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Dia de Star Wars. Uma Força que atravessa gerações

Uma retrospetiva pela saga épica que, mais de 40 anos depois, continua a garantir viagens à galáxia distante aos fãs do cinema de ficção científica

May the Fourth be with you. É assim que a 4 de maio se celebra o dia de Star Wars no universo da cultura popular. A data assinala o sucesso da franquia, com 43 anos de existência – a história de uma galáxia muito, muito distante mas que, ao longo dos anos, se tornou um dos elementos mais próximos desta saga.

A data escolhida pelos fãs deste universo representa um trocadilho da icónica frase May the Force be with you (em português, “Que a Força esteja contigo“) com a forma como os norte-americanos habitualmente leem as datas (mês, dia e ano). Daí nasce May The Fourth, data celebrada oficialmente desde 2011.

Pormenores geek à parte, Star Wars é mais que uma saga cinematográfica. É um universo repleto de heróis, vilões com uma imensidão de criaturas misteriosas e planetas por descobrir. George Lucas é o grande visionário por trás de personagens como Luke Skywalker, Han Solo, a princesa Leia, Darth Vader ou Yoda.

Tudo começou com um sonho de aglomerar várias histórias da cultura ocidental e oriental num único produto audiovisual. As personagens não são propriamente originais. São arquétipos que o público já viu em imensos contos ao longo dos anos, mas a forma como se apresentam nesta Guerra das Estrelas é distinta e faz com que a maior parte dos espectadores se relacione com as mesmas.

A primeira longa-metragem, intitulada hoje como Episódio IV: A New Hope (ou Uma Nova Esperança), estreou no dia 25 de maio de 1977 nos Estados Unidos; desde então, tornou-se mais que um simples filme. É uma aventura que junta fantasia e aventura com personagens emblemáticas. No nosso universo, Star Wars tornou-se num fenómeno lucrativo e é hoje um produto de massas.

Para dar a entender esta viagem, o Espalha-Factos revisita a Saga Skywalker – ou seja, os nove filmes que fazem parte da história que, no ano passado, se deu como terminada com Episode IX: The Rise of Skywalker.

A Trilogia Original (1977-1983)

Pode ser um exercício díficil de perspetivar, mas George Lucas enfrentou muitos obstáculos para conceber o primeiro filme da saga. O jovem realizador tinha apenas dois filmes no seu currículo (THX 1138 e American Graffiti) e a ideia de conceber uma space-opera com influências de produtos épicos no género era algo que os estúdios de cinema tinham receio em apostar. A ficção cientifica e a fantasia não eram vistos como apostas seguras em Hollywood, porém a 20th Century Fox quis correr esse risco.

O elenco de atores e o staff técnico não estavam plenamente confiantes da visão de Lucas. O realizador experienciou vários problemas pessoais, que, juntamente com o constante “braço de ferro” com os executivos da Fox, complicou ainda mais a conceção do filme.

Surgiram, ainda, vários problemas de comunicação. O mais gritante foi o facto de a primeira versão de Star Wars, editada por John Jympson, não corresponder ao que George Lucas tinha visionado. Jympson foi substituído por três editores: Paul Hirsch, Richard Chew e Marcia Lucas, na altura casada com o realizador. Esta decisão acabou por dar frutos, visto que o trio ganharia o Óscar de Melhor Edição em 1978.

A longa-metragem, estreada no ano anterior, esteve nomeada na categoria de Melhor Filme, mas quem levou a cobiçada estatueta foi Woody Allen por Annie Hall. Fora isso, a película conquistou Óscares técnicos e o compositor John Williams leva para casa o prémio de Melhor Banda Sonora.

Num orçamento estimado de 11 milhões de dólares da época, o primeiro filme de Star Wars rendeu mais de 770 milhões em receitas de bilheteira. Tornou-se no filme com maior receita de sempre até que ET: O Extra-Terrestre, de Steven Spielberg, quebrou esse recorde em 1983.

Para a sequela, George Lucas mantém as decisões criativas mas entrega a pasta de realização para Irvin Kershner. Episode V: The Empire Strikes Back (ou O Império Contra-Ataca) provou ser um sucesso ainda maior. Ao invés de ser uma repetição dos trunfos do filme anterior, a trama torna-se mais densa e coloca os heróis em clara desvantagem em relação aos seus inimigos. Darth Vader profere uma frase que põe o confronto intergaláctico num nível mais pessoal. É considerado por uma grande parte dos fãs como o melhor melhor filme da franquia.

Episode VI: Return of the Jedi (ou O Regresso de Jedi) culmina o enredo. Há certas críticas a esta conclusão, como a inclusão de uma nova Estrela da Morte, repetindo a mesma ideia do primeiro filme, e os Ewoks (criaturas que se assemelham a ursos de peluche). Apesar disso, o filme, realizado desta vez por Richard Marquand, volta a ser um estrondoso sucesso de bilheteira.

A Trilogia das Prequelas (1999-2005)

Foram precisos 16 anos para que os fãs de Star Wars pudessem voltar ao cinema para assistir um novo capítulo na história dos Skywalker. Representou também o regresso de George Lucas à cadeira de realizador, após um hiato de 22 anos. Nos anos 1990, o entusiasmo pela saga era saciado de outra forma – sem filmes, as histórias continuaram em livros, banda-desenhada ou videojogos.

