Bárbara Tinoco
Fotografia: Divulgação / João Machado

Bárbara Tinoco: “Quando fizer um álbum, tem de ser numa folha em branco”

Bárbara Tinoco esteve à conversa com o Espalha-Factos sobre o seu novo single. A artista fez também um balanço da sua participação no Festival da Canção e contou-nos o que tem andado a fazer nestes tempos de isolamento social.

Foi por telefone que conversámos com a artista portuguesa. Numa altura em que o país atravessa uma situação pandémica, e muitas pessoas estão confinadas a casa, Bárbara Tinoco lançou a música ‘Se o Mundo Acabar e tem feito atuações em direto nas redes sociais. Um delas foi para o Festival Eu Fico Em Casa.

Começou por dar nas vistas no The Voice Portugal, e desde então não tem parado. Bárbara Tinoco tem lançado temas e afirma que ainda tem vários por mostrar. Com apenas 21 anos, é um dos nomes fortes da nova geração de artistas portugueses em ascenção.

Quero começar esta a conversa com o inevitável,  que é a atual situação de quarentena que o país e o mundo atravessam. Como tens vivido esta mudança drástica no nosso dia-a-dia?

Tenho vivido tranquila. Posso dizer que sou uma privilegiada, porque posso ficar em casa. Não tenho um trabalho que me obrigue a sair de casa em prol dos outros, como é caso dos médicos ou das pessoas que trabalham em supermercados. [pequena pausa] Estou animada. Confesso que não tenho pensado em coisas com que me queixar. Estou rodeada das coisas que gosto e das pessoas que gosto. Acho que é mais por aí.

Neste tempo de quarentena, aproveitaste para compôr um novo tema [‘E se o Mundo Acabar’] e gravar um vídeo todo feito dentro de casa. O que te levou a escrever essa canção?

A música surgiu uma semana depois de ter estado na final do Festival da Canção, quando fui para o Porto. Lembro-me de falarem nas notícias sobre o isolamento voluntário. No dia seguinte às escolas terem fechado, houve muita gente que foi para a praia. Vi isso e já estava em isolamento com o meu manager. Tocou-me. Fez-me sentido [que] tinha de escrever algo.  Admito que não sou muito ‘adepta’ de praia, portanto achava que nunca escreveria uma canção sobre o mar.

Nesta altura de quarentena, participaste no Festival Eu Fico em Casa [que consistiu em vários live streams de artistas no Instagram]. Qual é a sensação de tocar num evento destes, em que estás à frente de um telemóvel com milhares de pessoas a assistir pela internet?

Foi muito giro. Foi um concerto diferente em que nós conseguimos ver as reações das pessoas e que, por vezes, chegamos a conversar com as pessoas ao vivo. Fiquei muito feliz por fazer parte desse evento, que, neste caso, foi uma junção do trabalho de três editoras numa ação de sensibilização para a quarentena.

Não notaste estranheza em relação ao facto de estares a tocar para uma câmera de telemóvel?

Acho que distrai um pouco mais, quando estou a tocar e a ler os comentários [ao mesmo tempo]. Foi uma das coisas que reparei.

E a ausência de público presencial e de palmas, foi algo que te incomodou nessa atuação?

Não, porque temos as reações na secção de comentários. Isso não era o mais importante. O mais importante era levar música às pessoas.

Bárbara Tinoco
Fotografia: Divulgação / João Machado

Terias uma agenda repleta de presenças em festivais de verão, mas devido à Covid-19, acredito que esteja agora tudo em suspenso. Fora isso, já tens dois concertos marcados para novembro de 2021 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e no Coliseu do Porto.

Qual é o sentimento de já teres concertos agendados no próximo ano?

Estou entusiasmada em preparar esses espetáculos. Confesso que ainda não sinto a pressão do facto de serem concertos nos coliseus. Posso ter marcado e ninguém ir ver [risos].

E até lá, podemos contar com o teu primeiro disco? O que nos podes adiantar sobre isso?

Não tenho muito a ideia de um álbum ainda. Neste momento, tenho muitas canções que foram escritas ao longo da minha vida e que quase não faz sentido juntá-las. Não sei muito bem o que me apetece fazer. “Um dia de cada vez”. Quero dar oportunidade às minhas canções de serem ouvidas uma a uma e depois logo se vê. Quando fizer um álbum, tem de ser numa “folha em branco”, ou seja, tenho de começar do zero.

Portanto é algo que não está nos teus planos. É isso?

Sim, pode dizer-se isso.

Já passa um mês desde que participaste na final do Festival da Canção. Que balanço é que fazes?

Acho que posso ficar feliz de, para sempre, pertencer ao meu repertório uma canção tão fixe e incrível como a ‘Passe Partout’. Eu acompanho o festival desde pequena, por isso fiquei contente em fazer parte do mesmo.

Essa música foi composta por Tiago Nacarato. Vai haver mais colaborações com esse artista?

Sim, acho que está sempre nos meus planos, principalmente porque gostei muito de trabalhar com o Tiago e acho que ele também gostou de trabalhar comigo. Somos pessoas e artistas muito diferentes. Eu aprendi muito com ele e espero que ele tenha aprendido comigo também. Acho que temos todas as ferramentas para trabalharmos no futuro, seja a compor música ou em concertos.

No ano passado, participaste num álbum de tributo à Amália Rodrigues [Com que Voz – Uma Canção para Amália] no qual interpretaste Barco Negro’. Sentiste o peso em interpretar um fado como esse?

Senti um pouco. Se eu não achasse que o resultado final ficasse bem, não queria lançar, porque acho que para estragar um fado, não vale a pena fazer. Aliás, para fazer uma boa versão de qualquer música, tem que ser bem feita e não basta ser bem cantada e interpretada. Tentei fazê-la ao meu estilo. Espero que a Amália não tenha rebolado na campa [risos].

Consideras que estar em isolamento vai afetar o futuro da tua carreira musical? 

Eu acho que é preciso ter noção que o meio artístico é sempre um dos mais afetados quando acontecem situações graves na História mundial e quando há outras prioridades como a sobrevivência humana. Acho que os artistas têm feito um esforço para que as pessoas não se esqueçam que, em quarentena, a maior parte do conteúdo de entretenimento é feito por artistas das mais diversas áreas, seja na música, no cinema ou no teatro. Não apenas para entreter, mas também para levar a arte às pessoas.

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