade.

O recém-lançado single é apenas o começo deste capítulo. Francisca conversou com o EF sobre a paixão que carrega consigo a vida inteira, e que está bastante crescida agora — até passeou pelas praias do Rio de Janeiro, num registo único das boas energias que a cantora, guitarrista e compositora tem para oferecer. Para o futuro, muitas mais canções e o mesmo olhar genuíno.

A paixão pela música existe desde pequena. O que é que despertou em ti este interesse?

Eu tenho uma mãe que é apaixonada por música. Cresci a ouvir Maria Bethânia, Chico Buarque… Muito boa música brasileira. Tenho uma ligação forte ao Brasil, ainda viajo para lá. Acho que o poder que o Brasil tem em mim é mesmo a música que tem. 

A minha família toda gosta muito de música. Sempre tivemos festas de família, em que cada um atuava. Eu sempre cantei, dancei e toquei guitarra. Entretanto comecei a ter mesmo aulas de guitarra e a levar um bocadinho mais a sério a parte do cantar. E apercebi-me que a hora mais feliz do meu dia era quando eu pegava na minha guitarra e inventava umas músicas, ou tocava algumas músicas de que gostava na altura. 

Qual foi a reação da tua família quando ingressaste nesta carreira? 

Somos todos muito apaixonados por música. Não há uma festa de família que não dure até muito tarde, com todos a dançar e a cantar. Aqui a resposta é fácil: a minha família apoiou-me totalmente. Eu sou uma pessoa extremamente insegura, e a minha família é o meu poço de confiança. 

Tem uma coisa boa, que é, se eles não vissem em mim qualquer talento, não é que não me apoiariam sempre, mas se calhar chamar-me-iam à razão. Diriam: “Francisca, não será por aí. Tenta outra coisa. Acho que tens uma capacidade maior para outra coisa”. Mas não: dão-me imensa força nos momentos em que estou mais insegura com alguma questão que não tenha corrido tão bem em relação à música. É neles que vou buscar as minhas forças todas e tenho uma enorme gratidão pela família que tenho.

Parte desta trajetória contou com covers. Achas que carregas algo em ti, enquanto artista, dos outros cantores de quem fazias covers?

De facto, eu toco há mais de dez anos em bares. Sempre toquei músicas covers, e também tocava músicas minhas em inglês. Originais minhas muito na onda de John Mayer, Vance Joy… Um género indie pop, rock ligeiro. Eu não cheguei lançá-las —como lancei esta Já Não És Tu — porque eu via que essas músicas poderiam ser mais um dos covers que tocava. Não parecia que era minha, não tinha um impacto no público que eu gostava.

E daí pensei: “Vou lançar uma música em português!”. Sem dúvida que levo coisas que aprendi com estes artistas. O meu estilo é muito este: indie pop, mais para o comercial. Obviamente que sim, os meus covers estão completamente ligados às minhas músicas.

A passagem pelo The Voice também trouxe um elemento especial. Qual é a diferença entre a Francisca a cantar ‘Riptide’ naquele palco e a artista de agora?

A Francisca do The Voice foi uma Francisca muito pequenina, ou seja, com muitos medos, muitos receios e muitos nervos. Eu acho que quem nunca participou num concurso de música não pode mesmo condenar quem já o fez porque é muita coisa a gerir. Aquilo basicamente não é um Ídolos, em que estão quatro pessoas numa sala muito feia, a olhar para ti, sem microfone nem nada. No The Voice parece que estás a dar um show, sabes? Um showzaço! Essa é a sensação que dá.

Então a pessoa vai com todos os medos possíveis e imaginários. Alguns participantes do The Voice acabavam por ter um currículo na área da música muito maior do que o meu, em que já trabalharam em várias companhias de teatro e musicais. Eu nunca tive esta experiência de estar num grande palco com várias câmeras a apontar para mim. 

Foi giro isso, e ver a minha família mais nervosa do que eu. Ou seja, eu fiquei ainda mais nervosa. Pronto, ficar ali ansiosamente à espera que uma das cadeiras se voltasse. A Francisca, num palco normal, a dar um concerto dela, é cheia de energia, confiante que está a viver o momento mais feliz da vida dela. Então não tem como eu não ser uma Francisca a dar tudo, a querer tudo, sem qualquer tipo de medo.

O pop, soul e o rock estão ali entre os ingredientes que constituem o teu estilo. Que músicas te têm influenciado nesta combinação?

