Fotografia: É P'ra Amanhã/Divulgação

‘É P’ra Amanhã’. A abordagem positiva da série é “mais empoderadora”

É P’ra Amanhã: Viagens a um futuro sustentável estreou na SIC no último domingo, dia 17 de maio, e é uma série documental sobre a sustentabilidade em Portugal. Em conversa com o Espalha-Factos, o coordenador, Luís Costa, e o realizador, Pedro Serra, falaram do processo de produção do projeto e destacaram a importância da sua abordagem positiva e com foco em soluções para, mais do que sensibilizar as pessoas, fazê-las realmente “passar à ação”.

É P’ra Amanhã divide-se em cinco episódios e apresenta muitos projetos e muitas iniciativas próximas de nós de pessoas que estão a tentar criar modelos diferentes para criar uma cidade mais sustentável”, afirmou Luís Costa. Para ambos os elementos da equipa, ver a série chegar à televisão nacional foi “o cumprir de um grande objetivo”, que era chegar ao maior número de pessoas.

Para além disto, ambos admitem que o contexto de pandemia não tornou a sua mensagem menos urgente e que “perceção das pessoas neste momento também está com uma aceitação muito maior para ver este género de projetos e de soluções”.

É P'ra Amanhã
Fotografia: É P’ra Amanhã/Divulgação
Como surgiu esta ideia de criar uma série que mostrasse às pessoas o que já está a ser feito para um futuro mais sustentável?

Pedro Serra – A ideia nasceu em 2017, quando o Luís veio ter comigo e me disse assim do nada: “já viste o documentário Demain [Amanhã]?”, que é o documentário francês que foi a base da nossa inspiração. Eu disse que sim e ele perguntou-me o que achava de fazermos uma coisa do género mas em Portugal. E pronto, a ideia pareceu-me muito gira. Claro que, como muitas ideias que se falam assim, podia perfeitamente ter ficado na gaveta e não passar disto. Mas entretanto combinamos um Skype e acho que vimos que a nossa energia estava alinhada no sentido daquilo que era o nosso objetivo, daquilo que queríamos fazer, daquilo que eram os meus projetos e as intenções do Luís e a ideia começou a ganhar uma base consistente.

A partir daí, pensamos em quem poderíamos trazer para o projeto, quem é que gostava de fazer isto connosco. O Luís trouxe o Edgar e o Francesco, eu falei com a Teresa e depois, mais tarde, falei com a Verónica. E pronto, juntamo-nos assim os seis e começamos a ver o que é que podíamos fazer, como é que isto fazia sentido. No início isto nem era para ser uma série, era para ser um documentário, tal como o Demain, mas depois vimos que fazia mais sentido ser uma série, para podermos dar mais espaço a cada uma das áreas e também para termos uma maior possibilidade de vender para televisão e para chegarmos a mais pessoas. E foi-se assim desenvolvendo. Acho que foi um bocado isto.

Luís Costa – Sim, eu acho que há aqui uma base que se calhar nós já tínhamos os dois. Nós víamos muitos documentários e o Pedro fazia documentários também. Acho que somos duas pessoas que sempre tivemos muita curiosidade em ver documentários e ambos sentimos que havia uma tendência muito grande para focar no problema. Tanto eu como ele vimos o Demain e ficamos com esta sensação, que acho que toda a gente fica, de que realmente nos apetece fazer algo, nos apetece mudar alguma coisa ou passar à ação. E foi um bocado a ideia de tentar fazer isso cá em Portugal. Ou seja, acho que tinha muito a ver com este sentir de que era preciso começar a mostrar muito mais o que as pessoas podem fazer, em vez do que as pessoas não podem fazer e o que estamos a fazer mal, que eu acho que tem sido, nos últimos dez anos, a grande tendência. Têm sido muito importantes esses documentários, para sensibilizar muito mais as pessoas, mas para realmente as pessoas passarem à ação é preciso esse foco nas soluções, e acho que foi isso que nos ligou desde o início, foi estarmos os dois com essa mentalidade mais positiva.

