Monday
Rodrigo Santos / EF

Catarina Falcão: “Tínhamos um disco escrito e deitámo-lo para o lixo”

Com um novo EP recentemente editado, o Espalha-Factos conversou com Catarina Falcão, também conhecida por Monday, o seu heterónimo musical.

Foi numa esplanada na zona do Cais do Sodré que o Espalha-Factos falou com a artista portuguesa. Room for All foi o pontapé de saída numa conversa que também passou pelas Golden Slumbers, projeto que partilha com a irmã Margarida Falcão.

Já tive oportunidade de ouvir o EP algumas vezes e a primeira coisa que senti é que existe um maior foco em sintetizadores nas composições que escreveste. O que te levou a optar por essa decisão artística?

Comecei a ouvir músicas diferentes e outros estilos para além do folk, que é a minha génese [musical]. Também fiquei mais curiosa com o lado das produção [de música]. Sugeriram-me o Miguel [Nicolau, produtor do EP] que é também muito virtuoso na guitarra e percebe também de ‘synths’. Foi uma união boa e representa, também, uma evolução natural e nada forçada.

Pode ser uma questão um pouco estranha, mas vou perguntar na mesma: na tua última música ‘whenidie’, aparece como uma única palavra. Qual foi o motivo?

Não tem nenhum significado especial. Na altura em que andava de volta do tema, escrevi [o ficheiro] todo junto e ficou assim.

Sobre o nome do teu mais recente trabalho [Room for All], qual é o significado? Não há espaço para todos, ou é um lado mais literal de não haver um “quarto” para todos?

O EP surgiu numa fase um bocado competitiva e com um espírito algo negativo. A verdade é que vivemos num mercado, principalmente do mercado [da música] independente, muito pequeno. Senti que ‘andamos às turras’ e com ‘dores de cotovelo’ uns com outros. Ninguém vai ganhar nada com isso. [Nesse sentido], o EP é uma reflexão sobre isso e serviu também como prova pessoal que tenho de fazer mais e melhor. Creio que há espaço para tudo e todos.

Fazendo agora uma incursão rápida no teu projeto Golden Slumbers, reparei que, nestes anos, apenas gravaram duas músicas em português. Uma versão ao vivo de um tema do Samuel Úria [‘É preciso que Diminua’] e a canção ‘Para Perto’ que concorreu ao Festival da Canção. Nunca pensaste em escrever em português para o teu projeto a solo?

A resposta dá tanto para a Monday como para as [Golden] Slumbers. Obviamente que sou portuguesa, mas nós tivemos uma educação, desde cedo, em inglês, ou seja, estivemos em colégios ingleses. Por isso, é uma segunda língua para nós e algo super natural. Mas, acima de tudo, eu não me relacionava com a música portuguesa mais conhecida. Não foi algo propositadamente pensado. Para além disso, se escrevesse em português ninguém ia ganhar com isso.

Porquê é que dizes isso?

Acho que escrevo de uma forma muito direta e não acho que seja importante para mim. Valorizo a língua portuguesa e valorizo as pessoas que escrevem em português. Quem sabe se no futuro mude de opinião, mas, nesta fase, não acho um desafio empolgante.

Catarina Falcão aha Monday
Fotografia: Rodrigo Santos / EF

Na semana passada, vocês, Golden Slumbers, publicaram uma fotografia na redes sociais a anunciar que já andam a gravar o segundo disco. O que podemos esperar deste novo trabalho, tendo conta que o primeiro já foi lançado em 2016? Sai este ano?

É o “difícil segundo disco”. Eu diria que sai este ano, mas, não querendo ser alarmista, quero ver se o Corona [vírus] não estraga os planos disso. O facto de haver muitos cancelamentos de concertos é algo que me preocupa, porque, para lançar o álbum, temos de ter atuações marcadas, mas, sim, estamos a contar lançar este ano. Para mim, este disco será sobre o nosso crescimento enquanto mulheres.

Acho que têm muito para provar, tendo em conta a distância temporal em relação ao primeiro disco…

Não ponhas pressão, porque não é preciso [risos].

Na música, temos de provar que somos relevantes.

Sim. Acho que o mais importante consiste em compôr música que nós gostemos. Nós [Golden Slumbers] tinhámos um disco escrito e ‘deitámo-lo para o lixo’. Voltámos a escrever…

A sério? Fala mais sobre isso…

Tinhámos uma série de canções que deixaram de fazer sentido, talvez pelos temas que abordavam. Perderam o lugar delas. Já escrevemos um novo [disco] e estamos [na fase de] produção.

Algum desses temas, que, de certa forma, ficaram na gaveta, foram repescados para o teu projeto a solo?

Não. Talvez no futuro possa usá-los, mas, agora, não faz sentido voltar a pegar nesses temas.

Há bocado referi que participaste no Festival da Canção [em 2017, mas sem passar para a final]. Tornaste-te espetadora do Festival e da Eurovisão?

Tornei-me mais atenta, sim. Vi este ano a final e, honestamente, achei muito mais ‘entertaining’ [divertida].

E tinhas alguma canção preferida?

A do [Filipe] Sambado, e também gostei dos Throes + The Shine.

O que achaste da canção vencedora?

É uma canção bonita.

Voltando para o teu trabalho: apesar do Room for All ter saído há pouco tempo, já tens algum feedback do público?

Acho que as pessoas estão a reagir muito bem. Os números [de audições] têm sido diferentes, em relação ao meu trabalho anterior [disco One de 2018], mas noto que as pessoas estão a ter mais interesse no meu trabalho, o que é sempre bom.

Consideras que este EP pode ser uma ‘pista’ sobre o que pode ser o novo disco das Golden Slumbers? 

[No disco que vai sair] eu compus mais com a guitarra eléctrica, mas [a verdade] é que [Golden Slumbers e Monday] são dois projetos distintos, logo não haveria sentido em serem musicalmente parecidos.

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