Clã_Véspera
Fotografia: João Octávio Peixoto

Entrevista. Clã: “Estamos ansiosos por mostrar o ‘Véspera’ em palco”

Os Clã lançaram o seu novo álbum, Véspera, no dia 22 de maio. Em conversa com o Espalha-Factos, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves explicaram as ideias que estiveram na base do disco que esperam que possa ter o “luxo” de ter maior atenção por parte do público, devido ao “sossego obrigatório a que as pessoas foram condenadas”, devido ao contexto da pandemia.

O álbum Véspera chegou à edição seis anos após o lançamento de Corrente. No entanto, o processo de criação da banda, que desafia a indústria “voraz” atual, iniciou-se em 2017. “Nós trabalhamos mesmo com muito lastro, precisamos de tempo para fazer as coisas e para pensar, não temos esta coisa de ir atrás da velocidade do consumo”, afirmou Hélder Gonçalves. Para além disso, a banda revelou que apresentar o novo disco em palco é “urgente” e o que mais lhes “apetece fazer”. “É isso que nos preocupa agora mais urgentemente, não há assim espaço para pensar em muito mais”, explicou Manuela Azevedo.

Clã_Véspera
Fotografia: João Octávio Peixoto
Falem-nos mais sobre o Véspera. Qual foi a inspiração para este novo álbum?

Manuela Azevedo – Este disco começou a ser trabalhado há já algum tempo. Acho que se pode dizer que o início do trabalho de criação começou mais concretamente em 2017, embora nesse ano nós estivéssemos um bocadinho distraídos com outros projetos. Mas essa ideia de pensar naquele que seria o sucessor do Corrente começou mais ou menos nessa altura. Fizemos algumas experiências, fizemos inclusivamente uma coisa muito divertida, que foi uma espécie de residência com a banda toda no nosso gravador, onde estivemos assim vários dias, para aí duas semanas. A manhã era para tocar músicas dos outros e a tarde era para fazermos assim umas jams, umas invenções e trabalhar sobre umas ideias que o Hélder já tinha. Mas, na verdade, o resultado dessa residência acabou por mostrar um caminho que não nos interessava muito. Ou seja, foi uma experiência divertida de fazer, mas não teve nenhum resultado concreto. Então o que aconteceu foi que ao Hélder pareceu que talvez fosse altura de ele procurar sozinho algum caminho em termos de composição. E pronto, foi assim uma coisa que começou mais no outono de 2017 e que durou durou o ano de 2018 todo.

Hélder Gonçalves – Na realidade, não há uma inspiração. No nosso caso, pelo menos, não existe essa coisa de que, de repente, encontrarmos a luz e sabermos que é por ali, ou inspirarmo-nos numa coisa em específico. Não existe isso. É mesmo, um bocadinho como a Manuela estava a dizer, um processo de trabalho, de experimentar, de ensaios e de muitos testes. Mesmo isto que a Manuela está a dizer que não serviu para nada, para mim serviu muito para perceber que aquele não era o caminho e já estava a olhar para outro lado. Esse tipo de coisas são o que normalmente traça as direções e que vai dando todas as pistas daquilo que nós sentimos que queremos fazer, que é sempre uma coisa muito vaga, que é sempre uma reação ao que fizemos anteriormente, seja ao disco anterior, seja ao último trabalho que fizemos.

Na maior parte das vezes começamos mais por aquilo que não queremos repetir, mais por aquilo que não queremos voltar a fazer do que propriamente uma ideia muito concreta. Mas aos poucos, realmente, vai ficando assim uma marca. Neste disco, começou a acontecer isso. Conforme fomos reunindo as músicas, havia uma série de músicas que tinham todas uma característica muito específica, que tinha a ver com uma coisa muito física, muito simples também, assim muito bidimensional. Havia assim qualquer coisa meia sexy e interessante também em algumas das músicas. E nós começamos a achar que esse caminho, ainda que muito vago, podia ser algo interessante. Era qualquer coisa que tinha a ver com uma certa adrenalina de um momento único, de uma coisa que estava a acontecer num determinado momento. Claro que depois fomos expandindo estas ideias e tentamos perceber o que é que daqui poderia nascer, até chegarmos um bocadinho ao conceito do disco.