Para vocês, porque é que é importante dar a conhecer este tipo de iniciativas às pessoas?

Luís Costa – Eu acho que acaba por ser mais empoderadora. Isto vai muito não só da minha experiência, mas de pessoas que eu conheço e da forma como tu sais de uma experiência ou de outra. Eu lembro-me que, onde vivia antes, em Lisboa, nós fazíamos às vezes projeções de documentários e, no fim de alguns documentários, as pessoas estavam realmente com uma sensação pesada e quase de tristeza, a pensar que isto está mesmo mau e o que é que nós fizemos ao nosso planeta. Por oposição, por exemplo, na França e na Espanha houve centenas e debates e de projeções em torno do Demain, e normalmente o resultado desses debates é as pessoas criarem grupos para fazerem coisas. Portanto, acho que, num dos casos, tu ficas informado, mas não te sentes motivado para agir; no outro, ficas informado e sentes logo vontade de agir. Então nós optamos por esta via. Na verdade, nós até gostávamos de ter feito agora uma campanha grande de projeções a nível nacional, mas com o contexto atual acabamos por ter de abdicar, por agora pelo menos, dessa via.

Pedro Serra – É muito mais produtivo. Eu partilho da mesma opinião. Eu acho que é importante focar o problema, para as pessoas ficarem informadas nesse sentido. E nós também tentamos dar essa identificação do problema em cada episódio, mas apresentando as soluções para estes tais problemas, ou mostrando quem está a fazer já a diferença face a esses problemas. É muito mais empoderador e muito mais inspirador, para não chegarmos ao final e ficarmos com aquele alento de culpar alguém, ou um sistema, ou um governo por as coisas estarem mal. Quando nós vemos as soluções e as pessoas a meter as mãos à obra, ficamos com o sentimento de que podemos fazer isto, está no nosso poder fazer isto e podemos fazer a diferença. E acho que isso é que é bastante produtivo.

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Fotografia: É P’ra Amanhã/Divulgação
Como foi este desafio de percorrer o país inteiro sem transportes movidos a combustíveis fósseis?

Pedro Serra – Foi difícil, porque nós fizemos quase cinco mil quilómetros, entre bicicletas, autocarros, comboios, alguns percursos a pé e alguns carros elétricos que nos foram emprestados também. E isto foi complicado, porque já é difícil estar em rodagens durante três meses como nós estivemos, com montes de material atrás, sem uma grande carrinha de ajuda à produção, sem ficarmos em grandes hotéis e sem empresas de catering atrás de nós, apenas um grupo de amigos que fez isto com as malas às costas. Foi difícil, porque foi bastante cansativo e tudo mais. Mas não podíamos fazer de outra maneira, queríamos mesmo fazer da forma mais sustentável possível e também mostrar às pessoas que é possível fazermos isto sem irmos numa grande carrinha a diesel ou assim.

Originalmente, a ideia era termos feito tudo de bicicleta. Mas rapidamente percebemos que isso não só não era viável, porque tínhamos imenso material para levar e íamos demorar um ano ou dois para filmar tudo, em vez de seis meses, como também preferimos mostrar às pessoas formas sustentáveis de nos movermos que não fosse bicicleta, porque fazer o país de bicicleta não é algo que esteja ao alcance de todos. Acho que a sustentabilidade também passa por aí, mostrarmos aquilo que é viável para o maior número de pessoas e não só para quem tem pernas para andar de bicicleta.

Luís Costa – Quando nós falamos pela primeira vez, a ideia que esteve primeiro em cima da mesa, e que ainda ficou durante muitos meses, era essa de fazer tudo de bicicleta. Depois, fomos tendo um confronto com a realidade e com as nossas limitações e percebemos que isso era outro projeto. Não digo que seja impossível, mas nas condições que nós queríamos fazer não era de todo realizável. Por mais que nós treinássemos, era quase sobre-humano.

