Al Pacino
Fotografia: Divulgação / Amazon Prime Video

80 anos de Al Pacino: do teatro nova-iorquino aos blockbusters

Al Pacino celebra 80 anos de vida, a 25 de abril de 2020. O Espalha-Factos faz um apanhado sobre a carreira do conhecido ator norte-americano, que começou no teatro nova-iorquino e foi subindo até alcançar o estatuto que tem hoje.

Veio ao mundo como Alfred James Pacino, mas o grande público conhece-o simplesmente por Al Pacino. Nasceu no dia 25 de abril de 1940, em Harlem, no estado de Nova Iorque. Os pais são de ascendência italiana, mais concretamente da Sicília. Durante a adolescência, Pacino tinha a alcunha de Sonny e ambicionava ser jogador de baseball. Era considerado um deliquente no contexto escolar, tendo desistido de ir à maior parte das aulas. A disciplina de inglês era a única que lhe suscitava interesse.

Começou a fumar e a beber álcool aos nove anos de idade e, aos 13, fumava marijuana de forma esporádica. Apesar destes vícios, o jovem Pacino nunca teve um relacionamento com as denominadas drogas pesadas. Cresceu a frequentar o bairro do Bronx e lá não era estranho a conflitos. Sem o consentimento dos pais, Al Pacino conseguiu entrar na High School of Performing Arts, uma escola profissional em Manhattan através de uma audição. Para pagar as despesas, Pacino saiu de casa e arranjou trabalhos como carteiro, funcionário de limpezas e empregado de mesa.

Tentou candidatar-se ao prestigiado Actor’s Studio, mas sem sucesso. Pacino não desanimou e conseguiu entrar no HB Studio — conhecido como uma das originais “escolas” de artes performativas de Nova Iorque —, onde conheceu Charlie Laughton, um prestigiado ator, realizador e argumentista, que se viria a tornar numa referência tanto a nível pessoal como profissional. Neste período, o jovem passou tempos conturbados, pois nem sempre conseguia arranjar um sítio para dormir.

Primeiros passos no Teatro e a chamada d’O Padrinho

Em 1967, Al Pacino conseguiu o seu primeiro trabalho pago enquanto ator. Foi na peça de autoria de Clifford Odets chamada Awake and Sing que esteve em cena na cidade de Boston, no estado de Massachusetts. No ano seguinte, protagonizou  The Indian Wants the Bronx, de Israel Horovitz. Graças à sua atuação, Pacino consegue o seu primeiro prémio. O jovem ator recebe um Obie, uma distinção promovida por um jornal de artes nova-iorquino.

Para além disso, Martin Bergman assistiu à peça e ficou cativado pelo talento de Al Pacino. Abordou o jovem ator e assim tornou-se seu agente. Dois anos depois, Pacino venceria o seu primeiro prémio Tony na sua estreia na Broadway pela peça Does a Tiger Wear a Necktie?, encenada por Don Petersen.

O seu agente foi decisivo no que diz respeito ao salto de Pacino para o grande ecrã. Depois de dois filmes mais discretos, Al Pacino é selecionado pelo realizador Francis Ford Coppola para integrar o elenco d’O Padrinho (The Godfather). No filme, lançado em 1972, Pacino encarna Michael Corleone, filho de Vito Corleone (interpretado por Marlon Brando), o chefe de uma família criminosa italiana nos Estados Unidos. No início, a escolha foi contestada pelos dirigentes dos estúdios da Paramount, que queriam um ator mais reconhecível da altura como Jack Nicholson, Robert Redford ou Robert DeNiro (que entraria na sequela em 1974).

No entanto, o papel concedeu-lhe a primeira nomeação para uma estatueta Óscar de Melhor Ator Secundário. Não venceu, mas, em 1973, venceria o Globo de Ouro no papel que desempenhou em Serpico. Em 1977, Al Pacino é distinguido novamente com um prémio Tony, desta vez pela peça The Basic Training of Pavlo Hummel.

A Força do Poder e o triunfo nos Óscares

Al Pacino consegue juntar-se à prestigiada Actor’s Studio, local onde aprendeu “method acting” com Lee Strasberg e aperfeiçou a sua performance artística. A década de 1980 foi responsável por brindar o ator com um dos seus papéis mais memoráveis. O nova-iorquino assumiu o papel de Tony Montana em Scarface — A Força do Poder, em 1983. A longa-metragem realizada por Brian De Palma tornou-se num dos filmes mais impactantes da sua carreira e, para além de cenas memoráveis, deu-nos deixas de diálogo que são hoje indissociáveis de Pacino, como Say hello to my little friend.

A paixão pelo teatro manteve-se nestes anos, tendo participado em peças como Julius Caesar. Em 1989, quatro anos depois de Revolution — que representou o primeiro desaire comercial e crítico de Pacino — o ator regressa ao grande ecrã em Sea of Love. O thriller, que conta também com Ellen Barkin e John Goodman no elenco, rendeu mais de 100 milhões de dólares na bilheteira a nível global.

A entrada nos anos 90 não abalou o sucesso suscitado pelo filme anterior. Em 1990, Al Pacino participa no terceiro e último capítulo d’O Padrinho e é também  “Big BoyCaprice, o vilão da adaptação cinematográfica de Dick Tracy, uma personagem de banda desenhada dos anos 1930. Em 1992, Pacino é o protagonista no filme O Perfume de Mulher, um drama que lhe concede o seu único Óscar na carreira no ano seguinte.

Nesta década, Al Pacino consegue consolidar a sua relação com o grande público em longa metragens como Heat (1995), O Advogado do Diabo (1997) e Um Domingo Qualquer (1999).

 

Século XXI com alguns desaires

Já na casa dos 60 anos de idade, Al Pacino teve alguns filmes com menos sucesso. The People I Know, de 2002, e Gigli, de 2003, são dois exemplos. Contudo, Pacino protagonizou, ao lado de Meryl Streep e Emma Thompson, Angels of America, uma mini-série da HBO. Para além de ter conquistado o público, venceu 11 estatuetas Emmy, entre elas uma de melhor ator numa Mini-Série.

Destaque para a participação em Ocean’s 13, em 2007, como sendo um dos papéis mais relevantes nessa década. Na década seguinte, Pacino tem o que muitos consideram o seu pior filme: Jack and Jill com Adam Sandler como protagonista. Em 2012, contracena com Christopher Walken e Alan Tarkin em Stand-Up Guys. O filme biográfico sobre o músico de folk Danny Collins e Pirates of Somalia são duas longas-metragens bem recebidas pelo público.

No ano passado, Al Pacino regressou às origens dos seus papéis como mafioso no filme produzida pela Netflix e realizado por Martin Scorcese chamado O Irlandês. O mais recente projeto de Pacino é Hunters, uma série produzida pela Amazon Prime Video.

80 anos de vida e mais de meio século de carreira, Al Pacino é um dos maiores atores norte-americanos. Das várias conquistas, o nova-iorquino faz parte de um grupo restrito de atores que possui tanto um Óscar, como um Emmy e um Tony.

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