The 100
(Reprodução/D.R.)

Crítica. A última temporada de ‘The 100’ arranca monótona e sem força

Apesar de ser uma série da CW, The 100 é também transmitida pela Netflix. O primeiro episódio da última temporada chegou esta terça-feira, dia 25 de maio, à plataforma de streaming. Espera-se que todas as segundas-feiras fique disponível um novo episódio. A sétima temporada terá 16 episódios. No final, esta série que nos acompanha desde 2014 vai contar com um total de 100 episódios.

Cada vez mais perto do fim, The 100 introduz um novo mistério, que explorará nos episódios que restam: a Anomalia. Trata-se de uma espécie de nuvens verdes, com aspeto assustador, e cujo significado ainda desconhecemos. Sabemos, para já, que aqueles que se atrevem a entrar saem de lá com marcas estranhas pelo corpo e perda de memória. O planeta onde se encontram agora — Alpha — traz consigo radiações, animais mutantes e eclipses que enlouquecem as pessoas. Um enredo confuso e, até agora, enigmático, que merece ser explicado devidamente nos próximos tempos.

Como foi o arranque da temporada final?

A confusão está instalada

The 100
O enfoque na estreia é dado aos conflitos entre facções, que têm diferentes crenças e objetivos para o futuro da vida no Sanctum. (Reprodução/D.R.)

O episódio inaugural parece evidenciar a confusão que se instalou no Sanctum. Outrora pacífica, esta localidade é a casa de um grupo de humanos (fanáticos) que acreditam na reencarnação e em deuses. Com crenças opostas, mas mais razoáveis, os Filhos de Gabriel (Children of Gabriel) compõem um grupo rival minoritário, excluído do santuário. Os protagonistas de The 100 vêm representar a terceira facção e contribuir para a desordem. Assim, vemos discussões, descontentamento e o ar pesado que carateriza este sítio. As tensões palpáveis ocupam grande parte do episódio, que, essencialmente durante os primeiros 20 minutos, deixa a desejar. Atrevo-me a dizer que foi mesmo medíocre, ainda por cima tratando-se do início da última temporada. Tenho esperança de que, quando o enredo começar a fazer sentido, se torne mais apelativo, porque não reconheci The 100 nestes 40 minutos.

À vontade, mas não à vontadinha

Vimos as personagens vestidas com roupas casuais, algo inédito, tal como a sua estadia numa casa — em que, pelos vistos, grande parte irá morar. Conhecemos uma nova personagem — Picasso —, uma cadela golden retriever, e testemunhámos a realização de um piquenique entre os protagonistas. Tratando-se de The 100, mais rapidamente achava que estávamos perante uma alucinação do que perante a realidade. Este tipo de cenas acabam por se tornar aleatórias, visto que se desviam da índole da série. Claro está que, no início das temporadas, é frequente termos os típicos minutos em que tudo parece estar bem. Nada contra isso; mas desta vez inventaram demasiado.

Ausências que fazem a diferença

Logo à partida, parece errado arrancar a temporada sem dar tempo de ecrã a personagens como Bellamy (Bob Morley) e Octavia (Marie Avgeropoulos). Depois de entrar voluntariamente na Anomalia, Octavia deixou o seu irmão inconsolável. Quase sem tempo para sofrer, Bellamy é agora raptado. Os irmãos Blake têm aparições esporádicas nesta estreia, o que iria sempre diminuir a sua qualidade.

Bob Morley em The 100
A ausência de Bellamy é sentida nesta estreia depois de o ator Bob Morley pedir um tempo para si. (Reprodução/D.R.)

Contudo, a escolha nem sempre recai sob os produtores. Ao TVLine, Jason Rothenberg explicou que o desaparecimento de Bellamyterá um papel gigante nesta temporada“, porque “é o mistério que as pessoas estão a tentar resolver. Tentar encontrá-lo e, se tudo correr bem, salvá-lo vai fazer com que várias personagens enlouqueçam nesta temporada.” Rothenberg promete ainda que o veremos novamente e que a decisão foi do ator: “O Bob pediu para ter algum tempo para si nesta temporada, e nós honrámos isto. Conseguimos contorná-lo na escrita.”

Bob Morley já tornou pública a sua batalha contra a depressão, o que pode explicar esta ausência. Ainda que colocar a sua saúde mental em primeiro seja a decisão certa, é impossível não pensar em como conseguiram dar a volta a esta questão, tendo em conta que se trata de uma personagem principal e uma das favoritas dos fãs. Pode acabar por ser um tiro no pé, ou pode valorizar o seu retorno. Desde que sobre tempo para Bellarke

Nem tudo é mau

Eliza Taylor em The 100
A performance de Eliza Taylor salva o primeiro episódio da sétima temporada de The 100. (Reprodução/D.R.)

Mesmo que tenha ficado aquém das expetativas, este episódio também teve pontos altos. A aproximação notória de Clarke (Eliza Taylor) e Raven (Lindsey Morgan) já não era sem tempo. Estas duas personagens femininas têm potencial para desenvolver uma amizade interessante, invalidada desde o início graças a picardias que, ao fim de tanto tempo, já perderam o sentido.

Percebe-se, também, que o enredo de Sheidheda terá continuidade, e pode mesmo tratar-se do vilão desta temporada. Ainda que a premissa se assemelhe à da temporada passada — com a reencarnação tecnológica e as identidades disfarçadas —, esta personagem introduz uma narrativa curiosa e com pernas para andar. Hope Diyoza (Shelby Flannery), agora promovida ao elenco principal, também concretiza o objetivo de aguçar a curiosidade dos espectadores. Não só por ter atravessado a Anomalia, como também por, para já, ter sido alvo de um fenómeno inexplicável. Estas novas personagens têm espaço para brilhar e para ficar para a história de The 100. Resta esperar que lhes seja feita justiça.

Lê também: ‘The 100’: O que esperar da última temporada que traz um “final poderoso”

No entanto, o pico do episódio situa-se no final. Ainda que não seja nada de outro mundo, Clarke faz um discurso que revela o quão saturada e sem paciência se encontra. Depois da perda da mãe, encontra-se, mais uma vez, num dilema moral: deve ignorar todo o desenvolvimento pessoal que testemunhámos desde o início e fazer justiça pelas próprias mãos com o assassino da sua progenitora, ou, pelo contrário, deve manter-se fiel ao seu novo modo de encarar a vida e optar pela misericórdia? Apesar de, no final do episódio, fazerem alusão a que Clarke seguirá a primeira opção, o mais provável é tal não acontecer, devido ao novo enredo de Sheidheda. Não obstante, é curioso observar os debates internos da jovem cuja capacidade de liderança foi desde sempre alvo de controvérsia.

Vale a pena mencionar, também, a qualidade do genérico. Ainda que sigam a mesma linha todas as temporadas, conseguem torná-lo inovador e adaptá-lo ao enredo atual. Sempre foi um ponto forte desta série e, pelos vistos, a última temporada não é exceção.

O próximo episódio, entitulado “The Garden“, chega à Netflix na segunda-feira, dia 1 de junho. Depois de um arranque aborrecido, espera-se que o segundo episódio venha revolucionar e que não caiam no erro de produzir uma temporada como a da City of Light. Queremos The 100 de volta para podermos despedir-nos corretamente.

5

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