É engraçado, porque eu acho que um dos maiores desafios que sinto que nós tivemos acaba por ser aquilo que muitas vezes as pessoas dizem que foi fácil, porque nós usamos realmente algumas vezes o carro elétrico. E o carro elétrico foi, se calhar, o que nos deu a maior dor de cabeça de todos estes meios de mobilidade. Nós nos comboios, nos autocarros e nos metros temos os horários e temos alguma fiabilidade. Com o carro elétrico não conseguimos prever se íamos chegar ao posto de carregamento, se ele ainda existia, se ele funcionava, se estava lá outro carro. Então isso foi um filme, tentar garantir que tínhamos sempre bateria no carro elétrico. E houve momentos que estivemos muito próximos de não ter, vários momentos em que andamos a 20 e a 30 à hora no meio da estrada para poupar bateria. Esse foi um desafio gigante e eu acho que é caricato, porque as pessoas normalmente diriam: “pronto, de carro elétrico também eu“. E não. Se calhar em Lisboa sim, é relativamente simples. Próximo das nossas residências também, porque se eu for para o trabalho e voltar, eu sei que vou carregar no trabalho e depois em casa. Quando estamos no interior do país isto muda muito de figura. Eu estou a imaginar os navegadores no meio do mar alto sem saber quando é que vão encontrar uma ilha ou não.

Isso foi um grande desafio, mas foi como o Pedro disse: só poderia ser assim, por uma questão também de coerência. O próximo episódio, deste domingo, é exatamente sobre Energia e Mobilidade. Estarmos a falar sobre isso e depois ignorar esse aspeto era como se estivéssemos a olhar para fora e não olhássemos para dentro.

Quais foram as maiores dificuldades, não só da viagem, mas em todo o projeto?

Pedro Serra – Pessoalmente, eu nunca tinha feito uma série. Então isso foi também um grande desafio. Aliás, a nível dos projetos que eu tenho feito até hoje, este foi o que mais me desafiou. O facto de ser uma série, para mim, como realizador, foi um dos maiores desafios. É muito mais difícil, a meu ver, construir uma narrativa quando é uma série do que quando é um só filme ou um documentário em que posso começar e acabar com as mesmas pessoas. Numa série com cinco episódios, eu tenho de ter um fio condutor que seja coerente e, depois, cada episódio tem também ele de contar uma história e também ele ter um fio condutor. Portanto, são várias narrativas dentro de uma narrativa geral. Isso foi um grande desafio para mim, tanto no momento da conceção e no momento em que estava a idealizar, como depois na edição, que foi também um grande desafio.

Mas o facto de sermos seis e de sermos todos co-autores da peça foi também uma grande ajuda, porque todos contribuímos muito para a narrativa final. Não foi só uma pessoa, cada um de nós tem um papel na equipa, mas todos contribuímos muito para o todo; todos demos as nossas sugestões e soubemos muito ouvir-nos uns aos outros, e isso também foi uma grande mais valia. Por isso, eu acho que o desafio foi, como em qualquer projeto, também estarmos neste espaço de sabermos ouvir e aceitar as opiniões uns dos outros, para conseguirmos chegar ao melhor produto final, que era o que nós queríamos. E acho que aprendemos todos bastante uns com os outros, mesmo em termos pessoais e em termos de trabalho.

Depois, a mobilidade foi também um grande desafio nas rodagens. Outro desafio, para mim, foi também o facto de todos sermos de áreas diferentes. Foi um grande desafio, mas também foi uma mais valia, porque é muito rico sermos de áreas diferentes, é muito rico nos inputs que podemos acrescentar ao trabalho. Mas, ao mesmo tempo, foi um desafio, porque seria mais fácil se fossemos todos da área audiovisual, por exemplo, a nível da conceção da série. Por exemplo, seria mais fácil se tivéssemos uma pessoa especializada só em som e outra pessoa só para filmar. Isto não aconteceu, porque todos nós somos de áreas diferentes. Todos nós tivemos que aprender para nos ajudarmos uns aos outros nos momentos de filmagens e tudo mais. Mas acho que isso não foi um grande problema, foi só um desafio que foi ultrapassado.