Como foi e como se sentiram a lançar um novo álbum após seis anos?

Manuela Azevedo – Na verdade, não sentimos que tivesse passado assim tanto tempo, porque desde o lançamento do Corrente aconteceu muita coisa. Aconteceu a digressão do Corrente, que ainda nos ocupou bastante, aconteceu a aventura do musical , que foi uma experiência muito rica para toda a banda, e depois houve ainda uma outra aventura extra Clã, com meio Clã incluído, que foi o projeto da Montanha Russa. E isso acabou também por nos ocupar bastante tempo. Ou seja, estes seis anos, entre a data de edição do Corrente e a chegada do Véspera à edição parecem seis meses que passaram num instante.

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Fotografia: João Octávio Peixoto
Como gostavam ou esperam que o álbum seja recebido pelo público?

Manuela Azevedo – Francamente, a maior expectativa que nós temos em relação a um disco é nós estarmos satisfeitos com o resultado. Por isso é que, muitas vezes, demoramos algum tempo até lançar um disco novo, para termos a certeza que é algo pertinente e urgente para nós partilharmos. É lançar as canções ao mundo e deixá-las fazer o seu caminho, não é que tenhamos uma expectativa muito concreta de qual é a reação ideal das pessoas. Para nós é importante perceber que as pessoas têm tempo para escutar e, nesta fase, as pessoas estão recolhidas e, se calhar, com mais tempo para poderem desfrutar da experiência cultural de uma forma mais tranquila e mais profunda. Para nós, se isso acontecesse com este disco, seria muito bom. Porque, às vezes, a sensação que temos, não só com os nossos discos, mas muitos colegas nossos lançam trabalhos, nos quais investiram muito tempo para construir um álbum, para construir uma canção, e depois as pessoas, como têm uma vida muito stressada e andam sempre numa grande correria, ouvem 30 segundos de uma coisa, picam um disco e nunca mergulham profundamente na experiência de escutar um álbum do princípio ao fim. Quem sabe se, agora com este sossego obrigatório a que as pessoas foram condenadas, de alguma maneira, o Véspera não pode ter o luxo de ter essa atenção.

Como é continuar no ramo da música após estes anos todos? Como sentem que evoluíram ao longo deste tempo?

Hélder Gonçalves – Na realidade, acho que quase tudo à nossa volta mudou, desde que nós começámos a tocar e a fazer música. A única coisa que não mudou foi a nossa forma de fazer música, de querer fazer música e o que queremos fazer. Isso realmente mantém-se, o que é porreiro para nós, porque deixa-nos também mais seguros em relação ao que estamos a fazer, ou mais inseguros, mas é sempre bom. Mas tudo à volta mudou radicalmente.

Manuela Azevedo – Para tu teres uma ideia, quando nós assinámos um contrato, em 1995, com a editora, assinámos um contrato para quatro discos. Ou seja, nós iríamos ter sempre financiamento de uma editora para quatro trabalhos que nós fizéssemos, para quatro discos de longa duração. Agora já não há nenhuma editora que celebre esse tipo de contrato com nenhum artista. Neste momento, o que as editoras fazem, se calhar, é um licenciamento de um master qualquer, em que o artista tenha investido, para o distribuir. Portanto, há mesmo muitas coisas que mudaram.

Mas, essencialmente, a grande mudança foi a violenta quebra nas vendas físicas de discos, seja em que formato for. Isto implica que, por parte das editoras, por exemplo, houve um corte tremendo naquilo que eles podiam investir, e por isso, é que também já não se fazem contratos de quatro discos para artistas que estão a estrear-se. E para os artistas também. Para os músicos há uma fonte de receitas que desapareceu completamente. Mesmo havendo agora um grande incremento nos streamings e na utilização da música em plataformas digitais, o que vem daí para quem cria a música é absolutamente residual, é uma coisa ridícula, que não serve de todo para sobreviver ou para financiar discos. Portanto, os músicos foram cada vez mais empurrados com a mudança dos tempos para a importância de subirem a palco, de fazerem concertos, sendo aí a sua fonte principal de rendimento e, se calhar, agora a única mesmo. E, se calhar, como essa fonte está agora ameaçada pela pandemia, somos uma profissão ainda de maior risco do que já éramos.

