Dois anos depois da vitória no The Voice Portugal, o cantor Tomás Adrião apresenta um novo single intitulado ‘Perdido‘. O novo tema, que se sucede ao single de estreia ‘A Vontade‘, levanta o véu para aquela que será a sonoridade do primeiro álbum de originais.

Espalha-Factos esteve à conversa com o artista acerca deste projeto numa entrevista onde se reviveu a experiência no concurso na RTP, se discutiu o presente e se antecipou o futuro.

Na primeira fase do The Voice apenas fizeste virar uma cadeira, a de Marisa Liz. Foste o único vencedor que, desde o início, não era apontado como um candidato à vitória. Alguma vez pensaste chegar tão longe, ganhar?  

Eu nunca participei no The Voice com o intuito de ganhar. Quando passei a Prova-Cega com uma cadeira pensei “bem, agora para a semana passo uma fase ou outra mas depois acabo por sair”. Nunca pensei ganhar. A dada altura comecei a pensar mais alto e a querer mais. Houve ali uma fase em que queria mesmo ganhar e acabei por conseguir.

Como foi trabalhar com a Marisa? Sempre foi a tua primeira opção?

Seria a primeira opção se virassem os quatro. Gosto bastante dela, acho que ela percebe imenso de música e é boa pessoa também. Cheguei a trabalhar com ela no meu primeiro single e correu muito bem. Temos uma química fixe tanto em termos de personalidade como de gosto musical.

Continuaste a ter o apoio dela depois da vitória?

Sim, até comecei a gravar o meu disco no estúdio do Tiago Pais Dias (dos Amor Electro) mas depois acabei por trocar. Mas a fase inicial da minha carreira foi com ela, foi quem me impulsionou a continuar.

De que forma o programa te ajudou a construir uma carreira? Tinhas já definida a tua personalidade artística ou foste desenvolvendo essa componente ao longo das provas?

Percebi o que queria fazer muito depois do programa. Por isso demorei tanto tempo a acabar o meu disco. Tive de passar por muita coisa para crescer como pessoa e como artista após o The Voice. Tinha 17 anos quando ganhei e era um miúdo – ainda sou – e tive de crescer rapidamente para conseguir fazer um álbum do qual me orgulhasse daqui a 10 anos, que fizesse sentido.

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The Voice Portugal

E na música, como foi esse processo?

Foi muito aos poucos. Comecei a ir a estúdio – nunca tinha ido – e comecei a compor – que também não compunha muito – tinha poucas músicas da minha autoria. Comecei a escrever mais, a tocar mais, conheci imensas pessoas que me ajudaram, tanto os produtores do meu disco como os compositores com que me tenho relacionado. Aprendi bastante sobre mim mesmo.

Quando percebeste que a música poderia ser algo sério para ti?

Sempre levei a música como um trabalho igual aos outros. Antes do The Voice tocava em bares e apareci no programa para ter mais bares onde tocar. Depois a minha perspectiva mudou e a minha ambição também. Sei que é difícil viver da música mas estou a tentar fazê-lo.

São vários os cantores que não tocam algum instrumento por opção. Sentes que o contacto direto com a guitarra te fez criar uma relação mais forte com a música?

Sei tocar bateria, baixo, guitarra e piano. Fazem parte de mim, acho que me completam. Ao vivo sinto-me mais seguro mas ao mesmo tempo também gosto de apenas cantar. Gosto de música em geral, tento aproveitar ao máximo.

Há pouco mencionaste que antes do programa atuavas frequentemente em bares. Essa experiência ajudou-te no começo da carreira?

Sim, a escola dos bares ajudou-me bastante a ter mais interação com o público e a perceber que é difícil (a música). Porque eu fazia tudo, tocava mas também arrumava, montava cabos… Estava ali a tocar durante quatro horas e apercebia-me que umas pessoas gostavam, outras não. Comecei a melhorar bastante a minha conversa entre as músicas. Sempre fui um miúdo um bocado tímido mas os bares desenvolveram muito essa timidez de uma forma positiva.Tomás Adrião

Conquistaste um contrato discográfico com a Universal. De que forma esse prémio foi talvez essencial para divulgares o teu trabalho?

Tive um grande avanço porque pude gravar e produzir o meu disco num dos melhores estúdios em Portugal. Abriu-me imensas portas. O problema não são as portas, mas saber como passar por elas. Esse é um crescimento mais pessoal. Eu podia ter todas essas vantagens mas se não soubesse o que queria fazer, ou da forma que o queria fazer, não valia de nada. É um misto dos dois. Após o programa tenho mais apoio do público, de pessoas que estão a acreditar num projeto, neste caso em meu nome.

Tinhas apenas 17 anos quando venceste. Sentiste algum receio em começar um projeto a solo com essa idade?

Eu tinha 17 anos mas sempre quis pensar alto, então esse problema não me assustou. Acho que na altura só queria fazer música e então dediquei imenso tempo nisso. A tentar compor e tudo mais, até que depois, passado algum tempo, comecei a encontrar a minha sonoridade e a minha forma de escrever, o que queria dizer às pessoas. Agora o meu disco está uma cena muito positiva comparada àquele miúdo que saiu do programa com 17 anos.

