Filipe Duarte. No dia do adeus, recordamos ‘Equador’

Filipe Duarte faleceu esta sexta-feira (17), com apenas 46 anos. O ator deixou um vasto legado no mundo da ficção portuguesa, incluindo Equador, a série da TVI que aqui recordamos.

Era 2003 quando Miguel Sousa Tavares publicava mais um romance, desta vez sobre os tempos da monarquia, quando o declínio da coroa começava a ser inevitável e a luz da república já era visível ao horizonte. Sete anos mais tarde, em 2008, a TVI transformou a história de Sousa Tavares num projeto televisivo, agora assinado por Rui Vilhena.

Equador viria a ser – e ainda é – a maior produção de sempre da ficção nacional. A história de São Tomé e Príncipe tem um dos maiores elencos já vistos na nossa televisão e foi a produção mais cara da história da ficção portuguesa. Filipe Duarte deu a pele ao protagonista.

Filipe Duarte viveu o grande protagonista da história de Miguel Sousa Tavares.

No final do século XIX, quase no virar da página para o século XX, Luís Bernardo Valença (Filipe Duarte) muda de vida. Lisboeta, empresário e dotado de uma visão estratégica, Luís Bernardo está habituado a seguir uma vida citadina e mundana na capital do Império. No entanto, quando se apercebe que várias potências estrangeiras tentam, forçosamente, reduzir a produção portuguesa de cacau a cinzas, alegando que o império utilizava trabalho escravo, Luís Bernardo escreve um artigo em que denuncia as potências pela conspiração, sendo então nomeado pelo rei D. Carlos I para o cargo de governador-geral de São Tomé e Príncipe. O que muitos não sabiam, no entanto, é que a função a que Luís Bernardo se prezaria teria como principal objetivo averiguar a veracidade das acusações feitas pelas potências estrangeiras.

A mudança de ares deixa, contudo, Luís Bernardo com uma luta interna. A vida a que estava habituado não consegue ser a mesma, em São Tomé. Porém, apesar das diferenças de ambiente, é na ilha que o amor se revela. Amor esse que, como tudo na vida, é sempre incerto.

Equador teve como protagonistas – para além de Filipe Duarte – Maria João Bastos, Alexandra Lencastre, Dalila Carmo, Marco D’Almeida, Nicolau Breyner, Joana Solnado, entre muitos outros. O elenco de Equador reuniu mais de 120 atores portugueses, sendo que a própria produção dos trinta episódios da série rondou os 6 milhões de euros, superando não só qualquer novela ou série que havia sido feita até à data, mas também todos os projetos que se seguiram. A série contou ainda com gravações em cinco países, cerca de 500 técnicos e vários milhares de figurantes.

Maria João Bastos deu vida a Ann Jameson, a apaixonada de Luís Bernardo.

Alexandra Lencastre viveu, em Equador, um dos papéis mais disruptivos da sua carreira. Habituada a personagens de classes altas e glamorosas, a atriz – que este ano protagonizou uma transferência mediática para a SIC – deu a vida a Maria Augusta da Trindade, uma fazendeira pouco feminina e amarga perante a vida.

A nível de audiências, Equador foi um grande sucesso. Transmitida aos domingos, entre dezembro de 2008 e julho de 2009, a série começou com uma audiência média de 13,6%, alcançando o seu melhor resultado com 17,2%, já a caminho da sua reta final. Na quota de mercado, Equador chegou a registar perto de 50% de share, um valor quase desconhecido de todos os programas transmitidos na televisão atualmente, com a exceção de eventos desportivos.

Alexandra Lencastre era uma fazendeira em São Tomé.

Com uma realização exímia, interpretações inesquecíveis e uma alma portuguesa, Equador contou ainda com músicas originais de Rodrigo Leão, que embalaram a história de Luís Bernardo entre os seus amores e desamores, entre a vida e a morte. A música, tão profundamente enquadrada na história, foi um dos elementos fundamentais para ditar o tom da história e hoje, mais de uma década depois, continua lembrada na História.

A série da TVI foi o primeiro projeto do canal no qual Filipe Duarte participou. Antes, tinha apenas experienciado produções da SIC, como Fúria de Viver, em 2002, e da RTP1. Após o fim de Equador, o ator voltou a dedicar-se ao cinema português, onde deu cartas durante a grande maioria da sua carreira. Regressou, quatro anos depois do fim de Equador, à televisão portuguesa com o papel de João, protagonista de Belmonte.

Depois de uma breve passagem pela RTP, Filipe Duarte viajou até ao Brasil e reuniu-se com grandes atores brasileiros em Amor de Mãe, dando vida a Gabo, um português morador no Rio de Janeiro que se apaixona por Thelma, personagem de Adriana Esteves. A participação especial na telenovela ficou, no entanto, concluída.

Filipe Duarte era um ator recheado de talento que deixa-nos agora um legado irrepreensível. Dono de uma voz inconfundível, o ator presenteou-nos com várias atuações de excelência no cinema português, mas também na televisão. Equador foi um momento marcante da ficção portuguesa. Foi a primeira grande produção histórica, quebrou barreiras e preconceitos e permanece, até hoje, como uma das maiores memórias da nossa televisão.

No dia em que o ator nos deixa, recordamos uma das produções mais marcantes da nossa história, agora que um dos seus elementos caminha na mesma direção. Equador está disponível, na íntegra, no TVI Player. 

As ilhas são lugares de solidão e nunca isso é tão nítido como quando partem os que apenas vieram de passagem e ficam no cais, a despedir-se, os que vão permanecer. Na hora da despedida, é quase sempre mais triste ficar do que partir e, numa ilha, isso marca uma diferença fundamental, como se houvesse duas espécies de seres humanos: os que vivem na ilha e os que chegam e partem.” – Miguel Sousa Tavares, Equador.

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