Em abril pudemos ouvir o tema ‘Armário’. Sobre o que é esta faixa?

Manuela Azevedo – Na altura em que encontrámos a Capicua e a desafiámos para trabalhar neste disco, esta foi a primeira canção que lhe apresentámos e que ela agarrou. E eu acho que a letra resultou um pouco da conversa que tínhamos tido com ela cá em casa, onde falámos do que estávamos a construir neste disco e também da vida em geral. E, na altura, falámos-lhe de uma ideia que nós achávamos que era uma imagem muito próxima [do que queríamos passar com a música]. O que acontecia, não sei se ainda continua a acontecer, é que quando os mineiros iam para minas em que havia algum risco de libertação de gases que pudessem ser prejudiciais à saúde, levavam com eles um canário numa gaiola. Estás a imaginar só a ideia de ter um canário, coitadinho, uma coisa tão frágil, no escuro de uma mina… Já isso é uma grande violência. Mas eles levavam o canário porque, se eles parassem de cantar era sinal que ele tinha morrido porque havia lá gases prejudiciais. E o canário é que era sacrificado. A letra de ‘Armário’ acabou por se inspirar nessa ideia, nessa sensação de uma espécie de ameaça surda que está à tua volta e que te deixa com medo de sair à rua. E depois o que aconteceu é que acabou por ser um retrato quase literal do que estávamos a viver no confinamento. Muita gente se encontrou e se reviu nesta letra, ao sentir falta de ar, ao querer sair à rua e ter medo. E também por haver essa coincidência é que nós achámos que podia ser interessante partilhar essa canção durante o tempo de confinamento. Acabou por ser uma maneira muito interessante de darmos corpo a esta sensação comum de estarmos todos enfiados no “armário”, confinados a um espaço pequenino.

O tema ‘Sinais’ pareceu-me também como que uma reflexão, até com uma ligação aos tempos que vivemos. Concordam com isso? Sentem algum impacto desta pandemia na vossa música e na música em geral?

Manuela Azevedo – Na verdade, quando o Sinais’ saiu, a 3 de março, já tínhamos tido notícias da pandemia na China, mas acho que ainda não havia a sensação de que iríamos ser tocados por ela. Portanto, o Sinais’, quando alerta para a necessidade de lermos os sinais que estão à nossa volta, não era tanto em relação ao coronavírus, mas muito mais em relação a muitos outros males e coisas estranhas que vivem à nossa volta nos últimos anos, desde o facto de o planeta estar em crise, urgente e emergente, e ninguém quer saber disso, ao facto de, politicamente, também haver sinais muito assustadores, como ideais fascistas perigosos, racistas e xenófobos que começam a crescer. A crise de refugiados que também é sinal de uma grande incompreensão e falta de solidariedade entre povos e entre mundos. Tal como o facto de termos presidentes completamente irresponsáveis a tomar conta de países que são importantíssimos no equilíbrio mundial, como o Brasil ou os Estados Unidos. Portanto, é tudo isto que está à nossa volta, a par também de as pessoas, embora vivendo na época de globalização e de estarmos todos ligados pelas redes, estarem todas enfiadas nas suas bolhas, sem atenção ao outro, sem perceber a importância de sermos uma comunidade grande e de pertencermos todos ao mesmo grupo que é a humanidade. Ou seja, esses “sinais” têm muito mais a ver com isso, com o alarme que se sente ao ver o que se passa à nossa volta no mundo e o receio do que é que virá no futuro.

Como foram as várias colaborações do vosso álbum, com a Capicua, com Samuel Úria, Sérgio Godinho, Regina Guimarães…?

