Estão abertos os portões do inferno. A terceira parte de As Arrepiantes Aventuras de Sabrina, a série que faz as delícias dos amantes do profano e do macabro, chegou esta sexta-feira (24) à Netflix com oito novos episódios.

Além do lançamento do trailer oficial, o aquecimento para a nova temporada iniciou-se logo no início do mês, a 9 de janeiro, com o videoclipe de ‘Straight to Hell’. A música marcou o começo da contagem decrescente até ao regresso de Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) aos ecrãs.

“O caminho da noite. O caminho da luz.”

A terceira parte, que é a menor temporada da série até ao momento, acaba também por ser a mais concisa a nível temático. Com o corpo de Nicholas Scratch (Gavin Leatherwood), o namorado de Sabrina, a servir de hóspede para Lucifer Morningstar (Luke Cook), o caminho da protagonista leva os espetadores numa viagem até ao inferno.

Foi novamente a dualidade da protagonista a conduzir o rumo da história, numa temporada que adensou o conflito interno da personagem. Embora a vida dupla de Sabrina a acompanhe desde o início e faça parte da premissa da série, o tópico ganhou uma nova dimensão.

as arrepiantes aventuras de sabrina

Imagem: Netflix / Divulgação

Sabrina é refém de um constante processo de descoberta do complexo espectro que compreende a sua identidade. As oscilações da protagonista entre os vários polos que a dividem são um dos principais pontos de interesse da temporada, da mesma forma que o sentimento de impotência da personagem face à maior ameaça que já houve na série se traduz numa maior intensidade nos episódios.

Um universo em expansão

A adição do inferno à narrativa foi um dos principais fatores a contribuir para a intensificação da história, além de ajudar a criar um universo ainda mais extenso e completo. Apesar de ser uma referência constante numa série que coloca o satanismo no centro, só agora foi possível descobrir, gradualmente, todo o imaginário referente ao inferno. Os cenários e os figurinos referentes ao Pandemonium marcaram os momentos mais visualmente apelativos da temporada.

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Imagem: Netflix / Divulgação

Na sua terceira parte, a série provou ser um puzzle que vai sendo preenchido à medida que são apresentadas à audiência novas partes da imagem completa – e apresenta muito mais peças do que, à partida, se acreditaria. A imagem geral é muito mais ampla do que as duas primeiras partes revelaram.

Foram bastantes as peças que possibilitaram expandir o universo de Greendale. Através de novas personagens, surgiu a possibilidade de se aprofundar a temática religiosa e de adicionar novas crenças à mistura, algo que fazia falta numa série que se alimenta da blasfémia.

Novas forças antagónicas

A oposição entre a bruxaria satânica e a bruxaria pagã não só enriqueceu a série, como criou forças antagónicas que se revelaram dignas do tempo de ecrã que lhes foi atribuído. O impacto dos bruxos apologistas do paganismo traduziu-se num retrato caótico como não tinha sido atingido até agora, mas que é de louvar numa série com uma proposta que passa pela abordagem do sobrenatural.

Por outro lado, Caliban foi a promessa de um vilão que não foi totalmente cumprida. A série pecou ao ter falhado em projetar o potencial antagónico de uma personagem que poderia facilmente ter assumido o comando da temporada. Apesar disso, acabou por ser ofuscado por outras forças.

Caliban

Imagem: Netflix / Divulgação

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Desde a forte aposta na musicalidade, que nem sempre foi propositada, até à aposta no paradoxo temporal através de jogos com a linha do tempo, esta foi uma temporada que tomou vários riscos que não tinham sido tomados até à data. Sejam bem recebidos pelo público ou não, é notável a tentativa por parte dos produtores em evitar a estagnação através de novas fórmulas que procuram continuar a dar vida à série.

De facto, a coesão entre os oito episódios sobressai e faz com que esta seja, possivelmente, a melhor das três partes. O ritmo foi adequado durante a grande maioria da temporada, embora os episódios de uma hora sejam, por vezes, desnecessários. A série perde pontos apenas no episódio final e na forma apressada como tentam introduzir e imediatamente resolver um quebra-cabeças, que exigia um pouco mais de cuidado a desenvolver.

As Arrepiantes Aventuras de Sabrina continua a navegar e a explorar um universo em contínuo crescimento, numa temporada repleta de referências e de simbologias próprias que atiçam a curiosidade para um mundo com muito por descobrir na quarta temporada, que já foi confirmada. Praise Satan!

Crítica. ‘As Arrepiantes Aventuras de Sabrina 3’: Um universo em expansão
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