Rui Inglês, o EnglishMan: “Tenho uma gaveta cheia de músicas. O difícil é escolher.”

O cantor e compositor comenta o lançamento de 'Asas', o seu disco de estreia.

Asas é o nome do disco que lança Rui Inglês, o EnglishMan, na carreira que sempre foi a sua paixão. Estivemos à conversa com o cantor e compositor de Leiria sobre as 15 faixas deste último trabalho, que chegou às plataformas de streaming no mês de março.

À frente do álbum está o single ‘Um Mundo Ao Contrário’, música que o EnglishMan promete fazer-te levantar do sofá e dançar. O artista conta como a faixa escolhida parece encaixar-se no momento atual, em que as pessoas se encontram em quarentena devido ao surto do novo coronavírus e em que tudo parece estar do avesso.

Pequenas histórias acompanhadas por melodias pop-rock. É assim que se descreve a estreia deste novo capítulo musical de Rui Inglês, que tira as músicas das gavetas e lhe dá voz e melodia.

Fale-nos mais sobre este novo Asas, o seu primeiro álbum. 

Este álbum no fundo foi uma série de temas que eu fui fazendo ao longo do tempo – um trabalho que vamos deixando um bocadinho para depois, que vai ficando na gaveta. Foi uma coisa muito natural, que foi surgindo. Se calhar até com alguma insistência dos amigos da área de produção, a perguntarem-me: “Porque é que não editas?”. E pronto, escolhi esses temas, para já. A música sempre foi uma paixão. 

Como foi o seu processo de composição e gravação?

Foi muito bom, porque de facto eu acredito muito que o caminho é que vale a pena. Não só chegar, mas todo o processo de criação, todo o processo de fazer as coisas, é que tem que valer a pena. E neste sentido foi muito bom, porque tenho a felicidade do produtor do álbum, o Rui Calças, ser um grande amigo meu. 

Quando os temas chegavam ao estúdio, nós íamos montando com os outros músicos, e os temas iam-se construindo. Há uma ideia inicial, há uma abordagem, mas depois acaba por ganhar ali uma certa vida própria, uma certa identidade e alma. 

E esse processo de produção e estúdio, sobretudo quando estamos a trabalhar com pessoas de quem gostamos, e com quem nos identificamos, é muito gratificante. Tentamos fazer isso com muita tranquilidade, muita calma, e as coisas foram surgindo naturalmente. Foi muito criativo. Mas realmente com muita vontade de vir cá fora.

Em comunicado, diz que Asas é um conjunto de pequenas histórias. Que histórias são essas?

São momentos que vivemos, pessoas que vamos perdendo ao longo da vida. São algumas que se calhar ficam apenas no imaginário, mas que podiam ter sido reais. É um bocadinho a tua vida, que vais expondo ali. As tuas vivências, as pessoas que conhecestes, com quem te cruzaste, e as viagens que fizeste.

Tudo isto acaba por te deixar alguma coisa, uma marca. E depois é tentar pôr no papel aquela emoção, as sensações que te passam quando te lembras destas histórias. É um bocadinho da tua alma o que acabas por pôr nas músicas.

E sobre a escolha do nome, Asas, o que nos pode contar?

Asas tem a ver um bocadinho com aquilo em que acredito, que nós não temos limites. Sou muito de sonhos, e de ir atrás deles. E eu acho que as asas dão-te essa capacidade, esse imaginário de poder voar e poderes ir atrás do teu sonho, daquilo no que tu acreditas. Voar atrás de um ideal. As Asas são aquela analogia meio romântica de tirares o chão, do que te faz flutuar, e seguir o teu sonho.

‘Um mundo ao contrário’ é o single de abertura deste novo disco. Conte-nos mais sobre esta faixa.

Esta faixa vem um bocadinho espelhada naqueles músicos de rua. Por acaso hoje vivemos num mundo um bocado ao contrário, não é? Não podemos estar uns com os outros.

Foi inspirada naquelas pessoas que fazem música pela paixão da música, e que têm como a sua casa a rua. Mas que de facto continuam apaixonados por aquilo que fazem. E, quando não podem fazer aquilo que fazem, que é o nosso caso hoje em dia (a maior parte está fechada em casa), o mundo fica um bocadinho ao contrário. Quando não podemos estar com as pessoas de quem gostamos, e abraçá-las.

Foi uma aposta, porque é uma música mais alegre. Mas acaba por refletir sobre o momento que estamos a viver.

O single de estreia, ‘Só uma vez’, também está no álbum. Como é que foi recebido este primeiro trabalho lançado para o público?

Antes de estar com a Music For All, já tinha feito uma pequena abordagem. Uma pessoa vai conhecendo outras deste meio, que partilham as nossas experiências e vivências. Foi uma oportunidade gira de fazer aquele clipe, com a Patrícia, para lançar ao mundo a ideia.