Para além da Maria Bethânia e do Chico Buarque, cresci a ouvir Pink Floyd, que é impossível haver alguém no mundo que não goste, ou pelo menos não aprecie o seu trabalho. Genesis, essas bandas todas com os seus clássicos que eu ainda hoje em dia gosto de ouvir, a partir dos meus pais.

Eu acho que isso tudo me levou desde pequenina a querer ouvir um John Mayer, que eu acho que é o artista, para mim, mais completo em tudo. E lá está, no meu estilo musical. 

Como é que a Francisca sabe que encontrou o equilíbrio destes géneros musicais ao compor as suas próprias canções?

Eu não faço nenhum cover igual à música original. Faço sempre a minha versão. Acho que isso é também como eu trabalho, como eu tento compor. Por maior referência que eu tenha à algum artista ou pelo seu estilo, eu tento sempre passar o meu registo musical. A dar toda a minha identidade o máximo possível à música.

Por mais que eu goste do John Mayer, ou da Mallu Magalhães (de quem sou fanzíssima!), penso muito: “Estou a colar-me um bocadinho, não posso”. Às vezes a pessoa deixa-se ir, mas eu tento sempre controlar essas parecenças. 

Como é que surgiu este teu novo single, ‘Já Não És Tu’?

Nesta música, o ‘Já Não És Tu, eu sou a intérprete. Mas a letra, a composição e a produção foram feitas por um estúdio, que é o Great Dane Studios, que tem o Mikkel Solnado e a Marta Carvalho, que escreve músicas para muita gente, inclusive a música vencedora do Festival da Canção deste ano

Optei por esta ajuda pelo facto de, para uma primeira música, eu ter achado que ela tem de ser orelhuda, ou seja, ter impacto e ser comercial. E as minhas músicas são um bocadinho, se calhar, não tão comerciais. Lá está: escrevi sempre muito em inglês, e em português, bloqueava. Não estava habituada e achava tudo muito piroso. 

Pedi essa ajuda à Great Dane, e estive com eles em todo o processo da música. Dei-lhes um briefing meu, a explicar que sou extremamente romântica, intensa e que vivo muito da minhas relações — tanto namorados, quanto amizades, trabalho e família. Esta música parece que se encaixou exatamente naquilo o que eu procurava. Tanto o estilo, que te faz lembrar um pouco a bossa nova. O ritmo, os sopros, acho que acaba por ligar a este estilo musical que eu gosto. 

A presença em palcos, seja de televisão ou concertos, não é novidade para ti. Achas que esta experiência influenciou a tua presença em estúdio?

Influenciou, porque não vou totalmente para um desconhecido. Ao mesmo tempo, nunca tinha gravado em estúdio. Gravei há muitos anos, era muito nova e foi para fazer uma coisa familiar. Não foi nada com este nível de responsabilidade. Desta vez, eu fui com este peso e esta responsabilidade de querer fazer tudo certo. É a minha primeira música, então eu tenho que dar tudo. 

Nessas situações que requerem de mim uma maior responsabilidade, uma maior concentração, uma maior consistência, eu acabo por ficar bem nervosa. Então, por mais que eu já tenha tido a experiência de estar em televisão, etc., eu tenho sempre um bocadinho de nervos. Mas acho que também a beleza das coisas é isso: a pessoa estar nervosa por querer tanto que uma coisa dê certo.

Francisca Costa Gomes
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Fala-nos mais sobre o single. Sobre o que é ‘Já Não És Tu’

Eu sou uma pessoa muito romântica e que vive tudo muito a querer sentir tudo, a sentir muito. Quando gosto mesmo, sou extremamente dedicada — sejam as pessoas de quem eu gosto, o meu trabalho, os meus colegas de trabalho de quem gosto, a minha família e tudo mais. E essa música é no seguimento de algumas relações que eu vivi, relações pessoais com namorados. Mas às vezes com amigos acontece isso, que é quando nós damos muito de nós a uma pessoa, e ela nem nos fez nada de mal, mas tem uma maneira de ser diferente da nossa. É mais fria, não é tão intensa.

E acho que nós mulheres queremos muito disso — é muito emocional, muito intensa, e tem um homem ao lado que é um homem normal, é tranquilo e está sempre bem com tudo. E isso para uma mulher intensa às vezes não chega. É por isso que tenho ‘tanto amor para dar, mas para ti já não vai chegar’. ‘Já não és tu’, porque provavelmente houve outra pessoa que soube dar esse amor enquanto tu eras um pouco mais desligado. Não vias esse amor todo para dar que já não chega para ti.

A Francisca é uma lisboeta de todo o coração. Mas o videoclipe vem noutro cenário. O que vos levou a gravar no Rio de Janeiro?

