Natiruts: Fazemos “músicas que falam de energia e de esperança”

O cantor, músico e compositor conversou com o EF sobre o documentário 'América Vibra' e o novo single 'Tudo Vai Dar Certo'.

Quase 25 anos de história, e um novo capítulo a ser lançado. Natiruts, banda de reggae brasileira, traz um novo single, ‘Tudo Vai Dar Certo’, com uma mensagem que se encaixa perfeitamente no momento atual do mundo. As boas vibrações tão presentes nos seus trabalhos vêm mais uma vez confortar os fãs.

Voltado a atender os pedidos dos fãs, o grupo realizou no dia 23 de abril uma live onde pode estar mais perto da sua fiel plateia em tempos de isolamento. O direto também serviu para angariar fundos destinados a ajudar aqueles que estejam em situação de necessidade devido à Covid-19.

O Espalha-Factos conversou com Alexandre Carlo, cantor, músico e compositor por detrás dos muitos sucessos dos Natiruts. Em chamada, Carlo falou sobre o mais recente projeto, o inédito documentário América Vibra, que deve ser acompanhado por um EP repleto de novas canções do grupo de reggae.

Poderia falar-nos mais sobre América Vibra? O que vos inspirou na conceção deste projeto?

América Vibra porque estamos aqui, nas Américas, em Buenos Aires, capital da Argentina, na sua casa mais tradicional, chamada Luna Parque. Reunimos cerca de 16 mil pessoas em dois dias. ‘Vibra’ vem de vibration, que é o que as pessoas esperam do Natiruts. É o que mais esperam da nossa música. 

Nesses 25 anos, o Natiruts se tornou um veículo de propagação desse tipo de retórica. Músicas que falam de energia, de esperança. De ter fé que as coisas vão melhorar, que as coisas vão dar certo. Esse é o contexto do DVD América Vibra.

Como é fazer música nova depois de tantos anos nesta indústria? 

A música é uma coisa que faz parte. Eu que sou o compositor do Natiruts, fiz todas as canções de sucesso da banda, e as outras. Talvez tenha na história do Natiruts apenas cinco canções que não tenha sido eu que tenha composto. Mas sempre tendo em mente que faço parte de um grupo, e gosto de fazer parte de um grupo. 

Para mim, compor é uma coisa muito natural. Não é como se fosse uma prisão, ou um castigo. O amor e a satisfação por compor é o mesmo do começo. É natural, é como almoçar e jantar.

De facto, a banda estará a lançar um documentário a respeito da vossa trajetória. O que poderemos conhecer neste filme?

Documentários de bandas geralmente mostram os bastidores. De onde nascem as ideias, como são as tours. As perspectivas em relação ao pensamento de cada artista, sobre o mundo e a sua própria vida, tudo o que acontece ao seu redor. E é isso que o documentário do Natiruts vai tratar de forma inédita. Vai ser o primeiro documentário oficial da banda.

No dia 23 de abril, o Natiruts lançou o single ‘Tudo Vai Dar Certo’. Sobre o que é esta nova faixa?

Na verdade, essa faixa foi composta no ano passado. E gravada também no ano passado, antes da recomendação de isolamento por causa do coronavírus. A música fala daquilo o que o Natiruts é. ‘Tudo Vai Dar Certo’ é uma música que fala de positividade, de esperança. É o que os fãs da banda esperam dela, e é isso que a gente procura dar a eles. Agora nesse momento de isolamento, muitos fãs vêm pedindo que nós lancemos coisas inéditas, que nós façamos lives. Atendendo ao pedido dos fãs, lançámos esta canção.

Amani Kush está nesta nova faixa convosco. Podemos esperar por mais colaborações nos próximos lançamentos?

Acho que sim. Eu acho que as colaborações enriquecem a composição e a interpretação. E quando essa canção tem um espaço realmente bom para existir uma colaboração, acho válido.

‘Tudo Vai Dar Certo’ chegou no mesmo dia que a Live de vocês. Como foi este momento com os fãs?

Foi ótimo, apesar do momento. Muitas pessoas perdendo a vida por causa do coronavírus. Mas foi muito interessante fazer essa live, porque o motivo foi colocar um pouco de alegria no lar dos fãs, e também arrecadar recursos para os necessitados. 

São muitos os necessitados nesse momento no Brasil, e no mundo. Pessoas que estão sem trabalhar, e consequentemente estão sem a possibilidade de viver, se alimentar e ter uma vida digna. Então procurámos fazer esta live. Arrecadámos cerca de 100 mil reais [aproximadamente 15 900 euros], que foram distribuídos para várias organizações que os direcionam para as pessoas em dificuldade.

Em comunicado, fala sobre como a “busca do equilíbrio seja a base de um futuro melhor para todos”. De que forma acha que podemos alcançar isso?

Primeiro, eu espero que esse coronavírus, para além da tragédia que ele trás, das mortes e do trauma que a gente está vivendo do isolamento e tudo mais, traga à humanidade uma reflexão acerca do posicionamento do ser humano no planeta Terra. 

Para nós, está sendo horrível. Mas para os animais, para a natureza, para o meio ambiente, para os mares, os rios, está sendo ótimo. O ser humano não está destruindo tudo. Você vê que lá em Veneza reapareceram os golfinhos, que no Brasil está tendo cardumes de sardinha em praias que eram movimentadíssimas. Os peixes hoje voltam a viver. E está a natureza mostrando que além do coronavírus existe outro vírus, que é o ser humano. 

Essa busca do equilíbrio e da economia sustentável espero que comece a fazer parte do quotidiano de todos nós. E que a gente fomente e apoie políticos que tenham esse tipo de ideia, e não o tipo de capitalismo selvagem onde o resultado e o lucro estão no primeiro lugar, antes de qualquer coisa.

Natiruts

Quais são os próximos singles pelos quais podemos esperar neste novo capítulo dos Natiruts?

Ainda é cedo, porque acabamos de lançar esse. Mas temos algumas canções inéditas, ainda vamos lançar esse DVD, América Vibra. Vai vir junto dele também um EP, só com canções inéditas, e também com colaborações interessantes que os fãs do Natiruts que conhecem a trajetória tenho certeza que vão adorar.

Muitos dos primeiros trabalhos ainda estão nas nossas playlists. Como acha que a música do Natiruts evoluiu com o tempo?

Eu acho, honestamente falando, que o que deve necessariamente evoluir é a qualidade técnica da banda. Os artistas quando chegam à fama, alguns tem essa coisa de relaxar. “Ah, já estou famoso mesmo, posso parar de estudar”. 

Acho que é interessante esse conceito de evolução ser em relação à parte técnica. A parte espiritual, do compositor que está olhando para a Lua, isso é a essência de cada um e a gente já traz. Obviamente que o vocabulário você pode melhorar, com leitura, com experiência de vida, com viagens, enfim. Mas aquele jeito de compor eu acho que cada artista traz e leva consigo do planeta Terra.

Quais são os planos dos Natiruts para o futuro?

Os planos são o América Vibra, primeiro. Artisticamente é o América Vibra, e como pessoa ajudar. Estamos fazendo muitas doações neste período de coronavírus. Então os planos são esses: ajudar o próximo, com a marca Natiruts. Aqui no Brasil estamos procurando fazer isso. Esses são os planos a curto-prazo.

Há algum projeto de passar por Portugal?

Com certeza! Ano que vem, quando se retomarem os concertos, como vocês chamam aí. A gente pretende retomar a vida normal de shows e apresentações por todos os lugares, e claro, Portugal.

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