Mas agora quando decidimos lançar o álbum mais a sério, então a Music For All perguntou-me qual era o tema que achava melhor para esse lançamento e eu achei que ‘Um Mundo ao Contrário’ fazia sentido. Só uma vez’ deve ser o nosso segundo single agora, em termos oficiais.

Acredito que os ouvintes tenham recebido este trabalho muito bem. As pessoas têm sido muito simpáticas comigo, e têm gostado bastante. Um pop-rock bastante tranquilo, composto com amigos. Dizem que fica no ouvido e que dá para cantarolar – e eu acho que tem que ser assim mesmo. Acho que tem que ficar no ouvido, e dar para pegarmos numa guitarra sem mais nada, sem produção nenhuma, e ela tem que resultar. 

O álbum acaba com a canção ‘Um começo…’. Qual é a mensagem que deixa com esta faixa?

É uma faixa realmente muito pessoal. É um começo de uma nova história, de uma nova para mim, nesse caso. De uma aventura, e de uma paixão, que é a música. O começo de uma forma mais séria, mais profissional. É o início de um novo sonho, lá está.

Estas composições foram feitas por si ao longo do tempo. Como foi o seu percurso na música até aqui?

Antes de tocar algum instrumento, já compunha. Fazia canções, cantarolava e escrevia músicas. Comecei a tocar guitarra para aí aos 16 anos. Mas sempre fiz música, desde que me conheço. Tive aquele percurso normal, das bandas covers, das bandas de garagem, dos barzinhos, etc. Mas os originais sempre foram para mim importantes.

E fui fazendo música ao longo deste tempo, até mesmo para outras pessoas, para outras ocasiões. Surgia-me sempre de uma forma muito fácil. Ia escrevendo quando sentia inspiração e vontade de pegar na guitarra e escrever. Tenho aí músicas que escrevi enquanto muito novo, mas que fui buscar ao baú e achei que faziam sentido.

Há alguma influência de outros artistas no trabalho atual, como EnglishMan?

Sim, de tantas! Em Portugal, gosto tanto de várias pessoas – desde o Rui Veloso, que para mim é uma referência, ao Miguel Araújo, ao escrever. Tantas influências, inclusive do fado. Mas internacionalmente também, com os U2, os Beatles, os Rolling Stones. Há tantos! Eu gosto de ouvir muita coisa.

Tem alguma faixa em Asas que deixaria o Rui mais novo, do início dos trabalhos de composição, orgulhoso com o produto final?

Eu sou um bocado suspeito, porque gosto muito delas todas. Mas gosto muito, por exemplo, da música ‘Dois Sóis’, que é um dueto que eu tenho com a Inês Bernardo. É uma música que eu acho que é atemporal, que acaba por ser um clichê, mas muito bem conseguido.

Indo pelo outro lado, há diferenças no estilo das suas músicas atuais?

Acho que sim. Vamos sempre evoluindo um bocadinho. Também vamos ganhando outros recursos, em termos musicais, com a experiência, que nos permitem fazer outras coisas um bocado mais elaboradas. E eu continuo a acreditar que a simplicidade é sempre o melhor caminho. O mais difícil, mas o melhor.

O gosto vai-se refinando, vamos ouvindo mais coisas, vamos percebendo alguns momentos da música que podem resultar bem. Esse álbum foi muito pensado para ser tocado ao vivo. Na produção e na pós-produção foi tudo muito pensado numa perspetiva de como é que iria resultar com o público à frente. Como podem dar vida àquelas pessoas que estão em frente ao palco.

Sim, acho que hoje consigo ter uma visão melhor daquilo o que eu quero, mais refinada.

O pop-rock sempre esteve presente?

Sim. Gosto de tudo, e acho que tudo me influencia um bocadinho. Mas acho que as bandas pop-rock são aquelas que, se calhar, fizeram as canções da nossa vida. Aquelas que depois nos vão marcando, por uma razão ou outra. Foi nessa onda que eu quis ir.

E quais são os planos do EnglishMan daqui para frente?

Para já, é esperar até ser possível ir para estrada e tocar um bocadinho. E apresentar este álbum ao vivo. Acho que estamos todos a precisar disso – eu e a banda, os músicos que me acompanham. Enquanto não for possível, é tentarmos divulgar ao máximo, para que possamos ter um feedback quando formos para a estrada, etc. Será sempre melhor para todos termos mais pessoas que conheçam as músicas.

Tenho uma gaveta cheia de músicas. O difícil é escolher. Depois de trabalhar bem este disco, e de o explorar bem, sempre dá para chegar a casa, apanhar na guitarra, fazer um apontamento. Cantarolar para o telemóvel, e fica lá a ideia para mais tarde. São momentos que surgem assim do nada. Há imenso material para se gravar.

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