Cinema
Cinema (Fotografia: Erik Witsoe/ VisualHunt)

Covid-19. Como será a reabertura dos cinemas em Portugal e no mundo?

Depois de meses encerrados devido à pandemia, os cinemas em Portugal e no mundo vão finalmente reabrir as portas

O impacto da Covid-19  foi quase catastrófico para a sétima-arte a nível global, mas algumas medidas de apoio e de reabertura das salas de cinema começam agora a surgir. Em Portugal, os cinemas vão reabrir a 1 de junho, anunciou o ministro da Economia Pedro Siza Vieira na quinta-feira (30).

Para assegurar o distanciamento social, estão garantidas medidas de segurança como a marcação prévia de lugares e a lotação reduzida por cada sala. Serão permitidos espectadores em todas as filas, com distância de uma cadeira entre cada um.

Esta é uma tentativa de regresso à normalidade, para poder contrabalançar a quebra de mais de 75% em número de espectadores e receitas no mês de março face ao ano anterior, segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

Analisando a situação um pouco por toda a Europa, à semelhança do caso português, em Espanha, o governo de Pedro Sanchéz anunciou que as salas vão abrir a 25 de maio, funcionando apenas com uma lotação máxima de um terço da sua capacidade.

Em Itália, o Governo ainda não se comprometeu com uma data exata para a abertura dos seus cinemas. As perdas com este período de encerramento estimam-se em 60 milhões de euros, colocando o setor numa instabilidade assustadora.

França é também um caso complicado, pois pretende manter as salas de cinema fechadas até inícios de junho e com proibição de grandes ajuntamentos até setembro.

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A realização do Festival de Cannes está em perigo devido à Covid-19
A realização do Festival de Cannes está em perigo devido à Covid-19.

Esta decisão pode ter implicações na realização do Festival de Cannes, que é uma das grandes atrações anuais do mundo cinematográfico. Recorde-se que o Festival foi forçado a cancelar as datas previstas de 12 a 23 de maio, começando a planear a sua realização para os fins de junho devido ao confinamento. Até agora, não foram revelados mais detalhes concretos sobre este plano.

O primeiro país europeu a anunciar a confirmação da abertura dos cinemas – a partir de 11 de maio – foi a República Checa. Na Noruega, o processo vai iniciar-se a 7 de maio e as salas ficarão limitadas a 50 pessoas com um metro de distância entre elas, segundo informações avançadas por um representante do Instituto de Cinema Norueguês.

O representante norueguês acrescentou que nem todos os cinemas irão aderir imediatamente a esta data, na medida em que poderá não ser economicamente viável, dado que o ritmo de vendas se espera reduzido. Para além disso, outro impacto da Covid-19 no cinema é a pouca oferta de filmes em exibição. A escolha vai recair apenas sobre filmes locais e 1917 de Sam Mendes que já foi exibido na Noruega em janeiro.

Alguns cinemas nunca chegaram a fechar, enquanto outros faliram

Contrastando com o resto da Europa, a Suécia adotou uma postura curiosa sobre o assunto, dado que alguns cinemas se mantiveram abertos durante toda a pandemia. Ao todo, funcionam cerca de 47 cinemas com 200 ecrãs, assegurados pela segunda maior cadeia cinematográfica do país, tornando-se na maior operadora na Europa, nesta fase, no que toca à bilheteira.

Nos Estados Unidos da América, cada estado está a tomar medidas diferenciadas. O Texas, por exemplo, permitiu a reabertura dos cinemas na sexta-feira (1), limitados a 25% da sua capacidade, e apenas alguns o fizeram. A cadeia EVO Entertainment abriu esta segunda-feira (4) dois cinemas, e as pessoas serão questionadas à porta se algum familiar em casa apresentou algum sintoma de gripe nos 14 dias anteriores. Vão ainda existir medições de temperatura corporal, e vai ser pedido o uso de máscaras.

