Catherine Reitman em Supermães
Netflix

‘Supermães’: quarta temporada mostra lados difíceis da maternidade

Supermães está de volta com a sua quarta temporada na Netflix. A série de comédia canadiana teve menos episódios do que é costume, e parece que algumas partes da história ficaram por contar. Esta temporada é divertida, mas acima de tudo faz-nos pensar sobre as partes mais difíceis da maternidade — e da vida adulta.

Criada e protagonizada por Catherine Reitman, a série já nos habituou a um retrato cómico e pouco convencional do que é ser mãe. Se em temporadas anteriores o enredo se focava mais nas relações das mães do grupo umas com as outras, nesta quarta temporada temos mais acesso à vida individual de cada uma. Supermães dá prioridade a Kate Foster, e fica claro que é a protagonista da série.

Nestes novos capítulos, há muito conteúdo que nos faz rir, mesmo que por vezes seja disparatado. Aliás, isso também faz parte da premissa da série. Estas mulheres, só por serem mães, não deixam de ser quem são, seja isso disparatadas, orientadas para a carreira, ou até problemáticas.

Ficamos a conhecer melhor Kate e a acompanhar o seu desespero diário enquanto tenta que a sua vida volte ao normal, após os acontecimentos da temporada anterior. O caminho com Nathan é difícil de percorrer, tal como a gestão do seu negócio.

Uma das personagens que se tinha envolvido na sua vida saiu da série com a mesma rapidez com que entrou. Estou a falar de Mike Bolinski, uma personagem que parece ter mudado da noite para o dia. No entanto, esta aparente mudança sem razão foi uma estratégia muito inteligente, pois passamos a ver Mike tal como ele é. Kate consegue desvendar este homem que, inicialmente, parecia um bom partido mas é exatamente o contrário. Assim, quando Kate estava interessada nele, víamos o melhor dele. Agora que a ilusão se desfez, os espectadores podem conhecê-lo realmente.

Supermães parece preocupar-se com as soluções a longo-prazo, intercalando alguns sketches pelo meio do tempo da história. Há vários flashforwards nesta temporada, que nos levam aos momentos importantes, deixando para trás tudo o que seja desnecessário. No primeiro episódio, isto acontece demasiado rapidamente, mas acaba por resultar no resto da temporada.

A adolescência também é difícil para os pais

Supermães
Netflix

Além de Kate, a sua melhor amiga Anne também está a passar por um mau momento. Debate-se com problemas financeiros, ao mesmo tempo que tenta ajudar a sua filha a descobrir quem é. Deverá castigar a adolescente Alice ou dar-lhe mais liberdade para se empoderar? Anne vai encontrar a resposta, mas acaba por ter de tomar uma decisão ainda mais complicada que a pode afastar da sua melhor amiga — e talvez da série.

As histórias de KateAnne são as que realmente mostram como, apesar de se tratar de uma comédia, nem sempre tudo é fácil, nem a preto e branco. Nem sempre as mães ou os pais sabem como agir, nem o que é melhor para si e para os seus filhos. E a temporada termina, mais uma vez, numa nota muito séria que nos deixa em suspense.

Por outro lado, FrankieJenny são as mães que têm problemas retratados de forma menos séria. Enquanto Frankie se envolve num esquema altamente improvável com o dador de esperma do filho de BiancaJenny tenta ser a cara da luta pela igualdade salarial no seu emprego. Talvez esta última parte pareça um pouco forçada e chegue já tarde, mas Supermães consegue criticar comicamente a situação. A série mostra como quem dá a cara nem sempre tem as melhores intenções, e também a importância do reconhecimento deste problema e a educação das pessoas para o compreenderem.

Menos episódios e menos tempo para contar a história

Além de tudo isto, esta temporada dá menos destaque às personagens secundárias. Muitas parecem ser esquecidas, deixadas para breves momentos de convívio em grupo — ou até renegadas a sonhos ou alucinações de outras personagens. Giselle merecia mais tempo de antena, tal como ValIan. Parece que falta algo para o espectador respirar entre os momentos emocionalmente mais pesados, mas também que há muita história que ficou de fora. Os oito episódios — em vez dos 13 de temporadas anteriores — não chegam para encaixar todas as peças.

A quarta temporada de Supermães é mais sombria que as restantes, mas não deixa de parte o seu lado hilariante. Apesar de ser a temporada que aborda os problemas mais seriamente do que nunca, continua a fazer-nos rir. No entanto, às vezes é difícil transformar situações complicadas em sketches de comédia. Em algumas cenas, sentimos quase um travo agridoce, sem saber se devemos ou não rir — e por isso não é a melhor temporada até agora.

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