Entrevista. Conguito: “Sim, estou aqui porque mereço e já que estou aqui vou tentar deixar a minha marca”

Conguito, ou Fábio Lopes, tem sido um dos jovens mais notáveis da sua geração. Com apenas 25 anos já conta com um percurso profissional bastante rico e tudo começou no YouTube.

Este domingo (17) comemora-se o Dia Mundial da Internet e o Espalha-Factos esteve à conversa com Conguito, numa entrevista onde a música e a internet foram os temas centrais.

Atualmente és animador de rádio, um dos responsáveis pela Jamm, és artista, já trabalhaste em televisão e já foste cara de inúmeras campanhas. O que é que ainda tencionas adicionar a esta lista?

Que bela forma de começar! Acima de tudo falta-me consolidar muito mais e aprender mais coisas sobre o que eu já sei fazer. Eu quero especializar-me no mundo da música, não só ao nível da comunicação, seja a fazer rádio, em projetos de televisão ou numa revista de música, mas também explorar outro lado, o do negócio.

Se calhar, nos próximos anos vou começar a entrar num universo mais industrial ou empresarial da música, terei vontade de criar uma editora, uma loja de discos, não sei, mas sempre dentro do mundo da música porque já percebi que é exatamente aqui que quero continuar. E pronto, continuar a fazer as minhas loucuras.

No dia 17 comemora-se o Dia Mundial da Internet e tu começaste no youtube com um canal. Por isto mesmo, esta data é-te de alguma forma especial?

A data específica do dia mundial da internet não, mas valorizo tanto a internet! Eu ainda há uns tempos estive no twitter a dizer que a internet deveria ser grátis. Acho que estamos a caminhar para um mundo em que precisamos mesmo de ter internet grátis. Mas depois dizem ‘Ah, então também deveríamos discutir se a água ou a eletricidade deveriam ser grátis’. Sim ok, mas ao mesmo tempo a água e a eletricidade são recursos que eventualmente poderão acabar e a internet não, é um serviço, e acho que esse serviço deveria de ser acessível a toda a gente, em 2020.

Já que ainda não é possível, gostaria que isso acontecesse num futuro muito próximo. Em termos do Dia Mundial da Internet, dia 17 de maio, não [é especial] mas se calhar vou estar mais atento agora. Gostaria também que, nesta data, nós nos lembrássemos da importância da internet na nossa vida.

Quando criaste o teu canal de YouTube acreditavas que te podia correr tão bem, que ias ter o sucesso nesta plataforma que conseguiste alcançar?

Não! Olha, a sério, foi tudo tão de repente! Tudo começou em 2011 onde eu fazia vídeos com um amigo meu noutro canal de YouTube, que não é o meu de agora.

Depois, em 2012 fui convidado para ir a um evento, um dos primeiros eventos de youtubers de sempre em Portugal, e eu fui. Lá conheci outros youtubers, o Nurb, o Sakê, o Estuca, e essa malta disse-me ‘Devias criar um canal de youtube só teu onde punhas as tuas coisas’. Aí sim, enchi-me de coragem e atirei-me. Foi uma coisa que eu fazia mais para me divertir e para me entreter nos meus tempos livres do secundário.

Sabes, quando andas no secundário se calhar a primeira coisa que percebes é ‘Ok, eu tenho demasiado tempo livre’, e enquanto alguns colegas estavam no futebol, na natação ou no râguebi, eu estava só no quarto e pensei ‘Não, vou mesmo dedicar-me mais a isto do YouTube’.

De repente, as pessoas começaram a gostar, a mandar mensagens, a comentar os vídeos e a criar uma ligação super forte comigo. Foi aí que eu percebi que o YouTube merecia ainda mais atenção do que aquela que eu já estava a dar.

Conguito
Conguito a apresentar o ‘Curto Circuito’

Aquele miúdo que em 2011 criou o canal tinha a ambição de chegar onde tu estás hoje? Ou até ir mais além?

Não! Aquele miúdo em 2011 era só um miúdo perdido que não sabia o que iria fazer da vida e viu a internet, neste caso o YouTube, como uma plataforma para se mostrar para o mundo e dizer. ‘Aqui estou eu com todas as minhas inseguranças, aqui estou eu com todas as minhas forças’.