Luís Costa – Nós realmente partimos de uma equipa de seis, onde duas pessoas já tinham alguma experiência de produção de vídeo, e os outros quatro não faziam a mais pequena ideia. Isso obviamente é um desafio grande e eu acho que, tal como o Pedro, enriqueceu muito aquilo que saiu, porque se calhar tínhamos uma maneira de pensar ainda menos influenciada pelo meio. Às vezes mandávamos grandes disparates, mas outras vezes até dávamos ideias que faziam sentido. E isso foi um desafio grande.

Por exemplo, eu nunca achei que ia dar entrevistas, eu sempre achei que ia estar atrás num cantinho a ver as coisas a acontecer e, na verdade, acabamos por ser muito nós os protagonistas. Isso obviamente é um desafio, porque as pessoas fazem cursos e praticam anos para fazer bem essas coisas e eu acho que não podemos nunca deixar de reconhecer o mérito que isso tem. Nós acabamos por fazer uma versão mais amadora na forma como representamos esses papéis, mas que eu acho que acaba por, no final, nem se sentir tanto. Mas eu sei que foi um desafio para nós fazer, no fundo, coisas que nós nunca tínhamos feito antes, ou tínhamos feito muito pouco. Acho que isso foi também um desafio.

Outro era o que o Pedro estava a dizer de, às vezes, conseguirmos avançar com determinadas decisões, por termos a preocupação de que todas as pessoas estivessem envolvidas na criação do documentário. Isso tem um lado muito bom, que é que todos temos uma voz, mas obviamente também dificulta, cria mais entropia, cria processos mais pesados de “eu concordo, eu não concordo, vai para trás, vai para a frente“. Mas acho que também foi um desafio que valeu muito a pena.

Um que o Pedro não falou, e que acho que também foi desafiante, foi fazer o processo de seleção dos projetos. Foi muito fácil criar uma lista onde nós não tínhamos limites, nem tínhamos de pôr critérios, nem nada. Mas depois, passar de 800 para 50 ou 60 foi duro, porque não conhecíamos os projetos. Aliás, nós não conhecíamos pessoalmente, nós tínhamos muita informação sobre eles, sabíamos o que eram, mas não tínhamos ainda tido uma entrevista ou uma conversa com a maior parte deles. Portanto, conseguir chegar aos finalistas foi um desafio muito grande e difícil.

É P'ra Amanhã
Fotografia: É P’ra Amanhã/Divulgação
Pensam que a distribuição da série na televisão nacional poderá de facto ser uma forma de alertar e levar à ação um maior número de pessoas?

Luís Costa – Nós esperamos que sim. Aliás, esse foi o nosso foco desde há já bastante tempo. Desde o início, nós queríamos que isto chegasse ao máximo número de pessoas e fugir do nicho de pessoas que já têm acesso a este tipo de conteúdos. Também foi uma preocupação nossa desde o início que até a linguagem com que nós comunicamos e com que o documentário é feito representasse isso, para depois poder dar num canal que chegasse a um público mais geral. E essa vai ser sempre a nossa expectativa, comparando, por exemplo, se tivéssemos feito nós a distribuição, ou se ela tivesse sido feita por um canal fechado. Nós achamos que é realmente uma maneira de chegarmos a mais pessoas. Ter também o selo de confiança da SIC por trás é uma grande mais valia e uma grande alegria para nós, porque realmente permite-nos cumprir esse objetivo que é que pessoas que se calhar não vêm, normalmente, este tipo de informações e de documentários de repente terem acesso a eles.

E como é ver este trabalho reconhecido na televisão nacional?

