beatles

The Beatles: Há 50 anos, a banda mais famosa do mundo chegava ao fim

Foi há precisamente 50 anos que o mundo tomou conhecimento que os Beatles, enquanto banda, chegavam ao fim. O coletivo de Liverpool juntara-se cerca de dez anos antes e, em tão pouco tempo, conheceu um sucesso sem precedentes. Sucesso que, aliás, ainda hoje permanece, uma vez que meio século depois de acabarem, a banda continua a ser das que mais vendeu em toda a história da música.

A separação

O derradeiro disco da banda – Let It Be, que será o tema do novo documentário do realizador Peter Jackson –chegaria em maio de 1970, mas a 10 de abril o mundo acordava com a notícia de que Paul McCartney estava de saída dos Beatles.

Os sinais de que o coletivo já não o era pareciam então evidentes. Os projetos individuais de cada um dos elementos pareciam, então, ser manifestamente indícios do mal-estar sentia. Chegou inclusivamente a haver momentos de conflito, nos anos anteriores, que levaram George Harrison e Ringo Starr a abandonar temporariamente a banda.

John Lennon, por sua vez, estava já numa parceria umbilical com Yoko Ono. As divergências pessoais e artísticas foram então agudizando-se e, a 9 de abril, McCartney informara a imprensa de que se lançaria. O The Daily Mail fazia a manchete com a notícia de que Paul abandonava os Beatles. Era o fim dos “Fab Four” e daquela que é, provavelmente, a maior e mais influente banda de sempre.

beatle
“Paul deixa os Beatles”, primeira página do Daily Mirror de 10 de abril | Fonte: Beatles Bible

Beatles depois de Os Beatles

O fim dos Beatles abriu pretexto para a descolagem das carreiras a solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, que mantiveram o seu protagonismo no mundo da música mas expandiram as suas influências também para o mundo do cinema e da fotografia. O quarteto nunca voltou a fazer música em conjunto, mas eventualmente colaboraram uns com os outros em canções para discos individuais – o disco Ringo, de 1973, foi o único que conseguiu participações dos outros Beatles, mas todos em canções diferentes.

John Lennon: da Plastic Band aos “bed-ins for peace” 

Lennon continuou a compor e a lançar música, ora com a sua mulher, a artista avant-garde Yoko Ono, ora a solo. Continuou a causar furor como outrora, mas em vez de fazê-lo por declarações polémicas (como quando disse que os Beatles eram mais populares que Jesus, o que levou à queima de discos por parte de várias instituições religiosas e boicote de concertos nos Estados Unidos), fê-lo a partir da capa do disco Two Virginsuma colaboração com Ono que acabou por ser banida: ambos posavam abraçados, completamente nus.

John Lennon assinou 10 discos a solo, incluindo apresentações ao vivo (como o Live in New York City ou o Live in Toronto 1969), e era um ativista assíduo contra a Guerra do Vietname. O seu protesto materializou-se em dois “bed-ins”, ou seja, durante duas semanas permaneceu sentado com Ono em quartos dos hóteis Hilton, em Amesterdão e Queen Elizabeth Hotel, no Canandá. As manifestações foram filmadas, e o resultado final está no documentário Bed Peace, disponível no Youtube.

No dia 8 de dezembro de 1980, John Lennon foi assassinado por um fã, à entrada do seu prédio, The Dakota, em Nova Iorque, onde vivia com Yoko Ono e o seu filho mais novo, Sean Lennon.

beatles
John Lennon e Yoko Ono num “bed-in for peace” | Fonte: Rolling Stone

Ringo Starr, um sucesso no cinema e na fotografia

Antes mesmo do fim dos Beatles, Ringo já se antecipava – o seu primeiro disco a solo foi lançado a 27 de março de 1970, duas semanas antes do oficial término da banda. Sentimental Journey é um disco que tira inspiração às músicas favoritas da mãe do baterista:

Eu pensei: o que fazer com a minha vida agora que tudo acabou? Fui criado com estas músicas, a minha família costumava cantá-las, os meus pais, os meus tios. Eles é que foram as minhas primeiras influências musicais. Então fui falar com o George Martin [produtor dos Beatles] e disse: Vamos fazer um disco de standards [composições conhecidas] e, para torná-lo interessante, teremos arranjos feitos por músicos diferentes”.

