O canal Cinemundo começa o ano com uma homenagem à icónica figura do cinema de terror, Hannibal Lecter. A maratona especial começa esta quinta-feira (9).

O personagem, nascido do espólio literário de Thomas Harris, permanece no imaginário coletivo como um dos serial killers mais metódicos e complexos alguma vez concebidos. Em parte, tal fascínio deve-se ao marcante desempenho de Anthony Hopkins, responsável pela imortalização do sinistro canibal no grande ecrã.

De facto, relembrar o impacto de Lecter nunca é demais. Assim, a emissão especial contará com os clássicos Caçada ao Amanhecer, O Silêncio dos Inocentes e Dragão Vermelho. Antes da série Hannibal ou de remakes mais elaborados, a trilogia desvenda os primórdios da sociopatia, combinando o horror com o suspense de cortar à faca.

Caçada ao Amanhecer (1986) – 9 de janeiro às 22h50

Tom Noonan em 'Caçada ao Amanhecer'

Tom Noonan em ‘Caçada ao Amanhecer’ (1986). Fonte: IMDB

Nos anos 80, Caçada ao Amanhecer apresenta Lektor, a primeira versão do antagonista, ainda pelas mãos de Brian Cox. Apesar de reconhecido em fase tardia, o filme fixa a premissa inicial de Hannibal enquanto personagem – o criminoso, tão doentio quanto genial, especialista na compreensão da psique de notórios assassinos.

O antigo oficial do FBI Will Graham (William Peterson) vê-se obrigado a deixar a reforma quando uma peculiar sucessão de mortes se intensifica. A origem dos crimes reside no psicopata Fada dos Dentes (Tom Noonan). Este ataca famílias em noites de lua cheia, deixando marcas de dentes junto ao seu rasto de destruição.

O tempo esgota-se e as respostas parecem inexistentes. Graham deve procurar o auxílio do, agora prisioneiro, Lektor, a última esperança do agente para chegar ao homicida. Realizada e escrita por Michael Mann, a película prima pelos seus visuais vibrantes que estabelecem o tom da intensa corrida contra o tempo.

O Silêncio dos Inocentes (1991) – 10 de janeiro às 22h30

Anthony Hopkins como Hannibal e Jodie Foster em 'O Silêncio dos Inocentes'

Anthony Hopkins e Jodie Foster em ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991). Fonte: Hopkins Center for the Arts

O Silêncio dos Inocentes, sem dúvida, catapultou Hannibal para os olhos do grande público. A obra de Jonathan Demme aproxima-se dos moldes do thriller psicológico, provando a força de um argumento sólido, sem artifícios de maior.

Desta vez, Clarice (Jodie Foster), estagiária no FBI, deve decifrar os homicídios de várias mulheres no Midwest. Poucas ou nenhumas pistas existem na descoberta da identidade do assassino, denominado pelos media de Buffalo Bill (Ted Levine).

Recorrer a Lecter (Anthony Hopkins) torna-se essencial, devido à sua antiga e reputada carreira enquanto psiquiatra. Nos interrogatórios dentro da prisão, Clarice concorda com a principal condição do canibal para a ajudar: obter o máximo de detalhes sobre a triste infância da estagiária.

Entre inúmeros diálogos memoráveis, O Silêncio dos Inocentes é o perfeito exemplo de uma obra, onde todos os elementos interagem em harmonia. Afinal, os Óscares arrecadados para Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado demonstram isso mesmo. Resta apenas responder a uma última questão: Have the lambs stopped screaming?

Dragão Vermelho (2002) – 11 de janeiro às 22h40

Ralph Fiennes em 'Dragão Vermelho'

Ralph Fiennes em ‘Dragão Vermelho’ (2002). Fonte: MUBI

Dragão Vermelho foi pensado como prequela de O Silêncio dos Inocentes e Hannibal, lançado em 2001. O filme aprofunda a relação de Will Graham (Edward Norton) e Hannibal Lektor (Anthony Hopkins), antes do encarceramento do psiquiatra.

Eventualmente, a longa-metragem regressa ao caso inicial do assassino Fada dos Dentes (Ralph Fiennes), funcionando como adaptação de Caçada ao Amanhecer. No entanto, o foco passa a incidir em Lektor, num claro esforço para destacar Hopkins ao máximo. As nuances e tramoia psicológica de Will desaparecem por completo numa carta de amor à interpretação que reforçou o pedestal da saga.

A realização, a cargo de Brett Ratner, aposta no macabro. As cores efusivas de Caçada ao Amanhecer ficam para trás, em prol de uma palete escurecida, ideal na proliferação do terror. As audiências apreciaram o esforço, apesar da crítica pouco consensual.

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