Hélder Gonçalves – Nós fazemos sempre discos com letristas. São uma espécie de nosso sétimo elemento. Já é assim há muito tempo, desde o início. Os processos com eles vão variando sempre um bocadinho, no sentido daquela coisa clássica: se mandas a letra primeiro, se eu mando a música primeiro, ou se tentamos fazer ao mesmo tempo a letra e a música, o que é muito raro. Mas, neste disco, nós queríamos muito encontrar o tal espírito, a tal carga instrumental, então fizemos as músicas todas e enviámos para os letristas já prontas, exceto uma. Só há uma música neste disco, que é a ‘Pensamentos Mágicos’ para a qual eu já tinha a letra. É uma letra já muito antiga que, finalmente, agora encontrou espaço e resultado numa canção. Mas, de resto, foi tudo desta forma.

Nós não funcionamos muito na base da encomenda, não encomendamos letras. É mais um bocadinho no sentido de termos estas canções, termos este propósito, este universo que queremos. E as pessoas, como já nos conhecem, também entram muito facilmente neste mundo. Claro que às vezes é mais complicado, não é sempre fácil. Há músicas que vão para a frente, para trás, não resultam, temos de fazer outra vez, mudamos o arranjo, mudamos a letra… É um trabalho muito de depurar. É uma parte muito demorada, mas é uma parte muito divertida também, porque são sempre momentos muito felizes, quando recebemos uma letra e podemos testá-la, tocá-la e verificar se tudo funciona.

Há pouco falavam da pandemia e dos apoios aos músicos e à cultura. Onde acham que pode levar, no futuro, esta falta de apoio?

Hélder Gonçalves – Na realidade, pelo menos na parte música, nós já estamos a lidar com crises há muito tempo. Nunca estivemos numa não-crise. A partir de 2011, tornou-se mesmo muito complicado viver da música e trabalhar nesta profissão, porque houve um desinvestimento total em relação ao que nós fazemos. E, neste momento, é um bocado o caos, porque ninguém pode fazer nada, estamos todos sem emprego. Ainda ontem estava a ver uma notícia dos taxistas, que têm 80% de queda no seu trabalho… Nós temos 100%. Não podemos fazer nada. Nós, como músicos, podemos fazer algumas coisas recreativas, como tocar em casa, gravar uns vídeos e publicar na internet, nada que nos sustente, mas podemos, de alguma forma, continuar a tocar e a criar. Quem faz teatro e dança em conjunto em companhias, isso está tudo completamente parado.

Mas isto é tudo uma coisa que vem de trás. Nós estávamos todos em cima de uma corda bamba, numa situação muito precária que vamos resolvendo com pequeninas coisas: alguém comprou este concerto, agora alguém comprou este espetáculo, e andamos sempre aqui a improvisar para conseguirmos ter alguma sustentação. Agora, de repente, não temos nada disso. Temos de perceber o que é que se pode fazer, mas sentimos que a falta de estratégia na cultura, que já vem de trás, fica agora muito clara. Todas as medidas que se pensam e que estão a ser tomadas são completamente aleatórias, não têm estratégia nenhuma, é muito estranho.

Eu diria também que não é uma coisa fácil, a nossa indústria não é uma coisa fácil de compreender. Como não há uma organização geral, acho que reivindicar qualquer coisa se torna mais complicado ainda. Por isso é que eu acho que o Governo tem feito estas coisas de dar agora mais um milhão para não sei o quê, agora mais 30 milhões para não sei o quê. E, para nós, isso é muito estranho, porque parece que nos estão a atirar com dinheiro para a cara para ver se isto acalma. Eu acho que não é mal intencionado, mas sentimos que não há estratégia e isso é muito assustador. E isto não é uma queixa. A coisa que mais me chateia é sermos queixinhas e não pensarmos e não ajudarmos a encontrar soluções também.

Clã Véspera
Fotografia: João Octávio Peixoto
Como se conquistam as novas gerações, tanto para o vosso projeto, como para a música portuguesa em geral?

Hélder Gonçalves – No nosso caso, é continuar a fazer o que sempre fazemos.