Em 1997, a trilogia original voltou aos grandes ecrãs com melhoramentos visuais e novas cenas feitas no computador (em CGI), versões que ficaram conhecidas como as Special Edition. Até hoje, as mesmas são criticadas pelos fãs mais puristas, apontando o dedo a George Lucas, que recusa disponibilizar comercialmente as versões originais dos filmes no mercado. Até hoje, não existe uma forma legítima de assistir a essas versões sem recorrer a plataformas de downloads ilegais.

Dois anos depois, Episode I: The Phantom Menace (ou A Ameaça Fantasma) chega às salas de cinema no dia 19 de maio. O entusiasmo era, de facto, de outro mundo, como algumas reportagens televisivas retrataram. Os efeitos especiais práticos foram postos em segundo plano para dar lugar ao efeitos em CGI. O filme foi um sucesso tremendo nas bilheteiras, mas os fãs ficaram divididos.

Houve quem adorasse, mas também houve quem detestasse. As principais críticas devem-se à performance de Jake Lloyd como Anakin Skywalker e Ahmed Best como Jar Jar Binks, atores que até hoje sofrem duras críticas nas redes sociais pelas suas interpretações.

O facto de George Lucas não ter realizado um filme durante mais de 20 anos reflete-se num enredo disjunto, que tanto enfatiza tramas políticas deste universo e cenas claramente feitas para entreter um público mais infantil. Críticas à parte, o filme foi responsável por rejuvenescer o interesse no universo Star Wars em camadas mais jovens, que se viria a manifestar em anos posteriores.

Em Episode II: Attack of the Clones (ou Ataque dos Clones), estreado em 2002, as críticas não atenuaram o tom. Desta vez, o foco foi o relacionamento amoroso entre Anakin Skywalker e Padmé (Natalie Portman), que contém diálogos e cenas algo embaraçosas. O universo voltou a expandir-se com cenas CGI impressionantes na altura (que continuam a sê-lo em certos momentos).

Depois de dois filmes pouco consensuais, Episode III: Revenge of the Sith (ou A Vingança dos Sith) representou a redenção desta trilogia das prequelas. As sequências de ação voltaram a superar a fasquia, mesmo que os diálogos possam ser, por vezes, atabalhoados.

Objetivamente, a trilogia das prequelas tem muitos defeitos, mas o produto final foi todo supervisionado por George Lucas, o grande criador da saga. Por outras palavras, a visão do realizador e do seu argumento foi cumprida, apesar de não agradar todos os gostos.

A Trilogia das Sequelas (2015-2019)

Em 2012 surge uma “bomba” no universo Star Wars. A Disney, a conhecida empresa produtora de entretenimento, adquire a franquia a George Lucas por mais de 3 mil milhões de euros. Para além da compra, Bob Iger, CEO da Disney, revela que irá existir uma nova trilogia de filmes, que acontecem depois do desenlace do Episódio VII. Devido à imensidão de histórias que foram criadas ao longo dos anos, a empresa do Rato Mickey decide descartá-las do cânone do enredo, em vista p

Há um novo elenco. Há um novo realizador. Há nostalgia. Parece que a Força volta a despertar. No entanto, as críticas regressam, desta vez, com megafone chamado redes sociais. Depois do lançamento em dezembro de 2015, Episode VII: The Force Awakens (ou O Despertar da Força) de J. J. Abrams contém elementos que fazem os fãs considerá-lo uma espécie de remake de Episode IV: The New Hope.

Apesar disto, o público volta a apaixonar-se por este universo e o futuro parece risonho para os fãs de Star Wars. A junção entre a velha e a nova escola de personagens perspetiva os fãs que algo memorável pode ser criado nos restantes dois capítulos da saga.

Com as expectativas ao rubro, Episode VIII: The Last Jedi (ou O Último Jedi) gera bastante controvérsia com os fãs da franquia. O ponto de discórdia é o tratamento que Rian Johnson, realizador e argumentista deste capítulo, adotou perante certas personagens no enredo. A cinematografia é esteticamente irrepreensível, mas a trama perde foco.

Apesar de não ter sido um fracasso na bilheteira, a preocupação da Disney em querer recuperar a credibilidade aos fãs mais desiludidos foi notória. Colin Trevorrow tinha sido o escolhido para realizar e escrever o argumento do último capítulo da saga Skywalker, mas foi dispensado para dar lugar novamente a JJ Abrams, com Chris Terrio a ajudá-lo no guião.

Mesmo assim, “o tiro saiu pela culatra”. Episode IX: The Rise of Skywalker (ou Ascenção de Skywalker) é tentativa forçada de tentar agradar todos com a nostalgia a falar mais alto em certos momentos. Como um todo, a trilogia falhou o sentido de oportunidade contar uma história densa. Nesse aspeto, faltou planear o enredo para os três filmes, algo que transparece quando a trilogia é analisada como um todo.

Apesar das possíveis e válidas críticas, há algo que não mudou em mais de 40 anos de Star Wars: a sensação de aventura e de deslumbramento que atravessa várias gerações. É um universo que está longe de ser perfeito – e que, ao mesmo tempo, proporcionou alguns dos momentos mais marcantes na História do cinema.