E, depois, consoante o avanço do tempo esse miúdo inseguro começou a perceber ‘Ah, ok… eu gosto muito disto, eu não gosto assim tanto daquilo’. Se calhar é um processo que alguns jovens da minha idade costumam ter quando estão no oitavo ou no nono ano, e eu, que já estava no décimo, não estava a sentir nada daquilo ainda.

O YouTube serviu para eu descobrir que gosto de estar a falar para uma câmara mas estava em Ciências o que não tem nada a ver, foi então que refleti: ‘Realmente devia ter pensado nisto há três ou quatro anos, agora vou continuar em ciências e fazer vídeos para o YouTube para me divertir’.

Concordas quando se diz que o conteúdo que agora é criado e postado no YouTube mudou bastante nos últimos anos?

Sim, Sim! É totalmente diferente! Lá está, quando a minha geração de youtubers apareceu nem sequer podias receber dinheiro, nem sequer havia marcas a quererem falar contigo sobre eventuais parcerias ou coisas assim do género. Depois, não vias os youtubers serem famosos ou a serem estrelas tanto em programas de televisão, como em programas de rádio, não havia nada disso.

Os youtubers eram apenas uma espécie nova que existia na internet, só na internet, saías da internet e ninguém sabia. E agora, aconteceu exatamente o contrário: consegue-se ver que o trajeto de alguns youtubers passa por canais de televisão e por estações de rádio.

Isto fez com que as pessoas pensassem ‘Eu posso ser como aquele ou como aquele e ganhar imenso dinheiro, ou pelo menos alguma notoriedade, ser o tal famoso’ e pronto, as pessoas procuraram essa fama fácil, fama momentânea, fazendo um tipo de conteúdos que choca.

Mas sim é muito diferente o conteúdo. Quando começamos fazíamos vídeos para nós, para o pessoal da nossa idade, para os colegas da escola. Era assim que eu pensava ‘Estou a fazer este vídeo que é um problema meu’. Por exemplo, ‘Estudei tanto e tive 12 num teste, é claro que vou falar sobre isso’. As pessoas que andavam no secundário percebiam ‘Ah ya, também já tive este problema’, ou então, ‘Fui a um festival com um amigo meu e ele não levou tenda, não levou nada…’ e as pessoas começaram a identificar-se.

Agora, o conteúdo é totalmente o oposto a este. As pessoas não fazem conteúdos para a malta da sua idade, fazem-no para outros targets.

Sentes que, então, de alguma forma, os youtubers da tua geração tinham uma relação de maior proximidade com os seus seguidores?

Não sei se era mais próxima, mas era mais verdadeira. Imagina, eu acho que no nosso tempo quando as pessoas comentavam os nossos vídeos, queriam mesmo comentar, era muito mais difícil criar uma conta no youtube e estar lá sempre a ver os vídeos logo que saíssem, ou seja, eras muito mais verdadeiro e, se gostasses, gostavas mesmo!

Agora, sinto que, como também o target dos youtubers é um bocado mais jovem, amanhã, estes mesmos fãs e pessoas que curtem imenso o youtuber X, puderam gostar de outra coisa, de um novo ator da nova série estilo Morangos com Açúcar, por exemplo. Lá está, foi uma consequência da fama fácil e momentânea que aconteceu aos youtubers.

Uma das tuas grandes paixões é a música. Desde que te lembras, sempre tiveste uma ligação forte com este mundo?

Sim! Eu não sabia que queria trabalhar no mundo da música, mas tinha uma ligação muito forte. Também sabia que não era bom a fazê-la. Logo desde início percebi que não sou bom a cantar, a rappar e a rimar, mas eu gosto imenso de ouvir diferentes géneros de música e depois ver concertos, ver uma performance, isso sempre foi algo que me fascinou.

Lembro-me perfeitamente de em 2000/2001 estar em casa a ver transmissões de canais de televisão de festivais e concertos e a minha reação ser ‘Uau, como assim isto está a acontecer’ era como se eu estivesse a viver, mesmo sendo um miúdo com cinco ou seis anos.

No ano seguinte, a minha irmã mais velha foi a um festival e trouxe-me um flyer. Lembro-me de olhar para o flyer e pensar: ‘Ei, não conheço esta banda, vou tentar descobri-la’ e perguntar-lhe ‘Olha, como é que eu ouço esta banda?’.