Como te identificas enquanto artista?

É uma pergunta difícil porque ainda não sei muito bem. Como artista acho que sou mais virado para a ideia de cantautor. Explorei influências como Rex Orange County, Tom Misch, John Mayer, deste aspeto guitarra e voz. E uma cena mais electrónica, R&B e Soul, juntando um bocadinho do Pop mas também a parte mais oldschool que admiro imenso, a parte do rock clássico dos Beatles e também o jazz que é uma grande escola para mim. Tentei misturar todos estes estilos e fazer algo pessoal que dissesse que este som é Tomás Adrião. O mais difícil na música é encontrar a uma identidade e acho que no final de contas passou algum tempo mas consegui encontrar essa minha identidade.

Quais tem sido os maiores desafios destes últimos dois anos?

Acho que é mesmo a parte de criar o disco, foi realmente duro. Foram feitas 50 músicas em dois anos, dessas 50 só nove entraram no disco. Há dias em que sai muita coisa e noutros dias não sai nada mas é a parte criativa, a mais difícil. Eu não gostava muito do estúdio, gostava mais da cena ao vivo, ainda hoje gosto mais, mas apendi a gostar. É importante porque é o que as pessoas ouvem em casa.

Em relação a esta música nova, ‘Perdido’, fala-me um pouco sobre ela. Fizeste parte do processo de escrita e composição?

Eu fiz a música com a Tainá. Está englobada neste tema do disco. Eu tinha este pensamento constante de que o tempo era pouco para o tanto que queria fazer. A música chama-se ‘Perdido’ e fala da minha pressa de viver, da minha pressa de saber quem sou, a procura da felicidade. Fala de imensos temas em que andava sempre a pensar e quis ser verdadeiro. Escrever, cantar e tocar sobre isso, sobre a minha verdade.

Acompanhei a tua passagem pelo The Voice e pessoalmente vejo mais o Tomás Adrião nesta canção do que na anterior, o single de estreia. Esta ideia faz-te sentido?

Sim, sim. São sonoridades diferentes, já tem muito mais a haver comigo, sou muito mais eu mas ao mesmo tempo a outra que lancei o ano passado também era eu só que passou um ano e eu cresci. Agora este som é o que me define, talvez para o ano seja outro. Acho que o problema é pararmos e como não parei é normal que tenha mudado.

Que expectativas tens para este tema?

Eu não tenho expectativas, tenho objetivos. Basicamente quero que a música corra bem, acredito na música, mas não depende de mim, depende se as pessoas gostam ou não. Por isso o meu objetivo é fazer música que goste e se as pessoas gostarem ainda melhor. Mas não posso criar expectativas para uma coisa que não posso realmente controlar. As pessoas gostam ou não gostam e espero que gostem porque é a minha verdade.

A data de lançamento do álbum está definida?

Ainda não tenho data mas será este ano.

O que esperas alcançar com este primeiro projeto?

Espero ter a possibilidade de tocar tanto em festivais como em “terrinhas” e tudo mais (risos), eu quero é tocar. Quero tocar ao vivo e quero que as pessoas oiçam as minhas músicas ao vivo porque vão estar diferentes, têm uma sonoridade diferente. Quero andar aí a tocar para toda a gente. Apesar de agora estar a lançar este disco já estou a pensar no segundo e até num terceiro se for preciso porque é o que eu gosto de fazer. O meu dia é um bocado isto, compor, tocar e tentar criar sempre mais e mais, melhorar o que já tenho. Estou sempre a pensar no mais à frente e isso é realmente continuar a editar discos.

Quando te apresentaste pela primeira vez ao país frequentavas ainda o ensino secundário. Hoje ponderas apostar no ensino superior ou manténs-te exclusivamente na música?

Neste momento estou a dedicar todo o meu tempo à música. Até já me registei nas finanças como músico, por isso acho que já sou músico. Possivelmente poderei voltar a estudar outra coisa qualquer, não sei. Não tenho pensado muito sobre isso, tenho-me dedicado muito à música.

Recentemente apagaste todas as fotografias da tua página de Instagram. Representa uma mudança?

Apaguei tudo porque é um novo começo, este novo single. Quando as pessoas vão à minha página vão apenas ver coisas relacionadas com esse single.

Sendo o formato The Voice, em Portugal, um exclusivo da RTP, sentes que a tua associação ao canal te dificulta de alguma forma o contacto com outros meios de comunicação?

Sinceramente acho que não porque a outra música que lancei até passou numa novela da TVI, na RTP não passou. Isto para dizer que não me prende, dá-me abertura a outros canais de televisão. A música também não passa apenas nas antenas (Antena 1, 2 ou 3, as emissoras de rádio públicas). Também passa na Comercial, felizmente tem passado e espero que esta nova também o faça.

Tomás Adrião Tomás Adrião Tomás Adrião Tomás Adrião Tomás Adrião Tomás Adrião