#EstudoEmCasa RTP Memória
Fotografia: Pedro Pina/RTP

Como um primeiro dia de aulas. Assim se ligou o ecrã do #EstudoEmCasa

O arranque do terceiro período letivo foi acompanhado pelas aulas através da televisão. Será este o início de um novo caminho no ensino à distância?

Nove da manhã em ponto, 20 de abril. Tudo a postos para mais um dia de aulas à distância, o novo e complicado hábito dos estudantes de todos os graus de ensino. Para os do ensino primário, básico e secundário, porém, o início do terceiro período letivo é diferente: entre aulas na Internet, há o #EstudoEmCasa– uma regressada e renovada Telescola para um dia-a-dia com mais aprendizagem.

O #EstudoEmCasa abriu esta segunda-feira o livro de ponto na RTP Memória – e, em simultâneo, em emissão digital na RTP Play. As regiões autónomas também têm a sua própria versão, com outro tipo de conteúdos diversificados. A estreia de um projeto de escola na televisão renovado e adaptado aos dias de hoje, para cobrir uma necessidade presente.

Se a original Telescola servia para responder às necessidades dos alunos que, por limitações financeiras ou dificuldades de transportes, não podiam deslocar-se a um estabelecimento escolar, ao cobrir os anos do ensino preparatório, a versão de hoje tem um propósito semelhante, ainda que numa realidade diferente. A pandemia da Covid-19 deixou cerca de 800 mil alunos do ensino básico sem mais aulas presenciais este ano letivo.

Entre as soluções oferecidas a cada escola, as possíveis para uma época sem precedentes, o projeto da RTP com o Ministério da Educação vem apoiar o ensino para a camada da população com menos possibilidade de conseguir obter o mesmo nível de aprendizagem como numa sala de aula regular. Quer seja pela minoria de formatos de transmissão destes conteúdos aos mais novos (mais acessíveis, por exemplo, a alunos universitários com uma maior presença digital) quer, e principalmente, pelas disparidades no acesso a esse mesmo ensino, com muitos alunos sem acesso a computadores e Internet.

O objetivo é um, claro e uno desde os primeiros momentos em que se assiste a uma aula na televisão. Uma garantia de expansão de conhecimentos para que as crianças, numa altura em que é mais importante que nunca o apoio ao conhecimento, não se vejam privadas de continuar a estimular a aprendizagem nas principais áreas de ensino.

Um (re)começar para alunos e professores

Não sei como vocês se sentem aí em casa. Eu nesta primeira aula estou um bocadinho nervosa, mas a pensar que vocês estão aí em casa comigo vai correr tudo melhor“. Assim começou a primeira aula de sempre do #EstudoEmCasa. A professora Isa Gomes fez as honras do novo projeto com uma aula de Português para os primeiros anos do ensino primário – as aulas dividem-se por blocos de dois anos, com exceção para o 9.º ano e de algumas disciplinas para todo o terceiro ciclo.

Os nervos da “amiga Isa“, como dizia na emissão, eram visíveis. Parecia um primeiro dia de aulas, até para a professora que, apesar de experiente, também é iniciante. Ao longo do dia, viram-se professores mais nervosos que outros; a professora de Português para o 7.º e 8.º ano, de tarde, estava mais confiante. O cenário é expectável – nenhum professor estava à espera de dar aulas para todo o país através da televisão, de um momento para o outro.

#EstudoEmCasa
Fotografia: Pedro Pina/RTP

É essencial recordar, como faz mais tarde a docente da mesma disciplina para o 9.º ano, que “o que vão ver agora é uma aula de Português e não um programa televisivo“. Até porque, se o projeto está a ser pensado desde o início de abril, as aulas só começaram a ser gravadas na semana passada. Não é um programa televisivo, de facto; assim se assume, entre respirações ansiosas, uma dedicação incansável entre os docentes escalados para a Telescola que, sem qualquer experiência neste tipo de formatos, o faz com mestria para cumprir o objetivo essencial, o possível em tempos inimagináveis.

A mesma professora acrescenta ainda um outro ponto. “Nunca a frase que diz que a televisão é uma janela para o mundo fez tanto sentido“, diz, imediatamente antes de começar a rever Os Lusíadas. E, por coincidência ou não, os intervalos das aulas (que por agora apenas incluem alguns blocos nativos da programação habitual da RTP Memória) mostram imagens das primeiras emissões de sempre da RTP, há mais de 60 anos, onde se ouve que “aqui vão sempre encontrar algo do vosso interesse“. É exatamente essa a função da televisão pública, que agora põe a educação em primeiro lugar e faz jus aos objetivos da sua génese.

