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Dia do Autor Português. Seis autores que caracterizam a literatura portuguesa

Desde 1995 que a efeméride se celebra em Portugal

Instituído há 25 anos, celebra-se esta sexta-feira (22) o Dia do Autor Português, que pretende reconhecer a importância dos autores que nos transmitem as mais variadas emoções.

Ao longo da nossa história, nomes icónicos como Camões ou José Saramago têm representado parte da nossa cultura, com obras que deixam os portugueses orgulhosos.

Do romanticismo ao realismo, e caracterizada por uma grande diversidade poética e lírica, escolhemos seis autores que enriquecem a nossa literatura e a expandem os nossos sonhos.

Florbela Espanca

Florbela Espanca é o nome literário de Florbela da Alma da Conceição. Nascida em Vila Viçosa, no Alentejo, a 8 de dezembro de 1894, a poetisa portuguesa foi autora de sonetos e contos que marcam a literatura portuguesa até hoje.

Após terminar o curso de Letras em 1917, ingressou no curso de Direito da Universidade de Lisboa. Dois anos depois, em 1919, lançou o Livro de Mágoas inspirado nas suas próprias vivências após a rejeição por parte do pai.

Considerada uma das primeiras feministas de Portugal, a sua poesia é conhecida por ter um estilo de grande teor emocional que alia o sofrimento à solidão. As suas principais influências caracterizam-se pelas suas próprias frustrações e tristezas.

Ao longo dos anos, embora com um toque amargo, os seus poemas sempre buscaram a felicidade. Entre contos, poemas e cartas, foi no no soneto que Florbela encontrou o seu caminho para a expressão poética.

Apesar de serem influenciados pela sua vida pessoal e condição sentimental, os poemas de Florbela Espanca não fazem parte de nenhum movimento literário, embora esta se pudesse inserir nas poetisas românticas.

Com uma personalidade marcada pela paixão e voz feminina, a poetisa deixou-nos no dia 8 de dezembro de 1930, vítima de uma overdose de calmantes.

Sugestão de leitura: Charneca em Flor. Publicado em 1931, neste livro Florbela regista as melhores lembranças da sua vida e condensa grande parte suas vivências com incrível sensibilidade.

Fernando Pessoa

Indiscutivelmente um dos poetas líricos mais importantes da língua portuguesa, Fernando Pessoa cultivou uma poesia direcionada para temas tradicionais que expressam reflexões sobre as suas inquietações.

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888, mas nunca foi um só. Criou poetas com várias personalidades, os seus heterónimos, que escreviam poesia com ângulos de incidência diferentes.

Em 1912, estreou-se como crítico literário na revista Águia e como poeta em A Renascença, em 1914. A partir de 1915, foi líder do grupo da revista Orpheu, a porta-voz dos futuristas que defendiam a liberdade de expressão, numa época marcada pela instabilidade político da primeira república.

Sabemos que, apesar do infindável talento, Fernando Pessoa, mostrou pouco das suas obras em vida. Para além dos heterónimos, são os poemas do ortónimo que mais nos conseguem surpreender e mostrar a sua visão do mundo.

Fernando Pessoa faleceu em Lisboa a 30 de novembro de 1935, vítima de cirrose hepática.

Sugestão de leitura: Livro do Desassossego. Nesta obra, publicada pela primeira vez em 1982, Fernando Pessoa aproximou-se do género romântico e, numa espécie de diário, escreveu num tom mais intimista e criou criou um mundo onde fez fluir todas as suas perspectivas.

José Saramago

Escritor, romancista, poeta e contista, José Saramago nasceu em Azinhaga de Ribatejo, Santarém, a 16 de novembro de 1922 e estreou-se na literatura com o romance Terra do Pecado, em 1947.

Por dificuldades económicas, concluiu apenas o ensino secundário e arranjou o seu primeiro emprego como serralheiro mecânico, passando ainda por desenhador ou funcionário da saúde.

Diretor literário de uma editora durante doze anos, jornalista e tradutor, Saramago colaborou ainda com diversos jornais e revistas, entre eles o Diário de Lisboa, onde exerceu a função de comentador político.

