Nuno Lopes White Lines
Fotografia: Netflix / Divulgação

Entrevista a Nuno Lopes: “White Lines é um caleidoscópio louco”

Nuno Lopes, um dos nomes mais reconhecidos da representação nacional, divulgou recentemente um novo desafio. Depois de já ter participado em projetos com diferentes formatos, chega agora à Netflix. Nuno é um dos protagonistas da série White Lines, que irá estrear-se a 15 de maio na plataforma de streaming.

O Espalha-Factos quis descobrir tudo sobre esta nova aposta e conversou com o ator, através de vídeoconferência.

És uma pessoa de muitos ofícios. Entre a música, a televisão e o cinema, o que te dá mais prazer fazer?

Eu tenho um lado muito eclético e gosto muito dessa mudança. Mesmo nos trabalhos que escolho como ator, gosto muito de poder fazer um clássico de Shakespeare e a seguir fazer um teatro de dança ou programa de comédia. Depois, por exemplo, trabalhar num filme de autor ou numa série de entretenimento. Isso é o que me agrada, mudar não só de personagem, mas também de estilo. Depois tenho o lado de DJ, que é outra vertente da minha vida, mas é quase um hobbie que se tornou numa profissão.

Vais estrear-te como ator na plataforma Netflix. O que podemos esperar da série White Lines?

Nós próprios [elenco e produção], quando falamos da série, usamos sempre a palavra “montanha-russa” para a descrever. A série começa num ritmo diferente do que passa a ter depois. Parece que estamos numa montanha-russa e começamos a subir até ao pico. Esta é uma tragédia que conta a história de uma rapariga de Manchester, cujo irmão foi morto há 20 anos atrás, em Ibiza. Tem um lado trágico e um lado policial negro. Quando achamos que já estamos a perceber a série e atingimos o pico, começamos a descer e aí é que percebemos a verdade. White Lines é um caleidoscópio louco. Tal como as montanhas-russas, tem loops, curvas a 90 graus e um ritmo alucinante. É tudo menos aborrecida e acabamos por perceber que a série é a história de uma bibliotecária que sempre viveu uma vida cinzenta e protegida, e que chega de repente a uma Ibiza louca, repleta de vida noturna, drogas, orgias e crime.

“Há noites das quais é impossível recuperar” é o mote da série. Qual é a mensagem que esta frase transmite?

Como noutros trabalhos do Álex Pina, a série acontece em duas épocas. Passa-se na atualidade, em 2020, sendo que tem muitos flashbacks para os anos 90. Por trás dessa loucura cómica e divertida, existe também uma reflexão sobre o que nós fomos e o que nós queremos ser. Na verdade, mostra como a idade nos transforma. Todas as personagens principais — das quais faço parte — estão na idade dos quarentas, a relembrar os vinte anos. Uma das frases que mais gosto na série é quando a personagem do Daniel Mays, que interpreta o Marcus, questiona

“quando foste um Deus aos vinte anos, como é que pode ser a tua vida a seguir?”.

Como é a tua personagem, o Boxer?
Nuno Lopes em White Lines série da Netflix
Fotografia: Netflix / Divulgação

Como todas as personagens da série, o Boxer parte de um preconceito. É quase um estereótipo do que é um chefe de segurança em Ibiza. É um figura icónica, que tem um lado cool, meio latino e piroso [risos], que é capaz de ser bastante agressivo. Parece só um tipo duro, mas ao longo da série mostra muitos outros lados. Isto é uma das coisas interessantes porque todas as personagens são muito curiosas. Normalmente, todas as personagens têm um lado B. Nesta série, têm um lado B, um lado C e um lado D.

A série tem muitos momentos marcantes para os espetadores. Qual foi a cena mais díficil de realizar ao longo das gravações?

Tivemos várias cenas complicadas, muitas delas demoraram vários dias a filmar. As cenas mais difíceis foram realizadas debaixo de água, no mar, porque implicavam outros fatores. Houve dias em que era suposto filmarmos em alto mar e, de repente, tivemos de o fazer no porto porque estavam ondas de quatro metros e impossibilitava a continuação. Uma parte muito complicada foi filmar em agosto, em Madrid, porque estavam sempre 45 graus. Foi difícil, principalmente para os atores ingleses. Aliás, eu e os atores espanhóis, quando eles começaram a queixar-se do calor em junho, nós brincávamos e dizíamos “esperem por agosto, para verem o que é calor” [risos].

A propósito dessa diversidade, o elenco é composto por profissionais de várias nacionalidades. A própria série divide-se entre o espanhol e o inglês. Como foi a adaptação à equipa e às línguas?
Nuno Lopes é um dos personagens principais na série da Netflix
Fotografia: Netflix / Divulgação

Foi complicado e ao mesmo tempo divertido termos pessoas de diferentes culturas. Às vezes tínhamos o realizador a dar uma indicação ao operador de câmara, que em inglês tem um significado e em espanhol outro completamente diferente. De repente, o operador começa a gravar e o realizador para e pergunta “porque é que fizeste isto?”, ao qual o operador responde “não foi o que pediste?” [risos]. Quanto à língua, é sempre complicado representar num idioma diferente do nosso. No meu caso, tive a tarefa dificultada porque estava a representar em duas línguas, cria sempre um choque. No fundo, trabalhar com outras culturas e outras línguas faz-nos crescer, não só como atores, mas também como pessoas.

Ao longo da tua carreira recebeste vários reconhecimentos. Qual é o prémio de sonho que queres conquistar?

Não tenho. Nunca trabalhei a pensar nos prémios. Tenho o objetivo de ser bem sucedido, como acho que qualquer outro ator tem. O que é muito diferente de ser famoso. Não tenho sequer o objetivo de ser um ator internacional. Calhou, porque é muito difícil filmar em Portugal.

Temos muito pouco apoio do Estado e só podemos filmar dez filmes por ano.

Quero fazer projetos que me aliciem e me desafiem. Inclusive, alguns dos projetos que mais me orgulho de ter feito e que de certeza vou mostrar aos meus netos, não só não ganharam prémios nenhuns, como nem sequer chegaram a ter sucesso. Quando vou fazer uma série ou outro trabalho, penso sempre no que gostaria de ver como público. Se o resultado final me agradar como espetador, parto do príncipio que outras pessoas têm o mesmo gosto, e vão ficar felizes.

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