Lembro-me também de ir a lojas de discos e perguntar à minha irmã ‘Por favor, mostra-me uma música desta banda’ e ela dizia ’Ok, ouve isto, ouve aquilo’. Isso foi fantástico, ter essa ligação. Chateei imenso os meus pais e a minha irmã para me levarem a concertos desde muito pequeno, e eles passaram secas gigantescas e eu lá a curtir Da Weasel e Expensive Soul, por exemplo, ou então, cenas internacionais e até mesmo num festival, eu muito miudinho cá atrás só a olhar.

Conguito
Conguito a acompanhar o Sumol Summer Fest (2019) com a Mega Hits

O teu gosto pela música é público e já estiveste presente em imensos concertos e festivais. Tens ideia de a quantos eventos deste género já foste?

A quantidade? Não me lembro! Mas sei que no ano passado vi mais de 100 concertos. Também tenho a sorte e esse privilégio porque trabalho na rádio que mais patrocina festivais em Portugal, portanto a nossa ligação com a música é muito direta.

Passei de uma fase em que ia aos festivais como fã dos artistas, passei por outra em que ia aos festivais para conhecer música nova e agora passei a trabalhar nos festivais. Sou um sortudo e sim, continuo a sentir a mesma coisa que sentia quando tinha 11 ou 12 anos e ia aos concertos… aquela paixão pelo artista e mesmo o fascínio…

Como disseste, já tiveste a oportunidade de ir a festivais em lazer mas também em trabalho. Qual destas duas formas preferes?

Depende do festival, mas eu talvez prefira em trabalho porque sei que se for assim vou ter algumas regalias que não teria caso não estivesse a trabalhar. Por exemplo, ver os concertos de um espaço diferente, ou então ir ao backstage e conversar com os artistas e entrevistá-los. Isso sim é fantástico, é uma sensação divinal quando estás mesmo a trabalhar num festival.

Ao mesmo tempo, é muito mais cansativo do que como fã. Como fã, tu vais e percebes ‘Ok, agora tenho de esperar’ e escolhes os palcos para onde vais. Quando vais em trabalho tu sabes que existe aquele concerto que podes muito muito querer ver mas há a possibilidade não veres, porque podes estar a fazer uma emissão, ou a preparar outra, ou até mesmo estares super cansado e precisares mesmo de descansar para estares a 100% no dia seguinte.

A verdade é que já tiveste a oportunidade de estar em imensos backstages, conhecer muitos artistas e entrevistar grandes nomes da música nacional e internacional, consegues sequer descrever o que sentes quando isto acontece, quando tens esta possibilidade?

Olha, só houve uma pessoa que eu não consegui mesmo reagir e estar a 100% como eu queria estar, foi com o Tyler, The Creator. Em 2018, fui ao Primavera Sound de Barcelona com a Seat e tinha uma pulseira especial e houve ali um momento em que estávamos todos a ver o concerto dos The Internet e eu olho para o meu lado e vejo o Tyler mais ou menos perto. Ativei o meu modo fã autentico e virei-me para um amigo que estava comigo, o Miguel, e disse ‘Eu vou lá, eu vou lá, eu vou lá’ e não consegui! Cheguei relativamente perto, olhei para ele, ele olhou para mim estiquei-lhe o meu punho e ele deu-me um propz, aí fiquei super excitado.

Mas não sei, já consegui estar em diferentes backstages e com imensos artistas que admiro e aí ativo sempre o mood de ‘Deixa a tua marca, faz com que eles percebam a essência do Fábio em dois ou três minutos, que é o tempo que vais estar com eles’. Eu ou digo coisas de músicas deles que já sei que eles vão achar ‘Este aqui sabe mesmo alguma coisa sobre música’ ou então algo tipo ‘Tu estas aqui porque mereces, é o fruto do teu trabalho, não é por favores’ ou ainda, algo do género ‘Tu estás aqui porque tudo o que fizeste na tua vida levou a este momento’.

Portanto, é aproveitar, é normal estares nervoso mas é um sentimento não tão maior do que amares e aproveitares esse próprio momento, o essencial é isso, tu perceberes o nervosismo, aceitares o nervosismo e depois vestires a capa do ‘Sim, eu estou aqui porque mereço e já que estou aqui vou tentar deixar a minha marca’.

Conguito
Conguito com os BROCKHAMPTON

Como é que te sentes quando tens esse reconhecimento?

É muito bom! Tu, de um momento para o outro, estás em tua casa a ouvir um disco com os teus phones, a gostares e a sentires a música e, no verão, estás num backstage e vês estes artistas e todos perguntam algo tipo ‘Então, também tens uma banda?’ e eu fico sem reação!