Aulas curtas, mas pensadas para servir

As aulas do #EstudoEmCasa duram, regra geral, entre 30 a 40 minutos. Os blocos são relativamente curtos, mas são preparados para essa duração. Na aula de História e Cidadania da tarde, por exemplo, em menos de 20 minutos passava-se da chegada dos Suevos à Península Ibérica para Voltaire.

As redes sociais dizem que há conteúdos lecionados de forma demasiado rápida, mas reconhecer o esforço dos que o estão a fazer em frente às câmaras é essencial. Ainda para mais ao pensar-se que a Telescola não é nem nunca foi pensada de forma a ser o único método de ensino para os alunos nesta época. É uma plataforma que complementa o trabalho dos professores e o estudo autónomo através dos manuais escolares e dos conteúdos proporcionados.

Aulas integrais, resumidas e completas, gravadas ao primeiro take. O formato do #EstudoEmCasa é relativamente simples, pensado para simular uma aula regular só que na televisão e sem interação entre professores e alunos – que mesmo assim, tarefa difícil, acaba por se conseguir simular com interação direta, olhar na câmara e uma forma de ensinar que tenta que os mais pequenos a sintam como personalizada, mesmo que igual para todos.

A familiaridade com uma sala de aula pode parecer complicada de atingir. Neste caso, ajuda o facto de serem professores reais; não são atores nem apresentadores profissionais. São professores que, na melhor das suas capacidades, trazem um tom reconhecível e o mais próximo possível do que se vive numa sala de aula, desde as típicas gravações da professora de inglês à hora do conto da professora que os lê. Até mesmo os PowerPoint ou os apoios digitais, proporcionados por serviços como a Escola Virtual, da Porto Editora, ou a Aula Digital, da LEYA.

Erros e gaffes incluídas, que oferecem realidade ao que se está a ver. A professora destacada para dar aulas de inglês ao 3.º ciclo, já ao final da tarde, nervosa, errou o final da sua aula. A reação foi a de transformar este engano numa mensagem aos alunos para não terem medo de cometer erros e aprender com eles.

#EstudoEmCasa
Fotografia: Pedro Pina/RTP

Tudo isto acaba por ser, ou parecer, uma tarefa quase impossível. Tarefa que, de uma forma ou outra, consegue ser atingida em parte, algo que só estes professores, bons professores, conseguem fazer. Algo que, aprimorado, pode fazer com que um projeto didático digital e televisivo pela RTP tenha pernas para andar; um projeto que pode ser o embrião para uma programação educativa regular mesmo depois da pandemia do novo coronavírus.

Um formato que atraiu miúdos e graúdos

A ideia para o #EstudoEmCasa é simples. Além dos possíveis para aproximar um estúdio de televisão de uma sala de aula, a própria imagem do formato é simples, porém bem conseguida, com uma banda sonora igualmente cativante; uma mescla de moderno com o tão conhecido tom nostálgico do conteúdo tipicamente escolar.

A emissão das aulas televisivas atraiu as crianças à televisão, mas, talvez de forma inesperada, foram os mais crescidos que não largaram o ecrã. A resposta nas redes sociais colocou a hashtag que dá nome ao programa, bem como a RTP Memória, nos assuntos mais comentados do Twitter. A nostalgia falou mais alto e, além dos pais ou de quem está a acompanhar os alunos, levou à Telescola os curiosos por ver como seria. Entre críticas dos jovens eternamente insatisfeitos, os mais velhos elogiam o trabalho dos professores e das equipas que trouxeram a escola à televisão.

As aulas para alunos do 1.º ao 9.º anos regressam de segunda a sexta, em sinal aberto, sendo a RTP Memória um dos canais presentes do serviço de Televisão Digital Terrestre (TDT), para além do cabo. Em simultâneo, serão transmitidas online através da RTP Play, podendo ser revistas na plataforma dedicada ao #EstudoEmCasa.

Também na RTP Madeira e na RTP Açores estão a ser transmitidas duas versões regionais e autónomas na nova Telescola. Na Madeira, o Estudar com Autonomia oferece, durante a parte da manhã de todos os dias úteis, conteúdos para os alunos do ensino secundário, com aulas de Português, História ou Matemática A. Já nos Açores, algumas das aulas do #EstudoEmCasa são substituídas por versões regionais, gravadas em salas de aula no arquipélago.

Por agora, fecham-se os livros. Ou, como os tempos assim exigem, desliga-se o ecrã. Amanhã há mais, assim como todos os dias até a tão referida interação voltar a ser possível. Boas aulas, RTP.

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