Akira Kurosawa
Fotografia: IMDB

Akira Kurosawa: o maior realizador japonês de sempre faria 110 anos

Se fosse vivo, Akira Kurosawa faria nesta segunda-feira (23) 110 anos. O Espalha-Factos presta homenagem a um dos mais influentes realizadores japoneses de sempre.

Desde 1936 até 1993, Akira Kurosawa dirigiu 30 longas-metragens. Ao todo, foram 57 anos de atividade com um currículo impactante na História do cinema mundial do século XX.

Nasceu no dia 23 de março de 1910 em Ōmori, distrito de Tóquio no Japão. Akira era o mais novo de oito irmãos numa família da classe média alta. Impulsionado pelo seu pai, Isamu, Akira Kurosawa foi educado desde novo a ter hábitos como ir ao cinema e assistir a peças em teatros.

Uma das maiores influências foi um dos seus irmãos mais velhos chamado Heigo. Este tornar-se-ia benshi, um narrador de filmes mudos. Na adolescência, Akira Kurosawa passou a viver com o seu irmão, o que implicou ainda um maior consumo de artes perfomativas e cinematográficas.  Nos anos 1930, com o aparecimento de filmes com som, Heigo começou a ter dificuldades em arranjar emprego e Akira Kurosawa voltou à casa dos seus pais. O irmão acabaria por tirar a sua própria vida, o que marcou profundamente a do seu irmão mais novo.

Os primeiros passos enquanto realizador

Em 1935, o jovem Kurosawa ficou interessado em ingressar as vagas de assistente de realização no Photo Chemical Laboratories, um novo estúdio de cinemas que viria-se a tornar Toho. Depois de várias provas, Akira Kurosawa, na altura com 25 anos, conseguiu garantir a vaga em fevereiro de 1936 e começar a sua carreira no mundo da sétima arte.

Trabalhou cinco anos como assistente com vários realizadores, mas o mais relevante foi Kajirō Yamamoto. Na sua autobiografia, Kurosawa recorda o conselho que mais o marcou: “Para seres um bom realizador, tens de dominar a escrita de guiões”. Este mote seria decisivo na vida de Akira Kurosawa enquanto realizador.

Depois de ganhar experiência em várias áreas ligadas à criação de filmes, no início da década de 1940 o jovem realizador começou a desenvolver o seu primeiro filme. Inspirado num romance homónimo, Sanshiro Sugata, lançado em 1943, foi um sucesso comercial e a crítica aplaudiu a estreia cinematográfica de Kurosawa. O clima bélico que o Japão atravessava e o facto de conter um tom “ocidental”, obrigou que a censura japonesa cortasse cerca de 18 minutos do filme, que, até hoje, nunca foram recuperados.

Reconhecimento internacional

Seria na década seguinte que Akira Kurosawa ganharia atenção mediática à escala mundial. Em 1950 é lançado Rashomon, com um enredo que envolve um assassinato de um samurai e a violação de sua esposa com diferentes pontos de vista. O filme entraria no festival de cinema de Veneza, graças à persistência de Giuliana Stramigioli, representante de um estúdio italiano, para convencer os estúdios Daiei a submetê-lo ao evento.

O esforço é recompensado. Rashomon garante o Leão de Ouro a Kurosawa. Em 1952, o realizador ganha também um Óscar honorário do “mais destacado filme em língua estrangeira”. Tornar-se-ia num dos filmes mais aclamados da sua carreira e é considerado um dos melhores de sempre.

Depois deste, Kurosawa faz uma adaptação cinematográfica de O Idiota de Fyodor Dostoyevsky, um dos seus autores preferidos. Seven Samurai é lançado em 1954 e é considerado também um dos pontos altos da carreira de Akira Kurosawa. Segue a história de uma vila de agricultores que contratam sete rōnin (samurais sem mestre) para combater bandidos que constantemente roubam as suas colheitas agrícolas.

A base do enredo foi referenciada em várias obras posteriores. Desde Magnificent Seven (1960), passando pelo universo Star Wars e até A Bug’s Life da Pixar são alguns notáveis exemplos da influência do filme de Kurosawa.

Impacto numa geração

A lista de realizadores ocidentais que reconhece o talento de Akira Kurosawa é extensa. Ingmar Bergman, Frederico Fellini, Orson Welles ou Roman Polanski são alguns dos exemplos mais notáveis. Em várias entrevistas, é também possível constatar o respeito que George Lucas e Steven Spielberg nutrem pelo realizador japonês. Ambos tiveram um papel determinante no desenvolvimento da longa metragem Dreams de 1990.

Foi Spielberg que convenceu os estúdios Warner Bros para garantir os direitos internacionais do filme. Para além disso, o norte-americano ajudou no fincanciamento de Dreams. No caso de George Lucas, juntamente com o departamento de efeitos especiais ILM, o realizador ajudou na execução de uma cena.

No mesmo ano, o comité da Academia dos Óscares laureou Akira Kurosawa com uma estatueta de Lifetime Achievement “por realizações cinematográficas que inspiraram, encantaram, enriqueceram e divertiram o público e influenciaram os cineastas em todo o mundo”.

Em 1995, durante a rodagem de um filme, Kurosawa sofre um acidente e parte a espina dorsal. Vive o resto da sua vida numa cadeira de rodas e a sua saúde deteria-se nos anos seguintes, até à sua morte em 1998, causada por um AVC.

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