É mesmo muito fixe e depois estás lá a falar em modo fã e eles são do tipo ‘Estou a fazer uma tour e estou um bocado cansado’ e tu ficas ‘ya…’ porque no fundo eles são só pessoas normais, pessoas que gostam de conversar, podem estar mais ou menos cansados mas só querem ter uma boa conversa como todos nós.

Nós somos seres sociais e queremos sempre conversar e estar interligados. E sabes, estamos em Portugal e esses artistas internacionais não vêm a Portugal regularmente e, muitas das vezes, não conhecem a maior parte do país portanto, geralmente apresento o país, falo um bocado da nossa cultura muito rapidamente e vendo pastéis de Belém como ninguém…

Atualmente fazes o horário da manhã na Mega Hits e este trabalho obriga-te a acordar muito cedo. O que é que te faz acordar tão cedo para dar música às pessoas?

Para já estou numa casa tão boa que é a Mega e que me ajuda a crescer todos os dias e sinto mesmo que estou a ficar um muito melhor comunicador desde que fui para a Mega. Sem dúvida que existe o Conguito antes da Mega e um Conguito depois da Mega. E a maior força é saber que existem pessoas espalhadas por todo país e mundo (através da app) que me estão a ouvir.

O microfone que está à minha frente tem imenso poder. Eu posso estar com as minhas amigas, a Maria e a Mafalda, e estarmos a falar de umas parvoíces, como, sei lá, a Taylor Swift não gostar de alface e, depois, as pessoas identificarem-se. Toda a reação provocada nas pessoas é gratificante.

Recebermos mensagens das pessoas a dizer que gostam de nos ouvir ou que tornamos as manhãs mais bem-dispostas, tornam o ato de acordar todos os dias as 4h50 muito mais fácil.

Quando começaste a trabalhar na Mega Hits não tinhas qualquer formação para trabalhar em rádio certo?

Não tinha mesmo formação nenhuma de rádio. Alias, eu só fazia os meus vídeos para o youtube e participava em algumas campanhas mas nada relacionado com rádio.

Mas a minha relação com a Mega já era de há muitos anos. A Mega foi a primeira rádio a entrevistar um youtuber. Eu lembro-me de estar com o Nurb e ele dizer-me ‘Olha, amanhã vou ser entrevistado pela Mega’ e eu ficar tipo ‘Uau! Que fantástico’.

Acho que a rádio tem sido o melhor meio a adaptar-se à internet, pegando em figuras que surgem na internet, complementando os seus programas na internet, como podcasts, ou até fazendo emissões em direto nas redes sociais.

Faz todo o sentido para mim estar na rádio. E depois, também tive a oportunidade de trabalhar com o Rui Maria Pêgo, que na altura fazia o programa comigo e com a Maria Correia, duas pessoas que já estavam muito bem consolidadas no meio da rádio, e que têm uma visão incrível mas lá está, se calhar precisavam de sangue novo, que eu tinha, e deu-se a junção dos dois mundos.

A verdade é que tu trabalhas com amigos e isso, de certa forma, torna o trabalho mais fácil certo?

É exatamente isso! Nós conhecíamo-nos muito pouco antes da Mega. A Maria tinha-me entrevistado uma ou duas vezes em festivais e dizíamos sempre aquele ‘Olá, tudo bem?’ e pronto era esta pequena relação. Mas, a partir do momento em que entrei para a Mega criamos ali uma espécie de união, uma união que já existia na própria Mega mas, lá está, deixaram-me entrar para a família e depois solidifiquei e criei laços muito fortes que sei que vou levar para o resto da minha vida.

Se a rádio acabar amanhã, eu só tenho a agradecer por tudo o que já aconteceu e por ter pessoas tão fantásticas e queridas como as meninas e os meninos da Mega.

Maria Correia, Rui Maria Pêgo e Conguito na Mega Hits

Durante esta quarentena partilhaste com os teus seguidores várias playlists com muita música para ouvir. Porquê, alguma motivação especial para o teres feito?

Imagina, é uma cena que as pessoas me pedem tanto! Eu gosto imenso de partilhar algumas coisas que eu estou a ouvir e, ainda por cima, gosto de passear pelas plataformas de streaming onde, às vezes, encontro coisas feitas no outro lado do mundo que penso ‘Isto é mesmo muito bom e se calhar ninguém conhece porque esta pessoa tem dois ou três mil seguidores, vou publicar um story’.