Por outro lado, há estados que não concretizam uma data para este retorno, como é o caso da Califórnia. O governador Gavin Newsom revelou que poderá demorar meses a acontecer. O cenário no país não é animador dado que, por exemplo, a rede de cinemas CMX, com sede em Miami, abriu falência.

O caso chinês

Passando em revista o continente asiático, cresce a especulação de que os cinemas na China poderão abrir em junho desde que o país não sofra uma segunda vaga de infeções. Recentemente, a China Film Administration (CFA) estimou que as bilheteiras do país terão uma queda de aproximadamente 3.9 mil milhões de euros devido à Covid-19, perdendo metade do lucro de 2019 que se ficou, aproximadamente, pelos 8.4 mil milhões de euros.

Durante uma conferência online realizada na quarta-feira (29), a CFA analisou o impacto da pandemia na indústria cinematográfica chinesa e discutiu os passos que terão de ser dados para quando o vírus estiver totalmente controlado.

Os cinemas na China estão fechados desde 23 de janeiro, tendo como consequência directa o não aproveitamento de importantes datas lucrativas como o Novo Ano Chinês (de 24 a 30 de janeiro) e o feriado de 1 de maio que se estende até dia 5.

O presidente da CFA, Wang Xiaohu, disse que a pandemia do coronavírus “causou uma crise sem precedentes para a indústria cinematográfica, o que tem forçado a indústria a realizar uma reforma e evolução”.

Adiar estreias ou passá-las para o streaming?

Em abril, o vice-presidente da International Union of Cinemas (UNIC), Jaime Tarrazón, revelou numa conferência online que há expectativa para que os cinemas internacionais reabram a tempo de exibir Tenet, o novo filme de Christopher Nolan, com estreia marcada para 17 de julho na maioria dos países.

O impacto da Covid-19 no cinema notou-se também no lançamento alternativo de filmes em plataformas de streaming ou vídeo-on-demand (VoD), que em situação normal iriam ser exibidos no grande ecrã.

Trolls 2 foi um dos filmes lançados nas plataformas streaming.
Divulgação/ Universal Pictures

Esta medida tem sido tão recorrente que levou os Óscares a alargar o espectro de filmes elegíveis àqueles que foram exclusivamente lançados em plataformas de streaming. Na última terça-feira (28), a Universal Pictures celebrou o sucesso do lançamento de Trolls 2 nas plataformas VoD, referindo ainda ao Wall Street Journal que o VoD será “o novo normal”.

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Isto demonstra que as pessoas estão cada vez mais disponíveis para pagar o valor do bilhete de cinema para ver os filmes em casa. Um estudo de março da Nielsen revelou que os norte-americanos aumentaram em 85% o consumo de streaming na televisão em relação a março de 2019.

Vale a pena lembrar que tudo isto também se traduziu em produções interrompidas, dado que a maior parte dos sets não podem funcionar. Os filmes que estavam em pós-produção continuam agora, mas com prazos alterados pois o trabalho à distância dificulta a coordenação das equipas de efeitos visuais e de som. Os que estão em pré-produção ou com filmagens previstas mantêm-se sem datas definidas para o retorno.

As portas reabrem agora, mas resta saber se as pessoas estão dispostas a aceitar as apertadas medidas de controlo sanitário a que vão ser submetidas. Se não for esse o caso, a manutenção dos cinemas será demasiado dispendiosa para as distribuidoras de filmes.

Um dos exemplos recentes deste perigo real foi a tentativa chinesa, em março, de reabrir os cinemas, o que se veio a mostrar um fracasso. Dez dias depois das primeiras sessões, o governo chinês ditou novamente o seu encerramento devido à fraca adesão do público. Existe o medo generalizado que isto aconteça também nos restantes países, dado que estamos a falar de medidas para a sobrevivência do sector.

Em Portugal, de modo a servir de alternativa às tradicionais salas, a Comic Con anunciou que vai realizar uma série de sessões de cinema no carro com ecrã gigante já em junho.

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