Pedro Serra – Pegando nas palavras do Luís, acho que é um sentimento de objetivo alcançado, que era chegar ao maior número de pessoas. Estarmos então num dos quatro canais nacionais, e num canal líder de audiências, é de facto o cumprir de um grande objetivo. Temos agora uma porta para conseguirmos chegar a muito mais pessoas, até porque a SIC está a pôr os episódios online assim que saem da televisão, o que é muito bom também para as pessoas que não viram na televisão poderem ver depois. Também fica tudo disponível no nosso site. E acho que isso era o que nós queríamos, era conseguirmos estar na televisão para chegarmos a um público a que nós queríamos chegar, que não é aquele nicho que o Luís estava a dizer, aquelas pessoas que vão à procura de documentários, mas também aquelas pessoas que vêm televisão e que não conheciam o nosso projeto e que se deparam agora com ele. Chegar a essas pessoas e elas poderem partilhar com as suas comunidades.

Que impactos pode este trabalho ter, ainda mais nesta situação de pandemia, agora que as pessoas começam a ver as diferenças causadas pela redução de movimentação humana, devido ao confinamento?

Luís Costa – Eu acho que o discurso que nós temos, e a narrativa que nós estamos a contar, já era muito urgente antes de tudo o que aconteceu nos últimos meses. Acho que, neste momento, ela se calhar pode já não ter um foco tão grande, ou de repente pode não ter um foco tão grande, e é normal que não tenha. Nós achamos que é tão ou mais urgente e que, na verdade, a situação a que chegamos tem muito a ver com a forma como estamos a gerir os recursos do planeta. É disso que nós falamos no documentário.

Depois, num momento em que as pessoas se calhar precisam também de um lado mais positivo, também de perceber que há pessoas em Portugal a fazer coisas incríveis, que há muitos projetos e muitas iniciativas próximas de nós, de pessoas que estão a tentar criar modelos diferentes para criar uma cidade mais sustentável. Acho que isto é particularmente bom, porque as pessoas se calhar estão mais saturadas de estar confinadas, mais desanimadas por só terem coisas negativas. Por isso, acho que há aqui um duplo reforço, no fundo, de que, aquilo que nós já sentíamos que era uma boa aposta, fazer este foco nas soluções, neste momento é mais ainda, porque acho que é um momento onde o nosso coletivo precisa realmente de mostrar que temos aqui muitas pessoas, temos aqui muitas soluções.

Aquilo que também tem acontecido muito com a Covid-19 é este foco maior naquilo que temos cá dentro e naquilo que temos à nossa volta, se calhar primeiro a um nível local, mas depois também a um nível nacional. E isso também está muito alinhado com a nossa história. Portanto, nós na altura não sabíamos muito bem como é que isto ia influenciar, porque tivemos o documentário pronto no momento em que isto tudo aconteceu, mas agora, olhando para trás, sinto que é uma narrativa que encaixa muito bem naquilo que é o contexto atual.

Pedro Serra – Até porque as pessoas, neste momento, aperceberam-se do quão frágil é a nossa economia e todos estes sistemas em que nós vivemos, porque um vírus microscópico conseguiu meter-nos aqui todos ‘de joelhos’. E acho que as pessoas estão, neste momento, à procura de perceber como é que podemos fazer as coisas de maneira diferente. Acho que a mentalidade das pessoas está com focos bastante diferentes do que estavam antes e que a sua perceção neste momento também está com uma aceitação muito maior para ver este género de projetos e de soluções. Portanto, acho que a altura em que estamos agora, para apostar o É P’ra Amanhã, é uma altura que, pelas piores razões, é bastante boa, porque as pessoas estão com esta aceitação para conhecer estes projetos acontecem cá em Portugal, em contexto real.

Luís Costa – Sim, e o episódio que já saiu, sobre a Alimentação, fala muito na questão da proximidade, nas redes curtas de consumo e, no fundo, na questão do local. E isso, como eu estava a dizer, interceta muito com aquilo que está a acontecer, porque percebemos a importância que é nós termos no nosso bairro ou na nossa cidade os recursos de que precisamos. É um discurso de resiliência, com um foco cada vez maior na capacidade de cada comunidade e cada região produzir, ou não, os recursos de que precisa. Isso vai muito de encontro àquilo que é não só o discurso do primeiro episódio, mas também dos que vêm a seguir.