Sempre que faço isso há gente que me diz ‘Por favor, faz uma playlist e coloca algumas das tuas músicas favoritas e as que andas ouvir no momento’.

Quando entramos no período de isolamento, eu estava aborrecido em casa e pensei ‘Ok, why not?’ e criei uma playlist chamada quarentena produtiva porque também era isso que eu queria que fosse um bocado o mood, que as pessoas ouvissem aquilo e tivessem vontade de fazer alguma coisa. Então, todas as semanas tento ter uma temática, já fiz uma com os meus artistas favoritos, uma só com raparigas ou bandas produzidas por raparigas, já fiz uma só de instrumentais, tenho intenção de fazer só com familiares, música feita só em Portugal, ou só no Reino Unido e por aí adiante… Também não estou a explicar muito isto nas redes sociais, quero que quem apanhar apanhou, não quero fazer disto uma grande cena.

É só uma forma de eu mostrar o que ando a ouvir e das próprias pessoas dizerem ‘Gostei imenso, fiquei a conhecer isto e acho que vais gostar daquilo…’ e isso é das melhores sensações, quando o próprio público me manda sugestões que eu não conheço e depois fico a conhecer.

E tu costumas receber muitas respostas a essas playlists que crias?

Sim! Sim! Apesar de serem serviços de streaming alguns deles pagos, o que limita a audição das próprias pessoas, tenho recebido imenso feedback e é algo que me tem dado mais força para continuar. Não sei se o vou continuar a fazer quando a quarentena acabar mas o importante é aproveitar por agora e continuar a partilhar e que as pessoas continuem também a partilhar comigo.

Tu és uma figura pública e com a exposição que tens é natural seres as abordado pelos teus seguidores no dia-a-dia. Lidas bem com estes momentos de contacto com o público?

Sim, sim! Já não sou tão abordado como era quando fazia vídeos para o youtube. Aí sim, tinha umas abordagens mais chatas com as pessoas a agarrarem-me. Agora, isso até só acontece quando estou em espaços públicos ou em festivais.

Em festivais pode ser mesmo maçador porque posso só querer estar a curtir o meu concerto e, às vezes, estou um bocado camuflado, com capuzes e coisas assim do género para ninguém me incomodar… Mas sim, só acaba por ser chato quando estou com a minha família ou com os meus amigos num momento mais tranquilo e apaziguador e aí, de repente, vem uma, duas ou três pessoas incomodar.

Se for uma interação rápida lido bem com isso, mas quando se torna um bocado maçador ou quando as pessoas já estão um bocadinho bêbadas em festivais… De resto lido bem, sim!

Há assim alguma personalidade de qualquer área que seja para ti uma referência?

Sim, existe! Ele é neozelandês mas trabalha na Apple Music e chama-se Zane Lowe. Ele esteve na rádio no Reino Unido, na BBC, e depois foi contratado pela Apple. É, sem dúvida, a minha principal referência, agora.

Agora, dentro do mundo profissional, na parte mais criativa e artística tenho o Tyler, The Creator claro. É talvez uma das pessoas que eu mais ame neste mundo.

Depois, tenho o Basquiat que descobri há bem pouco tempo. Vá, sabia que tinha sido namorado da Madonna e que tinha tido todo aquele hype nos anos 80 mas, se calhar, nos últimos dois anos quando fui a Paris a uma exposição, aquilo mudou a minha vida e a minha forma de ver o mundo por completo e desde então que Basquiat é uma forte referência para mim, Jean-Michel Basquiat.

Tenho ainda outras pequenas referências de malta mais ligada a outros universos que não a música, mas que consigo perceber a visão deles e tento aplicá-la na minha vida.

Para terminar, se pudesses, o que é que dirias, ou que conselho darias ao Conguito de 2011 que estava a começar o seu canal de youtube?

Eu acho que diria ‘Não te preocupes tanto com o futuro, que ele vai acabar por acontecer todos os dias’. Porque foi exatamente isso que aconteceu, fui vivendo um dia de cada vez e quando dei por mim estava aqui nesta cadeira a falar contigo.

Em 2011, eu nunca pensaria que passados nove anos iria estar a conversar com o Espalha-Factos sobre a minha carreira e todo o meu percurso. Portanto, diria ‘É ter calma e tudo se vai resolver, vais encontrar o teu próprio caminho’.

 

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