Eurovision.tv

Eurovisão. Os anos em que Portugal também ficou por casa

Ao longo da história da competição, vários foram os países que se retiraram. Portugal fê-lo quatro vezes.

A Cultura tem sido um dos setores mais afetados pela pandemia de Covid-19. As medidas de contenção impostas pelos diversos países levaram ao cancelamento de vários concertos e festivais de música. O Festival Eurovisão da Canção também não escapou ao rasto do vírus e, em março passado, a organização anunciou o seu cancelamento.

Para honrar o espírito eurovisivo, a União Europeia de Radiodifusão (EBU) preparou uma emissão especial, que vai para o ar no dia em que aconteceria a Grande Final do certame – este sábado (16). O programa tem como propósito honrar as 41 canções participantes, em moldes não competitivos.

Ouve: Podcast. Elisa “gostava muito” de um dia ir à Eurovisão, mas “é complicado”

Este ano, os vários representantes apurados não sairão, assim, do seu país. Mas, ao longo da sua história, o formato internacional – que iria este ano para a 65.ª edição – viu vários países ficarem em casa, ao retiram-se da competição. E Portugal foi um deles.

O país, que já marcou presença no certame 51 vezes, tendo-se iniciado em 1964, retirou-se em 1970, 2002, 2013 e 2016. Em 2002, Portugal também não participou no concurso, mas por motivos diferentes. Sabe porquê.

1970

Este foi um ano em que a sobrevivência do Festival Eurovisão da Canção esteve em risco, como explica o website oficial. Depois de uma vitória dividida a quatro no anterior – Espanha, França, Países Baixos e Reino Unido -, a EBU sorteou o destino do festival desse mesmo ano. A sorte ficou do lado dos Países Baixos, que já tinham organizado a edição de Hilversum, em 1958.

Mas este sorteio não apazigou as animosidades, fazendo com que o concurso recebesse apenas 12 delegações. Devido à insatisfação com o sistema de votação, “Suécia, Finândia, Noruega e Portugal juntaram-se à Áustria e à Dinamarca, que já se tinham retirado em 1969“.

Eurovisão 1969
O empate a quatro em 1969. Fotografia: The EuroWhat?

Apesar de não participar na competição, Portugal realizou a sua apuração nacional, apenas para consumo interno. Sérgio Borges, com o tema Onde vais rio que eu canto, foi o vencedor do Festival RTP da Canção 1970.

Como refere o Festivais da Canção, nesse festival RTP deu-se uma alteração significativa nos intérpretes. “Deu-se um corte mais ou menos definitivo com os grandes “monstros” do nacional cançonetismo […] surgindo uma nova vaga de nomes, que continuaram a participar no festival ao longo de quase toda a década de 70 e que acabaram por vencer algumas edições e vieram a representar Portugal no ESC“.

2000

Para a edição desse ano, em Estocolmo, na Suécia, ficaram excluídos os cinco países com as médias de pontuação mais baixas dos últimos cinco anos de competição – entre 1995 e 1999 -, como dá conta o site oficial. Bósnia e Herzegovina, Eslovénia, Lituânia, Polónia e Portugal não conseguiram obter a classificação necessária, ficando de fora do leque de participantes.

Liana RTP
Liana venceu o Festival RTP da Canção, em 2000. Fotografia: Festivais da Canção

Apesar disso, e como já tinha feito em 1970, a RTP decidiu organizar na mesma o Festival RTP da Canção. Das oito canções presentes a concurso, saiu vitoriosa Sonhos Mágicos, interpretada por Liana, como recorda o Festivais da Canção.

2002

Para a edição de Tallinn, na Estónia, estavam inicialmente apurados 22 países – os 15 com melhor classificação no ano anterior e sete que se voltavam a juntar à competição, como indica o ESCKAZ. Portugal tinha sido 17.º classificado em 2001 e não entrava nessa lista de participantes.

Contudo, a EBU decidiu alargar o número de participantes para 24, dando oportunidade aos 16.º e 17.º classificados no ano anterior de entrarem na competição – Israel e Portugal, respetivamente. “Portugal recusou o convite, de modo que a Letónia foi autorizada a entrar“, salienta o website da Eurovisão. País esse que, curiosamente, acabaria por vencer o concurso.

Letónia Eurovisão 2002
Portugal deu o lugar à Letónia, que venceu a edição. Fotografia: Eurovision.tv

Contrariando a tradição de organizar o festival nacional mesmo sem participar na Eurovisão, a RTP decidiu não levar a cabo a edição de 2002 do formato.

2013

Mais de dez anos depois do último interregno, Portugal não marcou presença na edição de Malmo, na Suécia. Num momento em que o país atravessava uma forte crise económica, com a presença da troika, a estação pública optou por não participar na competição.

Sabendo que a atual conjuntura orçamental não permite que se possam acumular eventos de monta e que, portanto, há que optar por aqueles que tragam maior dignidade, sendo, simultaneamente mais abrangentes, a RTP anunciou hoje às entidades competentes a sua não participação no Eurofestival de 2013 na Suécia“, anunciou, na altura, em comunicado.

Emmelie de Forest
A dinamarquesa Emmelie de Forest venceu a edição com ‘Only Teardrops’. Fotografia: Eurovision.tv

Pela segunda vez na sua história, o Festival RTP da Canção não se realizou.

2016

Pela quinta e última vez até aos dias de hoje, Portugal não fazia parte do leque de participantes da Eurovisão, que se realizava, uma vez mais, em Estocolmo, na Suécia. Uma decisão que a estação pública tomou depois de avaliar a prestação do país no concurso.

Depois duma longa e ponderada avaliação da nossa participação neste evento e ao mesmo tempo a necessidade de substituir e criar novos conteúdos, decidiu a direção de programas da RTP não considerar este ano o ESC na sua grelha de programação“, informou.

Com 48 participações no currículo eurovisivo, o país nunca tinha conseguido chegar ao top 5. Em 1996, Lúcia Moniz tinha conquistado o melhor lugar até à altura. O tema O Meu Coração Não Tem Cor alcançou a 6.ª posição da tabela.

Lúcia Moniz Eurovisão 1996
Lúcia Moniz conquistou o 6.º lugar em 1996. Imagem: YouTube

Nesse mesmo ano, a estação deixou “a promessa de um regresso na edição de 2017“. O ano seguinte acabou por marcar uma nova era na história do festival. Em 2017, a RTP voltou a organizar a apuração nacional, convidando 16 compositores de vários géneros.

Houve necessidade de parar para pensar e fazer deste um novo momento de celebração da composição da música pop. Convocámos alguns dos melhores compositores pop do momento, seja no registo mais rock, mais pop ou mais fado”, adiantou na altura o administrador da estação, Nuno Artur Silva.

Da apuração nacional, saiu vitoriosa Amar Pelos Dois, a composição de Luísa Sobral para o irmão, Salvador, que acabaria por vencer a competição internacional em Kiev, na Ucrânia. Após 49 anos de participação eurovisiva e de cinco interregnos, Portugal conquistava a vitória. Em 2018, Portugal recebeu, assim, a incumbência de organizar, pela primeira vez, o Festival Eurovisão da Canção.

Salvador e Luísa Sobral Eurovisão 2017
Salvador Sobral e a irmã Luísa, em Kiev. Fotografia: Eurovision.tv
Mais Artigos
Cliveon concerto
Cliveon: “Quem nos inspirou foi o Bruno Nogueira”