Orphan Black

Entrevista. ‘Orphan Black’ está de volta num novo formato

A história da aclamada série canadense Orphan Black ganha nova vida, longe do formato televisivo. A série arranjou nova casa no Serial Box, uma editora e plataforma online de audiobooks e e-books.

Em Orphan Black: The Next Chapter as personagens enfrentam novos desafios, agora oito anos mais velhas, todos eles narrados por Tatiana Maslany, que assim retorna ao papel dos clones e empresta a voz a outras conhecidas e novas personagens.

Em conversa com Heli Kennedy, uma das escritoras neste projecto, e co-autora da banda desenhada de Orphan Black (Helsinki, Deviations e Crazy Science), descobrimos de que maneira se expande este universo, incluindo a apresentação de um novo clone, e conhecemos um pouco do processo criativo que dá forma a estas personagens.

Como é que deste o salto para Orphan Black: The Next Chapter, depois do teu trabalho com a banda desenhada de Orphan Black?

“Tendo em conta a minha familiaridade com o universo de Orphan Black, um dos produtores da série televisiva indicou-me como consultora do Serial Box. Na altura eles já estavam a trabalhar com diferentes ideias para uma série literária de Orphan Black. Falei com a Malka Older, a showrunner (responsável/criadora da série), sobre o conceito brilhante dela que acabou por se tornar no Orphan Black: The Next Chapter. Eventualmente, acabámos com uma equipa de seis escritores, e juntos escrevemos uma temporada de dez episódios.”

Heli Kennedy
Heli Kennedy

O formato de prosa e áudio que o Serial Box apresenta cria possibilidades que o formato televisivo da série original não criava? Se sim, quais?

“O formato de prosa e áudio do Serial Box permitiu-nos expressar o lado emocional das personagens. Pensamentos de personagens são muito difíceis de expressar no ecrã com elegância e clareza. Para esta série literária, escolhemos apresentar cada cena através da perspectiva de uma personagem específica, o que nos permitiu aprofundar as suas psicologias. Podemos entrar na cabeça tanto da Cosima como da Delphine quando têm uma discussão. Se for preciso, podemos até explorar a lógica invulgar e complexa da Helena da sua própria perspetiva. Poder fazer isso com personagens tão ricas dá-nos um grande sentido de liberdade. A escrita não tem que ser só focada num enredo impulsionado pela ação.”

Qual foi o maior desafio de escrever esta nova etapa da história de Orphan Black?

“É sempre complicado escrever a continuação de uma série, especialmente de uma que decorreu durante cinco anos e teve tantas cenas bem-sucedidas, reviravoltas cativantes e pontos de vista interessantes sobre ciência e clones. Estávamos sempre a tentar pensar em novos e interessantes clones, e esforçamo-nos por criar desafios diferentes e entusiasmantes com personagens conhecidas. Mas nós tivemos sorte de trabalhar com um universo tão rico e multifacetado. A série explorou tantos temas – propriedade intelectual, o que significa ser dona do próprio corpo, a feminilidade, ética, empatia e diferentes estilos de vida. Este trabalho de base é tão rico que sinto que poderia continuar a alimentar incontáveis novas histórias.”

Desta vez, a Tatiana Maslany não está só a interpretar os clones. Ela dá voz a todas as personagens.

Tiveram que adaptar alguma coisa na escrita por causa disso? Como por exemplo, garantir que sejam as personagens a conduzir a história e não o cenário inverso.

“Optámos por contar cada cena a partir da perspetiva de uma personagem específica mesmo antes da Tatiana Maslany estar formalmente envolvida no projeto. Penso que esta estratégia enriqueceu a história em termos de narração. Com momentos e eventos ancorados às emoções e reações de uma personagem, acho que a Tatiana teve mais espaço para moldar e brincar com as suas performances, o que combina com o registo dos audiolivros do Serial Box. Têm uma certa teatralidade. E a Tatiana é tão boa a distinguir vocalmente as personagens que nunca estive muito preocupada. Mas nós provavelmente exaustamo-la com todas as personalidades e vozes que lhe atiramos!”

