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ModaLisboa promete próxima edição mais sustentável

Organização acredita que potencializar a produção nacional independente é o caminho para uma moda mais verde

A ModaLisboa está pronta para dar o próximo passo. A organização anunciou que a elaboração da próxima semana da moda lisboeta será concebida com um cuidado especial com os impactos que esta indústria tem no ambiente.

Bem como os criadores, que no momento mergulham nos arquivos das suas marcas e os reavaliam, a ModaLisboa também tem andado a pensar sobre o papel que tem a cumprir. “A Moda é o auscultador de todos os tempos da sociedade, é o agente de ação e o agente de reação, é a materialização do pulsar humano. É a linha da frente da mudança“, declararam os responsáveis em comunicado.

Assumem, assim, dar uma continuidade ao seu compromisso de estar a par do que são as necessidades e ritmo da cidade que lhe dá palco e nome. Acreditam estarem a cumprir o objetivo inicial, isto é, auxiliar pequenas e médias empresas no caminho do sucesso, potenciando-o. Agora, a missão é guiar a moda independente a noção dos efeitos das grandes redes de fast-fashion.

“As circunstâncias exigem-nos que repensemos antigos formatos e que reforcemos a promoção da Moda nacional, o consumo local, o empreendedorismo, os modelos sustentáveis de negócio.”

O remédio para a moda na pandemia

Já na última edição do evento, a parceria entre a ModaLisboa e o Portugal Fashion chamou a atenção para a necessidade de virar os olhos para a saúde da indústria de moda portuguesa – um dos principais objetivos do protocolo de cooperação entre as duas organizações.

Esta cooperação é essencialmente benéfica para o mercado internacional, mas reflecte também um bem-estar nacional. É muito mais tranquilo trabalhar em parceria do que estar sempre de costas voltadas”, afirmou a presidente da ModaLisboa, Eduarda Abbondanza, ao Público.

Marcas de grande porte – como o caso da INDITEX, que está por detrás das lojas de larga escala como Zara, Stradivarius, Pull&Bear e Bershka – terão maior facilidade em ajustar a criação de novas coleções ao retomar as produções. É o que explicou o designer Alfredo Orobio, da AWAYTOMARS, em entrevista à Vogue Portugal.

Orobio ressalta que a realidade não é a mesma para os produtores de menor porte: “No caso das pequenas marcas e fábricas, o problema será um pouco mais complexo e vejo que talvez não haja alternativa a não ser pular (caso consigam sobreviver) uma ou duas estações para o atacado e ao mesmo tempo tentar reinventar-se no acesso a canais de venda direta ao consumidor.”

O verde está na moda?

A questão ambiental é um tema há muito tempo em pauta. Mas estaria ele também nas prateleiras e nos racks? Um estudo apresentado pela revista Business Insider afirmou que a indústria da moda é responsável por 10% de todas as emissões de carbono globais – consumo equivalente ao de toda a União Europeia, por exemplo.

Patriot Act with Hasan Minhaj, talk-show da Netflix, dedicou um episódio inteiro aos efeitos do contínuo consumo que revolve as marcas de fast-fashion. 

 

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