Manuela Azevedo – Não é que não estejamos preocupados, porque é óbvio que, para qualquer músico, bailarino ou ator, é muito importante ter público e comunicar para alguém. Não ficamos contentes se ficarmos sozinhos a tocar em casa. Há essa necessidade da comunicação, de chegar ao outro. Mas, francamente, não estamos muito preocupados em descobrir a receita certa para chegar a um determinado público-alvo, ou coisa assim do género. Para nós, o importante é mesmo fazer um trabalho que nos pareça honesto em relação aos nossos desejos criativos e artísticos. E depois confiamos que isso, correndo bem, há-de agradar a gente muito diferente. Desde que começámos a trabalhar, o nosso público é muito variado, tem gente de todas as idades, e todos os feitios, de todas as cores… E sempre foi muito bom para nós perceber que havia assim um plateia muito variada de gente a gostar do que nós fazemos, por isso confiamos que, se calhar, há malta da nova geração que poderá estar atenta ao que fazemos. Provavelmente, se nós conhecêssemos melhor alguns instrumentos que são mais próximos das novas gerações e utilizássemos as redes sociais de uma forma mais ágil, poderíamos conquistar mais um outro ouvinte. Mas, nessas coisas, também há que ser honesto e ser-se o que se é. E nós lidamos com as redes sociais como sabemos, ainda estamos a descobrir muitas coisas. Por isso, vamos andando devagarinho a ver a quem chegamos.

Sentem que se dá agora maior valor ao comercial e ao que vende mais do que à qualidade e à mensagem passada?

Manuela Azevedo – É uma coisa muito difícil de avaliar. É muito difícil olhar para os dados que agora são permitidos ter das audiências e ter uma sensação real de que isso significa que as pessoas gostam do teu trabalho, ouviram até ao fim ou não ouviram. É um mundo mesmo demasiado virtual, a informação é muito difusa e a certeza de que os dados que tens são fiáveis não é grande, acho que há cada vez mais incerteza nisso. Por isso é muito difícil perceber o que importa e o que é isso de ser bem sucedido ou famoso, ou o que é comercial e o que não é comercial, porque a experiência das pessoas é muito difícil de perceber.

Hélder Gonçalves – Depende um bocadinho também do que se está a falar. Mas é óbvio que há uma cultura mainstream na música, que trabalha com coisas muito mais formatadas, mais específicas e que, para nós, é aborrecido. Claro que, de vez em quando, há artistas que, no meio dessa música, se destacam e que marcam a diferença, mesmo sendo mainstream. E como a indústria está muito voraz, as pessoas trabalham muito para o momento. Para nós, isso é um mundo um bocadinho estranho, porque nós trabalhamos mesmo com muito lastro, precisamos de tempo para fazer as coisas e para pensar, não temos esta coisa de ir atrás da velocidade do consumo, que eu acho que é algo que não ajuda muito a cultura em geral. Acho que, de vez em quando, devíamos todos abrandar um bocadinho o consumo da cultura. Nós que já estamos nisto há alguns anos, uma das coisas mais incríveis que sentimos agora é quase o oposto do que se dizia que ia acontecer quando as editoras acabassem e surgisse a internet: é que está tudo muito afunilado. É exatamente o oposto do que era suposto. As pessoas têm o máximo de informação, podem ouvir toda a música que querem, mas como há tanta coisa, as pessoas afunilam para aquilo que é seguro, para aquilo que é mais pago.

Depois de Véspera, quais são os vossos futuros planos?

Manuela Azevedo – Neste momento, estamos a fazer planos assim à semana, um bocado ao ritmo das decisões governamentais sobre o desconfinamento e afins. Estamos ansiosos por ter a oportunidade de mostrar o Véspera em palco, isso para nós é mesmo urgente e é o que mais nos apetece fazer. Sabemos que vai ser complicado e que temos que esperar por perceber qual é a melhor maneira de o fazer. Temos que estar alerta em relação ao que se passa à nossa volta e perceber de que maneira é que podemos fazer aquilo que nos apetece mais que é ir para palco, mostrar as canções, contactar com as pessoas cara a cara nos espetáculos e perceber ali as reações delas aos temas novos e ao espetáculo que vamos construir à volta deste disco. É isso que nos preocupa agora mais urgentemente, não há assim espaço para pensar em muito mais.

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