A sua primeira trajetória literária passa pela poesia, com obras como Os Poemas Possíveis, de 1966, ou Provavelmente Alegria, de 1970. Nos anos 70 dedicou-se ao teatro e recebeu o Prémio da Associação de Críticos Portugueses com a peça A Noite.

Na prosa, Saramago destaca-se com obras como o Memorial do Convento, de 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, de 1984, ou a História do Cerco de Lisboa, de 1989.

Premiado com o Nobel de Literatura de 1998 e o Prémio Camões, em 1995, José Saramago faleceu em Espanha, a 18 de junho de 2010.

Sugestão de leitura: Ensaio sobre a lucidez (2004). Neste romance, é feita uma censura aberta ao governo contemporâneo que, em nome da democracia, cometem atos capitalistas e pouco democráticos.

Sophia de Mello Breyner Andersen

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Nascida no Porto a 6 de novembro de 1919, Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma das mais importantes poetisas portuguesas contemporâneas e a primeira mulher a receber o Prémio Camões, o maior prémio literário da língua portuguesa.

Publicou os seus primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. A partir de 1944, dedicou-se a escrever obras que a recordam da sua infância e juventude, entre elas O Jardim e a Casa, Casa Branca, O Jardim Perdido e Jardim e a Noite.

Opositora ativa ao Estado Novo, foi candidata democrática nas eleições legislativas de 1968, sócia fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e candidata à Assembleia Constituinte após a Revolução de abril de 1974.

Vista como uma voz libertadora, a escrita de Sophia tem também uma sólida cultura clássica e uma paixão pela cultura grega. Os principais temas presentes nas suas obras são a natureza, cidade, o tempo e o mar, tornando-se assim um marco da literatura infantil em Portugal.

Premiada com o título Honoris Causa, em 1998, pela Universidade de Aveiro, o Prémio Camões, em 1999, e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, em 2003, Sophia de Mello Breyner Andresen faleceu em Lisboa, a 2 de julho de 2004.

A partir de 2005, os seus poemas ficaram em exposição permanente no Oceanário de Lisboa.

Sugestão de leitura: A Fada Oriana. Um livro emblemático da literatura infanto-juvenil portuguesa, publicado em 1958, que retrata a construção do ser e a aquisição de valores fundamentais para a construção do indivíduo.

Agustina Bessa-Luís

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa nasceu em Amarante, a 15 de outubro de 1922, e estreou-se na literatura aos 26 anos, em 1948, com o livro Mundo Fechado. Desde aí, o seu número de publicações já ultrapassa a meia centena.

Em 1954, com o romance A Sibila, Agustina Bessa-Luís impôs-se como uma das mais importantes representantes da ficção contemporânea com uma narrativa simbólica e ancestral, com uma linguagem paradoxal e enigmática.

Representante das letras portuguesas em vários encontros internacionais, muitos dos seus romances foram adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira.

É ainda autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para o teatro e encenado por Filipe La Féria em 1995.

Distinguida com a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988, o Prémio Camões, em 2004, e, em 2005, doutorada Honoris Causa pela Universidade do Porto pelo seu prestígio e inspiração em importantes estudos académicos.

Sugestão de leitura: A Ronda da Noite (2006). Neste livro, Martinho é o único afeto verdadeiro da avó Maria Rosa mas, como de famílias felizes não reza a história, é a relação de veneração e repulsa entre os dois que irá prender a atenção ao leitor.

Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim a 25 de novembro de 1845 e, em 1861, entrou no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou, em 1866. Exerceu depois advocacia durante algum tempo.

Em 1875 publicou O Crime do Padre Amaro, o seu primeiro romance e grande trabalho que representou um marco inicial do Realismo em Portugal. Uma crítica violenta da hipocrisia e vida social portuguesa.

Apesar de duramente contestado pelas suas críticas ao clero e ao país, Eça de Queirós não ficou por aqui e estendeu ainda esta crítica social e análise psicológica aos livros O Primo Basílio, O Mandarim, A Relíquia e Os Maias.

Eça de Queirós faleceu em Neuilly-sur-Siene, a 16 de agosto de 1900.

Sugestão de leitura: O Primo Basílio, publicado em 1878. Um romance de costumes contemporâneos e que retrata vícios e virtudes da sociedade portuguesa do século XIX.

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