24 Horas de Vida Bárbara Guimarães
Fotografia: Divulgação / SIC

Opinião. Bárbara Guimarães, o reflexo de uma mulher real

Bárbara Guimarães regressou aos ecrãs este domingo (8), Dia Internacional da Mulher. Provavelmente sem a intenção explícita de o fazer, transportou para o ecrã um grande exemplo de sobrevivência às adversidades.

É hoje uma mulher que é o rosto e o alerta vivo das insuficiências de uma justiça que não só não protege as vítimas como as expõe, e de um mercado de trabalho que exige demasiado às mulheres para que estas continuem no topo.

Durante décadas, Bárbara Guimarães foi o rosto principal da SIC. No fim dos anos 90, as revistas diziam que era a preferida de Balsemão, enquanto Catarina Furtado era a preferida de Emídio Rangel, o histórico diretor-geral da estação. Quando Rangel saiu, Catarina também foi. E ficou Bárbara, o rosto mais fiel da SIC de sempre. A identidade do canal e a da apresentadora confundiram-se: Sofisticação, frescura, estilo, elevação. Uma marca aspiracional, intocável.

Bárbara Guimarães
Fotografia: Tiago Caramujo / SIC

Quando, no meio do longo e difícil processo de divórcio, com inqualificáveis acusações por parte do ex-marido a surgirem na praça pública, a direção de programas do canal optou por retirá-la da antena, foi a vítima que voltou a ser prejudicada. Como se não bastassem as conhecidas e documentadas agressões físicas e psicológicas. Na altura, Júlia Pinheiro afirmou em tribunal que os espectadores viam Bárbara “com uma dúvida sistemática” sobre a sua capacidade.

Em 2015, Bárbara teve o seu último programa em horário nobre, Peso Pesado Teen. Em 2016, apresentou os Globos de Ouro pela última vez. O ocaso, antecipado e imerecido, numa SIC que também passava por problemas de identidade graves.

A nova Bárbara é a nova SIC

Passaram quatro anos e Daniel Oliveira, com um talento inquestionável na gestão do casting que tem no canal, recuperou uma das estrelas maiores da estação. Num mercado mediático em que tudo muda, ter na equipa alguém que é estável, cuja história se confunde com a história da casa, é um ativo valioso.

Bárbara Guimarães, que assina um formato de televisão positiva e com o coração no sítio certo, está mais feliz e solta em 24 Horas de Vida do que esteve em quase todos os formatos de grande entretenimento que lhe atribuíram nos primeiros anos da década passada.

Adaptou-se, aceitou-se e está numa nova fase da carreira. Não é a bombshell vaporosa que foi durante décadas, mas não tem de ser. Porque não pode ser exigido às mulheres o impossível. As pessoas crescem e mudam com o tempo.

Bárbara, e isso ficou também visível na entrevista que deu ao Alta Definição, é uma profissional madura, que não esconde as rugas, que não quer passar por mais nova, que faz uso da experiência de vida que tem e, dessa forma, é mais completa, mais humana, mais acessível.

Grande parte do sucesso desta SIC que atualmente lidera as audiências reside neste fator de identificação. Televisão feita por pessoas como aquelas que estão a ver lá em casa. A marca já não é aspiracional, é agora relacional. E Bárbara Guimarães continua a ser elegante, seleta, sóbria, carismática, mas é hoje também alguém por quem torcemos mais, que queremos ver recuperada, livre, dona dos seus próprios destinos.

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