Throes + The Shine
Fotografia: Diogo Resgate

Festival da Canção 2020: Vencedores da primeira semifinal reagem à qualificação

Passe-Partout, Medo de Sentir, Gerbera Amarela do Sul e Movimento estão apuradas para a final do Festival da Canção e em pé de igualdade, visto que este ano a estação pública decidiu não revelar as pontuações dos temas a concurso.

Foi na Green Room, a sala de todas as emoções, que o Espalha-Factos conversou com Bárbara Tinoco e Tiago Nacarato, Marta Carvalho e Elisa, Filipe Sambado e Throes + The Shine.

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Eu costumo dizer que Bárbara Tinoco não dança

Tiago Nacarato e Bárbara Tinoco
Fotografia: Diogo Resgate

Se visualizações no YouTube valessem votos, então Passe-Partout seria imediatamente a canção escolhida para representar Portugal na Eurovisão, nos Países Baixos. Não escondem que gostavam de rumar até Roterdão e admitem mesmo que, se se confirmar o favoritismo, “assumimos uma mudança (na performance), se calhar aproveitar mais a tecnologia” do Eurofestival.

Com ou sem mudanças em palco, a atuação de Bárbara Tinoco não deixou público nem jurados indiferentes. “Sinto-me super orgulhoso, adorei a interpretação da Bárbara e a maneira como se entregou em palco. Isso para mim é mais importante que estar na final”, afirma Tiago Nacarato, autor e compositor do tema.

Em palco, Tinoco foi uma personagem, como a própria referiu durante a emissão. “Eu costumo dizer que Bárbara Tinoco não dança, foi um desafio. É uma personagem divertida e eu tinha de me divertir com ela”. Mas a jovem cantora não estava sozinha em palco, teve direto a Nacarato à viola e a um grupo de “bailarinos que foram uma boa hipótese”.

Passe-Partout é uma obra com características pouco comuns nas recentes edições do festival. A inspiração de Nacarato levou-o a um “jazz manouche” capaz de vencer a 7 de março. “O meu ato de compor é como que abrir um espectro espiritual e ao que surge na melodia, cabe-me a mim  depois preencher da forma que achar mais pertinente”, explica Nacarato. Se vencem? “Não sei”, diz Bárbara Tinoco, “temos boas canções, bons intérpretes a concurso”.

Temos toda a capacidade para representar muito bem o nosso país

Marta Carvalho e Elisa
Fotografia: Diogo Resgate

Com o terceiro membro do grupo de favoritos à vitória – os Blasted Mechanism – fora da final, a canção de Marta Carvalho parece ser uma das grandes candidatas a representar Portugal. “Eu consigo imaginá-lo perfeitamente e olho para isso com muita responsabilidade, não de forma leve. Acho que temos toda a capacidade para representar muito bem o nosso país”.

O primeiro desafio foi superado com sucesso mas, para já, é a cidade de Elvas que Marta e Elisa mais querem visitar. “É inacreditável chegar à final, os adjetivos são poucos para o descrever”. O aparente sucesso surgiu de forma bastante simples, “estávamos a conversar sobre as nossas vidas e o tema – Medo de Sentir – veio à baila. Olhei para a Elisa e percebi que seria um excelente tema para uma canção e para o Festival”.

Numa noite repleta de diversidade de géneros e abordagens musicais, Marta optou por colocar nas palavras uma certa “vulnerabilidade”. “A música transmite vulnerabilidade, o medo de ser vulnerável, o medo de arriscar. Todos já passaram por isto na sua vida em alguma fase”. 

Será esta mesma vulnerabilidade o principal trunfo para a noite de 7 de março? Para Elisa, “as coisas simples são sempre boas. É também na simplicidade que encontramos a verdade. É genuíno, isso é o que importa”.

Todo o conceito partiu de uma perspetiva fúnebre

Filipe Sambado
Fotografia: Diogo Resgate

Com uma atuação que ultrapassa o nível comum de grande parte das atuações associadas ao Festival da Canção – o português, porque lá fora tudo acontece – Filipe Sambado conseguiu ser diferente sem o ser, sendo apenas fiel a si mesmo. Gerbera Amarela do Sul conquistou um lugar no palco do Coliseu Comendador Rondão Oliveira, para surpresa de muitos.

No estúdio 1 da RTP, preparou uma atuação que fizesse jus à mensagem da sua canção. “No fundo é uma crítica a uma ideia de julgamento fácil e imediato que está a trazer dissabores à maneira como nós nos damos uns com os outros”. O Festival foi e sempre será de intervenção.

“Todo o conceito (da atuação) partiu de uma perspetiva fúnebre. Aquela estrutura foi criada com a ideia de lápides”. Toda a caracterização do artista foi pensada nesse sentido, inclusive a roupa que, conta, foi inspirada em fardas militares “para acrescentar mais leituras a esse lado mais pesado e que se aproximasse ao conteúdo da letra da canção“.

Sambado destaca também a honestidade que coloca no seu trabalho e admite que preparou toda a performance em casa como forma de “tentar criar algo que funcionasse tanto para o público em estúdio, como para o público que estava em casa”. Mesmo não estando à espera de “grandes sensações”, o cantor assume-se contente, “genuinamente contente”.

Nós somos isto, os nossos concertos são uma hora sempre assim

Throes + The Shine
Fotografia: Diogo Resgate

Foram uma das grandes surpresas da noite. Com uma canção que por si só emana energia, os Throes + The Shine superaram a versão de estúdio com uma atuação eletrizante. “Nós somos isto, os nossos concertos são uma hora sempre assim”. Atuar na televisão exige outro trabalho, “aprendemos muito com este processo”, e portanto não só a coreografia, como todo o visual e imagem teve de ser “mais cuidado” para que nada falhasse.

No Festival da Canção, quiseram sobretudo dar a conhecer a sua sonoridade ao país e não criar uma canção em expecífico para o concurso. “Quando recebemos o convite, uma das coisas que ouvimos foi que nos estavam a convidar porque gostavam do que fazíamos. Estamos confortáveis na nossa pele”.

Confessam que pouco pensaram em classificações mas agora “não há palavras para descrever” a qualificação.  “O importante para nós é interpretar uma composição que daqui a 10 ou 20 anos, quando olharmos para trás, sintamos que é algo fiel aos discos que fazíamos na altura”.

Para a Grande Final em Elvas têm “várias ideias em mente” que exigem discussão, pelo que se mantêm em segredo. “Agora queremos descansar pelo menos um dia”, que mais trabalho virá.

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