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Imagem de um dos cenários de 'Caught in the Net'.

‘Caught in the Net’: Este documentário está a gerar investigações criminais

A produção checa mostra como muitos predadores agem online.

Caught in the Net, documentário checo realizado por Vít Klusák e Barbara Chalupová, marcou a sua estreia no início de 2020. Em 2019, já tinha conseguido apanhar, na sua rede encenada, vários predadores sexuais – que são agora sujeitos em investigações criminais, e não apenas na República Checa.

Uma em cada seis crianças, na República Checa, já partilhou fotografias íntimas online. Anualmente, ocorrem cerca de 9 000 crimes sexuais no país – apenas uma minoria é reportada. São dados das autoridades checas, que colaboraram no projeto de Kusák e Chalupová, através da unidade de crimes cibernéticos.

O documentário foca-se em três raparigas (atrizes com mais de 18 anos) que levam a Internet a crer, através de perfis falsos, que têm 12 anos. Sem necessidade de qualquer contacto ou movimento na conta além de biografias básicas e fotografias encenadas, os perfis atraíram milhares de homens, cujos interesses são legalmente e moralmente questionáveis.

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As três atrizes, que protagonizaram pré-adolescentes de 12 anos em ‘Caught in the Net’, com Vít Klusák, o realizador.

O documentário foi produzido pelo Czech Republic’s Hypermarket Film e co-produzido pela Czech Television e pela companhia eslovaca Kerekes Film, e conseguiu ainda, online, milhares de euros de fundos para apoiar o documentário, cuja intenção primária é a educação sobre este fenómeno.

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Originalmente, o retratado em Caught in the Net seria para um vídeo, que se pretendeu viralizar. A O2 é uma fornecedora de serviços de Internet, constantemente contactada pela polícia para encontrar clientes que utilizam os serviços para a perseguição online de menores. Segundo adiantou a Variety, foi através do seu contacto a Klusák que surgiu a ideia de um retrato de como jovens são facilmente exploradas na web.

No entanto, um testemunho real captou Chalupová, que disse ter sido aí que se apercebeu da necessidade de existir aquele documentário. Trata-se de uma pré-adolescente que criou um perfil falso de um homem mais velho, enviando (a si própria) mensagens explícitas. O objetivo era poder relacionar-se com as suas colegas, que tinham de facto homens verdadeiros a falar com elas.

No documentário, quando o contacto era estabelecido (por parte dos homens), as atrizes informavam-nos repetidamente da sua idade fictícia, coisa que não os pareceu afastar. Muitos não se importavam de ter ali um pequeno segredo. Estes homens têm a sua cara desfocada no documentário, mas a sua voz mantém-se – vários espectadores já revelaram reconhecê-los, alguns apenas com o trailer.

Caught in the Net enfrenta um batalhão de questões éticas, que certamente afetou alguns dos envolvidos na produção. Klusák e Chalupová confessaram inclusive que, no momento em que começaram a explorar a ideia da exposição dos predadores de pré-adolescentes na internet, não faziam ideia do quão extenso o problema é.

A equipa foi acompanhada por especialistas em segurança online, investigadores, advogados e psicólogos, que monitorizaram a experiência. Quando as filmagens terminaram, os realizadores entregaram cópias das mesmas à polícia, que foi capaz de encontrar alguns dos predadores. Klusák garantiu ainda que foram, efetivamente, apresentadas queixas contra os mesmos.

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