Sigmund Freud
Sigmund Freud por Max Halberstadt em 1921

Freud: a influência do “pai da psicanálise” na sociedade

O dia 6 de maio de 1856 marcou o nascimento daquele que é conhecido como o “pai da psicanálise”. O legado do neurologista Sigmund Freud tornou-se num dos mais importantes na história da psicologia. Continua a influenciar muitos aspetos da vida quotidiana, incluindo o cinema.

Nasceu no seio de uma família judaica em Příbor, na República Checa, a 6 de maio de 1856. Iniciou os estudos no mundo da neurologia, através da utilização da técnica da hipnose para tratar pacientes com histeria. A sua hipótese de que a histeria advinha de problemas psicológicos e não orgânicos foi a porta para o desenvolvimento das suas teorias.

Freud
Fotografia: Burst

A partir do estudo psicológico dos seus pacientes, Sigmund Freud desenvolveu várias teorias sobre o funcionamento do cérebro humano e da formação dos pensamentos. Desde a analogia do icebergue à teoria representacional, o psicanalista abriu as portas ao desenvolvimento daquela que é a psicologia como a conhecemos atualmente.

Com o neurologista, aprendemos que muitos dos problemas mentais podem advir de um processo de recalcamento. O mecanismo de defesa leva a pessoa a suprimir a realidade que lhe foi reprimida, especialmente na infância, e a afastar determinados conteúdos psíquicos para o inconsciente.

O legado de Freud continua vivo

Freud influenciou a forma como olhamos e tratamos as doenças mentais. Foi um pioneiro a reconhecer que existem transtornos psicológicos, que não se prendem apenas com doenças físicas do cérebro, como era aceite na altura. Os traumas e os conflitos psíquicos passaram assim a ser aceites como causas para doenças mentais.

No entanto, a psicanálise não é hoje reconhecida por praticamente nenhuma instituição médica nem governamental, e acredita-se que a concessão freudiana de cérebro estava completamente incorreta. Mesmo assim, o seu legado permanece intacto, tal como o seu reconhecimento enquanto um grande pensador, devido à sua influência histórica e ao seu pensamento revolucionário. Freud deu-nos uma nova forma de pensar acerca do comportamento humano e tornou-se assim num representante do inconformismo.

Freud e o cinema

Para além do contributo no ramo da psicologia, Freud foi também a inspiração para muitos realizadores. Em primeiro lugar, porque a psicanálise e o cinema se desenvolveram no mesmo período, em segundo, porque o inconsciente sempre fascinou produtores e entusiastas.

Muitos foram os que compararam, de alguma forma, os dois ramos. Mesmo o psicanalista e organizador do Primeiro Festival Europeu de Cinema Psicanalítico, Andrea Sabbadini, admitiu ao The Guardian que as disciplinas “partilham uma linguagem semelhante”. No entanto, o “pai da psicanálise” sempre recusou a fusão de dois mundos, recusando ser filmado e alegando ser impossível representar o processo psíquico de forma cinematográfica.

Mesmo com a recusa de Freud, o cinema não conseguiu deixar de se inspirar no psicanalista e de tentar recriar o seu trabalho e vida. As produções abaixo são exemplos disso.

Freud (2020)

Robert Finster como Freud na série Freud da Netflix
Robert Finster interpreta um jovem Freud ficcionalizado que usa a psicanálise para resolver crimes.

A série criminal da Netflix re-imagina a vida do famoso neurologista. A primeira temporada estreou a 23 de março e apresenta, em oito episódios, um jovem Freud (Robert Finster), em Viena, no ano de 1886. O psicanalista resolve vários mistérios, com o auxílio da médium Fleur Salomé (Ella Rumpf) e do agente Alfred Kiss (Georg Friedrich).

Um Método Perigoso (2011)

Michael Fassbender e Keira Knightley em Um Método Perigoso

Inspirado em factos reais, o filme de David Cronenberg apresenta a história sombria da descoberta intelectual e sexual. Michael Fassbender e Viggo Mortensen interpretam Carl Jung e Sigmund Freud, um psiquiatra principiante e o seu tutor, que tratam uma turbulenta paciente, Sabina Spielrein (Keira Knightley). Uma história de exploração pessoal de sensualidade, ambição e manipulação que desafia e muda para sempre o pensamento moderno.

Freud, Além da Alma (1962)

A longa-metragem realizada por John Huston é uma biografia romantizada sobre o “pai da psicanálise”. Apresenta, em 140 minutos, a história da elaboração da teoria psicanalítica, os mais célebres casos do neurologista, bem como a sua relação com os pacientes. O ator Montegomery Clift entra na pele de Freud para reconstruir as suas vivências e descobertas entre os anos de 1885 e 1890, em Paris e Viena.

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