Fotografia: Vodafone Paredes de Coura / Hugo Lima

Paredes de Coura. As histórias inesquecíveis do festival

Há festivais para todos os gostos e feitios. Mas, se algum é conhecido por ser o festival do amor, é o Vodafone Paredes de Coura. Conhecido por ser o habitat natural da música, é também um local do qual muitos nunca mais se esquecerão. João Carvalho, diretor do festival, desvenda-nos alguns dos momentos mais marcantes que já viveu no mítico “Couraíso”.

A edição de 2004

Para João Carvalho, esta é a edição que nunca irá cair no esquecimento. Um festival que se realiza ao ar livre, infelizmente, estará sempre sujeito a fatores externos como a meteorologia. Antes de o festival começar já chovia torrencialmente, como raramente chove mesmo durante o próprio inverno”, conta o promotor. 

João conta-nos que foi um dos momentos mais tristes pelo qual já passou, pois seguiu-se a uma edição que não tinha corrido bem e a continuidade do festival poderia estar em causa. A chuva era tanta que “o palco, onde na altura iriam tocar os LCD Soundsystem, que não figuravam no cartaz de tão desconhecidos que eram, chegou a desabar — e acabaram por atuar no palco principal”.

Ainda que os avisos fossem muitos, desde os técnicos que previam um curto circuito até à segurança que repetia constantemente que não havia condições suficientes para avançar, a organização recusava-se a deixar o público em vão. “Fomos buscar camiões para tirar a lama do campismo e altifalantes para dizer às pessoas que podiam ir para determinadas garagens”, conta João Carvalho.

Apesar de todos os esforços, a chuva não deu tréguas. João conta-nos que tinha um acordo com o vizinho, porque era atleta e ia treinar todos os dias às seis da manhã. Na altura, como ainda se liam sempre as notícias nos jornais, então eu pedia-lhe para me deixar à porta [os jornais do dia]“. Depois de quatro dias de temporal, o vizinho cumpriu o acordo e deixou-lhe os jornais à entrada. A capa do Público dizia: “não chovia assim em Portugal há 99 anos”. Nunca mais me vou esquecer deste título”.

Sol a brilhar no estival Paredes de Coura 2008
Hugo Lima/Facebook Festival Vodafone Paredes de Coura

“Entretanto, abri a janela para ver como estava o tempo e veio um raio do sol, uma coisa do além. Pensei mesmo “como é que é possível, depois destes quatro dias?”. Aquele raio de sol foi a pior coisa que podia ter acontecido. Senti-me a levar um sopapo. Foi o pior momento, que jamais em circunstância alguma esquecerei“, confessa o responsável.

O amigo perdido

As histórias que chegam todos os anos às caixas de mensagens de João Carvalho são imensas. “Um dia, contaram-me que um rapaz foi ao festival. Nunca tinha experimentado e já o queria fazer há muito tempo. Quando chegaram lá, a pessoa em questão perdeu-se do restante grupo. Ficou sem telemóvel, sem dinheiro, sem nada”.

Aquilo que poderia ser uma história deprimente tornou-se num episódio de grande amizade e espírito de comunidade. “Um grupo de amigos — que na altura eram desconhecidos — juntou-se para lhe comprar o bilhete. Deram-lhe dormida, comida e fizeram uma vaquinha para ele aproveitar o festival”.

O festival do amor

O Vodafone Paredes de Coura é conhecido como o festival dos afetos e não é em vão. Todos os anos recebo dezenas de relatos de pessoas que foram felizes em Paredes de Coura. Contam-me histórias tão maravilhosas que nem eu, quando penso na perfeição do festival, pensaria que seria possível acontecerem”, revela João Carvalho.

É o caso de Jorge Romão, baixista dos GNR. “Há dois anos o Jorge estava triste depois de um longo casamento ter terminado. A filha, curiosamente, também tinha acabado com o namorado e foram a Coura. Saírem de lá os dois comprometidos, o que é uma coisa maravilhosa“.

Um pedido de casamento realizado durante a edição de 2018. Fotografia: Hugo Lima/Vodafone Paredes de Coura

João partilha ainda a história de uma amiga da vila de Paredes de Coura. Conheceu o namorado, de Madrid, no próprio festival. Entretanto casaram, vivem atualmente em Espanha e ainda fizeram questão de passar a lua-de-mel no festival.

Criam-se novas histórias todos anos e João Carvalho recebe mensagens a dizer “obrigado, conheci a minha cara metade ou o meu melhor amigo”, mas nunca se farta porque cada uma delas é especial. Segundo João, as pessoas falam do festival com grande carinho e isso é o amor na sua forma mais pura.

Mais Artigos
anitta
Anitta sofre trombose e fica internada