Nesse disco, participaram lendas da música como Quincy Jones Maurice Gibbs dos Bee Gee’s. Três anos depois, o seu disco homónimo, Ringo, chegou a número dois na Billboard 200. Entre 1971 e 2016, Starr participou em mais de 30 filmes e documentários, e em 2015 publicou um livro de fotografias entitulado Photograph, o nome de uma das suas canções mais famosas.

beatles
Capa do livro Photograph, de Ringo Starr | Fonte: Independent

Paul McCartney,  de “Beatle giro” a um dos “melhores compositores de sempre”

Sete dias após deixar a banda, Paul lançou o seu primeiro disco a solo, a 17 de abril de 1970. McCartney, editado pela Apple Records, foi gravado secretamente em casa e permaneceu número um na Billboard durante três semanas, período em que foi substituído pelo último disco dos Beatles, Let It Be. Depois do disco homónimo, o Beatle começou a colaborar com a sua esposa, a fotógrafa Linda McCartney, para compor e produzir o disco Ram. Foi com ela que McCartney começou a banda Paul McCartney and Wings, que contava, ao todo, com a participação de oito músicos, para além de Paul e Linda. Sob alçada dos Wings foram lançados sete discos em estúdio e um ao vivo.

A discografia de McCartney é a mais extensa de todos os Beatles. Até agora, conta com 25 álbuns em estúdio e sete ao vivo, quatro compilações e 99 singles. O seu último disco, Egypt Station, foi editado em 2018, acompanhado de uma digressão que começou em setembro de 2018 e cujo fim tinha data prevista para junho de 2020. Em 2015 foi considerado, de entre um lista de 100, o segundo melhor compositor de sempre pela Rolling Stone.

beatles
Paul McCartney em 2020 | Fonte: Sítio oficial de Paul McCartney

George Harrison: a primeira canção caritativa, The Travelling Willbury’s e Living in the Material World

Tal como Ringo, George Harrison já tinha o seu projeto a solo antes dos Beatles acabarem – em 1968 lançava Wonderwall Music, a banda sonora para o filme com o mesmo título, um disco instrumental com influências indianas e, em 1969, o disco Electric Sounds, um álbum experimental feito a partir de um sintetizador. Durante uma digressão com o grupo Bonnie & Delaney and Friends em 1969, Harrison compôs a canção My Sweet Lord, single do disco All Things Must Pass, uma trilogia considerada até hoje o seu melhor disco que contou com as participações de Ringo, Eric ClaptonGary Wright, entre outros.

Em 1971, a pedido do músico e amigo Ravi Shankar, Harrison organizou o primeiro evento solidário propositado, O Concerto por Bangladesh, contando com dois dias de atuações e mais de 40 mil pessoas, no Madison Square Garden em Nova Iorque. O concerto, que teve atuações de Bob Dylan, Eric Clapton, e vários outros músicos, tinha como objetivo angariar fundos para ajudar refugiados famintos durante a Guerra da Libertação do Bangladesh. “Bangla Desh“, composta neste âmbito, foi a primeira canção caritativa, ou seja, a primeira cujo todos os fundos foram doados, neste caso para a UNICEF para ajudar também as vítimas do Ciclone Bhoba, que atingiu a Índia e o Paquistão.

17 anos depois, Harrison fundou, juntamente com Bob Dylan, Jeff LynneRoy Orbinson Tom Petty os Traveling Willburys. Os cinco adotaram pseudónimos, passando-se por irmãos que formavam uma banda de irmãos viajantes. Editaram dois discos: Traveling Willburys Vol. 1 Traveling Willburys Vol. 3. O segundo volume nunca apareceu, uma brincadeira da banda que deixou os fãs perplexos.

Todo o legado musical e solidário de George Harrison está sintetizado no documentário George Harrison: Living in the Material World, que estreou em 2011 e realizado por Martin Scorcese.

beatles
Poster para O Concerto Para Bangladesh | Fonte: This Day in Music

 

Artigo de Kenia Sampaio Nunes e Alexandra Correia Silva.

Mais Artigos
Invincible numa pose heróica
‘Invincible’ da Amazon recebe novo trailer e data de lançamento