Festival da Canção
RTP

Festival da Canção 2020. Últimos finalistas reagem à qualificação

‘Abensonhado’, ‘Não Voltes Mais’, ‘Diz Só’ e ‘Mais Real que o Amor’ estão apurados para a final do Festival da Canção e em pé de igualdade, visto que este ano a estação pública decidiu não revelar as pontuações dos temas a concurso nas semifinais. Os dados serão posteriormente disponibilizados após ser conhecido o grande vencedor da edição de 2020.

Depois de cerca de duas horas de emissão, o Espalha-Factos conversou com os vencedores da noite: Jimmy P, Kady, Tomás Luzia e Elisa Rodrigues. Assim, estão escolhidas as oito canções que no próximo dia 7 de março irão pisar o palco do Coliseu Comendador Rondão Almeida, em Elvas. Uma delas irá representar Portugal na Eurovisão, que este ano se realiza em Roterdão.

“Existe um precedente aberto para artistas do mesmo género”

Jimmy P
Fotografia: Diogo Resgate

Numa segunda semifinal exponencialmente menos competitiva, o rapper Jimmy P foi desde cedo apontado como um dos favoritos à qualificação na segunda semifinal. A canção número oito acabaria mesmo por cumprir o que estava previsto ao reservar um lugar na final de Elvas. “O facto de passar denota uma certa permeabilidade das pessoas em ouvirem géneros que não são habituais no Festival da Canção”, explica.

‘Abensonhado’, que também dá nome e abre o seu mais recente álbum, aborda temas biográficos ao mesmo tempo que fala sua minha relação com a espiritualidade e o preconceito. A palavra de Jimmy P surpreendeu vários fãs estrangeiros — oriundos de países como a “Rússia, a Albânia ou a República Checa” — que, conta, lhe enviaram mensagens “a dizer que não percebiam nada do que dizia mas que se tinham arrepiado a ouvir a música”.

Quando recebeu o convite por parte da RTP para participar como compositor, o rapper confessa que sentiu algumas reservas “porque o Festival está muito fora da minha zona de conforto e do meu percurso”. Acabou por aceitar e conta que chegou a ponderar concorrer com Kady, até perceber que esta também seria uma das concorrentes do certame.

Para Jimmy P, a sua qualificação representa também uma maior aceitação do rap no mundo do Festival da Canção. “Deixa-me orgulhoso porque independentemente do que acontecer eu sei que existe um precedente aberto para artistas do mesmo género”. Com uma performance que cimentou o seu favoritismo à vitória — partilha-o com Bárbara Tinoco e Elisa —, Jimmy P poderá ser o primeiro português a levar este estilo musical à Eurovisão.

“É uma música muito forte e que representa todas as mulheres”

Kady
Fotografia: Diogo Resgate

Depois de no ano passado ter conquistado os prémios PLAY na sua primeira edição, Dino D’Santiago compôs ‘Diz Só’ para o Festival da Canção 2020. A cantora Kady, intérprete do tema, conta que aceitou o convite antes mesmo de conhecer a canção mas que ficou “ainda mais fascinada” quando percebeu sua mensagem.

Estamos a falar de “uma música muito forte e que representa todas nós, todas as mulheres. É uma música da qual sinto muito orgulho”. Kady acredita que esta “é uma mensagem de justiça” e queria que “daqui a uns anos não tivéssemos de chamar a atenção” para a questão do feminismo.

Com talvez a prestação vocal mais segura das duas eliminatórias, Kady admite ter cumprido o seu propósito em palco. Ao seu lado, teve três coristas que fizeram muito mais do que cantar: deram movimento ao tema graças à coreógrafa Inês Mendonça.

Para o próximo sábado, não tem grandes expectativas; quer somente divertir-se ainda mais. Mas e se ganhar? Solange, uma das coristas, intervém ao explicar que “seria incrível” mas que é mais importante “sermos realistas e viver com os pés bem assentes na terra. Um passo de cada vez, é isso que nos caracteriza, a nós e à própria canção”.

“Acabei com o melhor cenário possível”

Tomás Luzia
Fotografia: Diogo Resgate

Tal como já havia acontecido na semana passada, a segunda semifinal teve surpresas no que aos resultados diz respeito. Uma das favoritas, ‘Cegueira’, ficou de fora e ‘Mais Real que o Amor’ deu a Tomás Luzia razões para celebrar, mesmo não tendo sido nunca um finalista evidente. Com 17 anos, o jovem cantor explica que a “inocência” própria da idade o ajudou visto que, “como não sabia como tudo funcionava, não tinha essa pressão em cima de mim”.

Não estava de todo à espera de chegar à final. “Só me quis entregar, divertir-me e aproveitar o momento. Acabei com o melhor cenário possível”, conta. Sem qualquer experiência televisiva, Tomás Luzia vê a participação no Festival da Canção como uma forma de crescer na música. “Cantei para Portugal inteiro e não podia estar mais grato por este dia”.

A canção que interpreta, composta por Pedro Jóia, é essencialmente “uma música romântica. Fala sobre paixão e as pessoas podem fazer as suas próprias interpretações e adaptá-las aos seus amores e desamores”. Para o próximo sábado terá pela frente um palco de grandes dimensões que em nada se compara com o pequeno Estúdio 1 da RTP. Não o receia e garante que se vai divertir ainda mais.

“Apesar de o Festival ter uma grande parte cénica, eu optei por algo mais simples”

Elisa Rodrigues
Fotografia: Diogo Resgate

À segunda foi de vez. Elisa Rodrigues concorreu ao Festival da Canção deste ano depois de em 2017 se ter visto obrigada a não interpretar o tema de Noiserv devido a um acidente de viação. A espera valeu a pena, com a garantia de que está um passo mais perto de representar Portugal nos Países Baixos a 14 de maio.

A receita de sucesso poderá estar em Luís Figueiredo que, recorde-se, foi responsável pelo arranjo de ‘Amar Pelos Dois’, dos irmãos Sobral. “Fiz a música em pouco tempo e apresentei-a ao Luís. Tive de ter muita coragem para lhe mandar o esboço, quase tanta como para vir aqui hoje (sábado)”.

Elisa já o conhecia desde o começo da carreira mas, mesmo assim, “estava muito nervosa para lhe propor a música, mas ele adorou. Assim que pegou na canção, ela cresceu, o arranjo ficou bonito. Não podia estar mais orgulhosa”.

‘Não Voltes Mais’ foge ao que a cantora de jazz está habituada a cantar. “Eu pendo especialmente para músicas mais dramáticas, mais melancólicas, e esta canção surgiu-me em pop. É uma música super feliz, leve, e era isso que queria passar: energia”, explica.

É com “imensa surpresa” que se vê na final e realça que “é muito bom sentir que as pessoas gostaram e votaram”. Para o Coliseu de Elvas garante que poderá haver uma mudança de figurino mas que a simplicidade em palco se irá manter. “Apesar de o Festival ter uma grande parte cénica, eu optei por algo mais simples e provavelmente vou manter essa essência”.

Lê também: Festival da Canção 2020. Uma 2.ª semifinal mais fraca, mas cheia de surpresas

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