Eu cresci a viajar ao Brasil com os meus pais. Acho que já conheço mais lugares no Brasil do que em Portugal. Então, tenho essa ligação muito forte. Penso que tenho metade do coração carioca. Sempre que posso estou no Rio. Este ano fui lá em fevereiro. Pensei: “Por que não? Vou gravar lá o meu videoclipe”. Falei com os meus amigos de lá, que conhecem várias pessoas que trabalham em vídeo, e foi maravilhoso! 

Fiz na praia do Grumari, na praia do Abricó e na Prainha. Apanhei um dia a chover, e eles todos preocupados. A equipa toda preocupada: “Oh, Fran, não fica triste! Esse tempo está assim, que chatice! E você vai-se embora, então temos mesmo que gravar hoje”. E eu não me importava: “O Rio é sempre lindo, não me interessa. Está lindo, estou feliz da vida, então bora fazer isso!”. 

Acho que, dentro do dia de trovoada e chuva, com a carrinha toda alagada, com lama e terra, nós conseguimos fazer uma coisa simples, mas bonita ao mesmo tempo. E foi uma experiência que eu nunca mais vou esquecer. Gravei o meu primeiro videoclipe na minha cidade do coração, e acho que nunca vou me esquecer disso. 

Quando vocês estavam a fazer a música, já pensavam no Rio? Já tinham essa ideia em mente? 

Não, eu ia fazê-lo cá. Eu amo praia. Então eu ia fazer na praia do Guincho, que é onde eu moro. A minha ideia era sempre fazer isso ao pé do mar, porque tem muito a ver comigo, e com todas as relações que eu vivi — com os meus namorados, as minhas amigas, etc. São pessoas que gostam muito da praia, envolvidas no mundo do surf e do mar. 

Quando surgiu essa viagem para o Rio de Janeiro, eu pensei: “Nem pensar! Eu vou fazer no Rio!”. Agilizei tudo para fazer lá o videoclipe. 

É engraçado que a música tem mesmo a vibração do Rio de Janeiro. Vamos poder ver depois mais canções como esta? 

Eu gostava que sim, porque essa é a minha energia, sabe? Muita gente que me conhece bem viu o videoclipe e disse:  “Ah, parecias meio nervosa”. Não estava nervosa, mas demasiado feliz por estar a fazer o videoclipe ali. Era tanta felicidade que não estava a conseguir concentrar-me em nada. Estava sempre a tentar controlar o sorriso, porque a música acaba por ser… pronto, não é uma história muito feliz. 

Eu aprendi com isso que sim, tenho que controlar mais essas coisas extras, essas coisas fora do meu trabalho. Controlar mais as minhas emoções. Mas a energia que eu quero passar é sempre essa: é uma energia boa, ser o mais genuína possível, e que as pessoas sintam essa energia boa e ela puxe para cima qualquer astral. 

Francisca Costa Gomes
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Quais são os projetos que tens por vir? 

Tenho marcada uma ida ao estúdio já no final deste mês, para gravar umas músicas que andei a trabalhar durante a quarentena. Portanto agora é estarem atentos, porque vão ser todas em português. Vão ter, obviamente, algumas inspirações brasileiras, o que é a minha praia. Acho que vai sair uma coisa… 

Eu já sei as músicas, não é… Há uma que eu gosto bastante, mesmo. Gosto de todas, mas há uma que é especial para mim. E eu gostava que compensasse esse pós-Covid. Quando eu lancei o ‘Já Não És Tu foi exatamente no dia em que foi decretado o estado de emergência. 

Apesar de não ter tido a visibilidade que sonhava, acho que dentro do ambiente mal em que lancei a música, até correu bem. E é como tudo: isto é uma primeira música, ninguém tem esse… São raros os artistas que têm sucesso logo na primeira música. Acho que isso é uma coisa que se conquista, e como eu não desisto, acho que a margem para que corra bem é cada vez maior

Já tens pensado em alguma atuação ao vivo para o pós-pandemia?

Eu tinha várias, mas que no entanto estão todas suspensas. Morava em Cascais, e agora tenho uma casa minha nova. Então estou a pensar em chamar os meus dois músicos preferidos, que tocam sempre comigo, que é o Cláudio e o Alex. O Alex é guitarrista e canta uma maravilha. Parece o Eddie Vedder a cantar, e muito gente gosta de ouvir nós os dois a cantar juntos. Eu costumo tocar assim em trio, com eles. 

Quando as pessoas perderem um bocadinho o medo de saírem de casa, eu estou a pensar em fazer aqui um backyard session. E depois vou publicar nas minhas redes sociais.

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