Anatomia de Grey Ellen Pompeo
Fotografia: Divulgação

Ellen Pompeo ‘cancelada’ na internet após afirmar que vítimas de assédio sexual “têm culpa”

Uma entrevista que Ellen Pompeo, a Meredith Grey de Anatomia de Grey, deu em 2018 ao jornal Oxford Union, ressurgiu nas redes sociais e provocou ultraje. No vídeo, a atriz sugere que as vítimas de assédio sexual são culpadas por aquilo que lhes acontece.

Têm alguma responsabilidade. Não toda… mas são precisos dois para dançar o tango, como é óbvio“, afirma Pompeo. O excerto em que faz esta afirmação está a viralizar nas redes sociais, sendo um momento de uma conversa em que a atriz se refere a Harvey Weinstein, dando conta de que teve uma reunião de mais de duas horas com o famigerado produtor e que, nesse encontro, “ele não disse nada inapropriado nem fez nenhum tipo de avanço físico“.

Na mesma declaração, a protagonista de Anatomia de Grey parece dar a entender que lidar com este tipo de situações faz parte do dia-a-dia no mundo artístico e que cada um deve escolher daquilo que quer abdicar em prol do sucesso no ramo. “Quanto é que estás disponível para aguentar? (…) De que é que nos vamos privar, o que é que vamos comprometer em prol de sermos gostados, amados e aceites? O quanto queremos estar no mundo artístico?”, questiona a atriz.

Racismo reverso?

As redes sociais, além de terem recuperado esta entrevista, têm também voltado a dar atenção a um tweet de 2016 em que Ellen Pompeo afirma ser vítima de “racismo reverso” por, alegadamente, ter sido chamada de “white bitch” (“cabra branca“, tradução livre). Numa conversa tida há quatro anos, a atriz dizia que o racismo não afetava só os cidadãos negros.

O uso do termo racismo reverso é, no mínimo, controverso. Está fortemente associado à negação do privilégio branco e das diferenças de tratamento dos cidadãos negros nas sociedades ocidentais. Este ano, o Tribunal da 11.ª Vaga de Goiânia, no Brasil, absolveu um jovem negro, autodeclarado indígena, do crime de racismo contra pessoas brancas. Na sentença afirmou que “não existe racismo reverso“. O juíz defendeu esta ideia dizendo que “não existe um quadro de discriminação histórica das pessoas brancas, nem a necessidade por parte dos cidadãos deste grupo social de superarem desigualdades históricas“.

Na mesma sentença acrescenta que “não existe racismo reverso, de entre outras razões, pelo facto de que nunca houve escravidão reversa, nem imposição de valores culturais e religiosos dos povos africanos e indígenas ao homem branco, tão pouco o genocídio da população branca, como ocorre até hoje o genocídio do jovem negro brasileiro. O dominado nada pode impor ao dominante“.

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