Horse Girl estreou-se em Sundance, no final de janeiro, e chegou esta sexta-feira (7) à Netflix.  Foi escrito pelo também realizador do filme, Jeff Baena, e pela protagonista, Alison Brie.

O filme foca-se numa jovem mulher, Sarah (Alison Brie), que vê a sua realidade a fragmentar-se à medida que estranhos acontecimentos se desenrolam. Inicialmente, parece uma simpática rapariga com poucos amigos, sem família por perto, e com uma vida simples.

Esta Horse Girl é apaixonada pelo seu cavalo, adora o seu emprego numa loja de materiais artísticos, e acompanhar a série Purgatório é a sua grande obsessão. Rapidamente percebemos que há pessoas que se preocupam com ela, como a sua colega de trabalho Joan (Molly Shannon), ou a sua companheira de casa Nikki (Debby Ryan), e que há algo de desconhecido e preocupante em Sarah.

O desenrolar da ação é lento, mas bem sucedido, aumentando de intensidade na parte final do filme. Acompanhado de uma estética muito polida e agradável, a verdadeira temática do filme parece esconder-se por trás de ceús azuis bebé e tons pêssego.

Com um storytelling surpreendente e inabitual, Jeff Baena e Alison Brie transmitem perfeitamente todas as sensações que querem transmitir. A aparente calma e fofura desajeitada de Sarah dá lugar a um desfecho perturbante, mas comovente.

Alison Brie em Horse Girl

Alison Brie em ‘Horse Girl’ (Netflix).

Algumas das sequências da ação conseguem ser mesmo muito estranhas, quase difíceis de acompanhar. Do início ao fim, o espectador partilha da confusão e inquietação que a protagonista sente, sem nunca ter a certeza do que é realidade ou ficção, sonho ou imaginação.

O final deixa-nos ainda mais inquietos, mas a classificação do filme como drama, e drama apenas, pode ser um indicador de que, afinal, nada é realmente o que parece.

Um estranho sonho e um retrato assustador

Alison Brie surpreende enquanto protagonista, mas também escritora de Horse Girl. A sua interpretação é exemplar e tocante, mesmo nas cenas mais estranhas. Nunca vemos a atriz e reconhecemos sempre Sarah.

Horse Girl parece um sonho estranho, que não temos a certeza se se trata ou não de um pesadelo. É um retrato desconcertante do que é viver com uma doença mental, mas também de como nunca realmente conhecemos quem nos rodeia.

Alison Brie revelou que alguns aspetos de ficção científica mais abstratos devem-se ao seu amor pelo género, mas que a parte sobre saúde mental ecoa os seus próprios medos e histórico familiar de esquizofrenia paranóica.

Horse Girl é, por vezes, confuso e demasiado estranho, mas isso faz parte do seu encanto. O filme abre portas a muitas discussões acerca de saúde mental, ou até teorias da conspiração. Não é entretenimento fácil, como estamos habituados em muitos filmes da Netflix, mas é uma obra de arte com muitas camadas por desvendar – e vale a pena tentar desvendá-las.

'Horse Girl': um retrato inquietante da progressão de uma doença mental
Interpretação formidável de Alison BrieStorytelling original e surpreendenteRealização diferenciadora e impactante
Por vezes demasiado confusoFalta de força das personagens secundárias
6.7Valor Total
Votação do Leitor 4 Votos
8.0