Tatiana Maslany em Orphan Black
Tatiana Maslany interpretava várias personagens simultaneamente em ‘Orphan Black’

 

No início de Orphan Black, a Tatiana Maslany comentou que a mudança entre clones era algo assustador e desafiante. Agora, a equipa de escritores de Orphan Black: The Next Chapter vive uma experiência semelhante, e já faz algum tempo desde que trabalhaste com estas personagens.

Para qual dos clones é mais fácil e mais difícil voltar a escrever, em termos de mentalidade e tom? Porquê?

“Eu penso que a resposta a esta pergunta varia de escritor para escritor. No íntimo, algumas pessoas são mais Cosima Niehaus e outras são mais Alison Hendrix, sabes? Para mim, o Felix Dawkins fluiu-me mais naturalmente, a par com a Alison. Por alguma razão consigo aceder facilmente ao espírito do artista ousado e da dona de casa reprimida [risos]. Ambos mudaram muito ao longo da série televisiva, mas nunca deixaram de ser pessoas obstinadas. E têm um sentido de humor muito específico, o que ajuda ao escrever. A Cosima é mais complicada de passar para o papel, apesar de a adorar. Ela é muito complexa, inteligente e teve um arco mais subtil. Além disso, tivemos de levar em consideração a relação dela com a Delphine, e desenvolver isso ao longo desta série, uma vez que a Cosima é central na história. Isto acrescentou outra camada de complexidade.”

Qual das personagens evoluiu mais durante os oito anos desde os últimos acontecimentos da série?

“A Alison cresceu muito. Ela manteve-se sóbria e num casamento feliz – sim, feliz – com o Donnie. Isso não é algo que ela poderia ter feito se tivesse continuado a ser a pessoa que era na primeira temporada. Ela estava num caminho de destruição. Tenho também que mencionar a Sarah, pois era o coração da série original. Ela não teve o percurso mais fácil após o fim da série, mas durante os oito anos ela trabalhou imenso para mudar. Exploramos isso um pouco, especialmente em relação à Kira. Mas, naturalmente, a Kira e a Charlotte tiveram o maior crescimento – literalmente e figurativamente. Agora estão numa fase avançada da adolescência e têm opiniões, sonhos e ambição.”

Como é que descreverias o novo clone, Vivi? E o que é que ela oferece, em termos de novas oportunidades para a série?

“O novo clone, Vivi, é uma pessoa focada, ousada e ambiciosa que sacrificou imenso pela sua carreira. Ela sempre soube o que queria e quem é – quer dizer, até ao momento em que descobre as suas origens. A experiência dela enquanto agente da CIA abriu o universo de Orphan Black a um mundo que vai para lá das empresas privadas e cultos secretos – a Vivi personifica um ângulo global da narrativa dos clones, e eleva-a a uma estratosfera política. E isso eu acho fascinante. Talvez um dia vamos acordar e descobrir que uma nação criou, de facto, clones humanos. Que impacto é que isso teria mundialmente? É uma ideia louca, mas nunca se sabe.”

Como tem sido a recepção do projecto pelo fiel grupo de fãs da série, apelidado de “Clone Club”?

“A recepção tem sido incrível, felizmente! Ufa [risos]. Temos recebido imensos elogios e críticas ótimas. As pessoas têm dito que Orphan Black: The Next Chapter incorpora a voz e a história de Orphan Black. Estamos muito felizes por termos transmitido a energia certa.”

Gostarias de continuar a explorar o mundo de Orphan Black mesmo após o fim de Orphan Black: The Next Chapter?

“Sem dúvida! Adoraria voltar a escrever banda desenhada e já tenho algumas ideias nas quais estou a trabalhar. Gostaria também de acabar Orphan Black: Crazy Science – tinha uma história épica planeada. Além disso, gostaria de fazer a adaptação gráfica de Orphan Black: The Next Chapter, porque acho que seria fantástico ver ilustrações das novas personagens.”

A primeira temporada de Orphan Black: The Next Chapter está disponível, em Inglês, para compra no site do Serial Box. Ainda não há certezas sobre o futuro da série.

Entrevista realizada por Tatiana Carvalho.

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