Instagram

Do streaming aos carros elétricos: como evoluiu a tecnologia na última década

Muito mudou no mundo da tecnologia desde 2009. Os anos 2000 foram marcados pela transição do PC ao portátil e a ubiquidade do iPod, terminando com os primeiros exemplos de smartphones como os conhecemos hoje, como o iPhone e os primeiros smartphones Android.

Por outro lado, os dez anos seguintes mostraram-nos o que acontece quando a tecnologia se torna omnipresente.

São diversas as consequências sociais e culturais de viver num mundo em que estamos todos ligados por redes invisíveis através de um leque cada vez maior de dispositivos, interfaces e serviços cada vez mais poderosos, convenientes e quase essenciais.

Para fechar este capítulo, decidimos olhar para os dez produtos e serviços tecnológicos que marcaram a última década, e aquilo que nos podem dizer sobre o futuro.

Spotify deu música a todos – legalmente

Spotify

A indústria da música teve uns anos difíceis. A proliferação da internet levou a um nível de pirataria sem precedentes que dominou os anos 2000. Embora opções legítimas como a iTunes Store tenham tido sucesso em certos mercados, é certo que os vários métodos de partilha de ficheiros e a chegada do streaming por via do YouTube causaram uma mudança cultural em que obter música gratuitamente e sem restrições se tornou a norma.

O Spotify veio oferecer um serviço de streaming legal dedicado a música que era tão acessível, e talvez ainda mais relevante e mais conveniente do que a alternativa pirata. Quando junto a um poderoso sistema de recomendações e playlists temáticas, era apenas uma questão de tempo até deixarmos de adquirir música, e passarmos a subscrever acesso temporário a um catálogo vasto.

Mas nem tudo é positivo, pelo menos na perspectiva da industria musical tradicional. Embora seja uma alternativa melhor face à pirataria, a compensação que chega aos artistas é, em muitos casos, perto de nada.

Muitos acabam por ceder o acesso ao seu conteúdo na esperança de serem destacados na playlist certa e ganharem alguma tração, o que põe todo o rendimento dependente de fontes que requerem alto investimento, como merchandise e espetáculos.

Netflix

Netflix mudou a tecnologia da década de 2000

Embora tenha surgido nos anos 90 como um serviço de aluguer de DVDs via correio, a história da Netflix enquanto gigante do streaming de séries e filmes espelha a do Spotify.

Numa indústria afetada por elevada e facilitada pirataria, a Netflix é uma oferta tão acessível e conveniente que, na mente dos utilizadores, se torna justificável pagar pela subscrição mesmo se o conteúdo estiver inevitavelmente disponível “de outras formas”.

Depois de anos sendo apenas uma plataforma de distribuição, a Netflix começou a produzir o seu próprio conteúdo exclusivo, que cada vez mais é o seu foco principal.

Num mundo de cada vez mais plataformas de subscrição a lutar pela atenção dos mesmos utilizadores, esta estratégia de maior integração e aposta na exclusividade tem sido adotada de forma agressiva, mas corre o risco de levar os utilizadores de volta à pirataria.

iPad

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Pode não ter sido o primeiro tablet, mas é sem dúvida o mais icónico. O iPad foi tão marcante quando saiu no inicio de 2010 que, de certa forma, parece que foi há mais de dez anos.

Embora os tablets não tenham eliminado os computadores tradicionais como na altura se previa, vieram tomar um lugar intermédio que os torna dispositivos ideais para ler, ver video e, mais recentemente com a gama Surface da Microsoft e o iPad Pro, desenhar e escrever digitalmente.

No caso da Apple em particular, os avanços feitos com o iPad foram o que possibilitou o popular MacBook Air de 2011 e mudou a arquitetura de todos os MacBooks e, eventualmente, grande parte dos portáteis vendidos atualmente. A aposta em armazenamento SSD e baterias de grande capacidade resultou em dispositivos mais leves, finos e com arranque instantâneo.

Instagram

O Instagram teve grande impacto tecnológico nos anos 2010s

De todas as entradas nesta lista, esta é talvez aquela que mais afetou o panorama cultural e social do mundo. Desde que foi adquirido pela Facebook em 2012, o Instagram tornou-se a principal plataforma de partilha, entretenimento, notícias e comunicação para uma geração inteira.

E é fácil perceber porquê. As redes sociais até então, como o Facebook ou Twitter, tiveram as suas origens enquanto sites na web pensados para computador.

Por outro lado, o Instagram foi a primeira plataforma desenhada de raíz (e exclusivamente) para smartphones, especificamente para o iPhone 4 e as suas melhoradas capacidades fotográficas.

Outro ponto a favor do Instagram foi a elegância da sua metáfora: uma polaroid digital. Durante muito tempo, o Instagram era, maioritariamente, uma interface de fotografia com filtros e ferramentas de edição, que por acaso tinha uma componente social à mistura.

Hoje em dia, “tomando inspiração” de outras plataformas mais efémeras como Vine e Snapchat, o Instagram cresceu para uma plataforma recheada de funcionalidades que, para melhor ou pior, se tornou o centro da partilha social online.

Siri, Alexa e assistentes virtuais

Siri
Imagem: Apple

Embora (ainda) não tenham ganho muita popularidade em Portugal, as assistentes virtuais são um exemplo essencial de como a tecnologia pode integrar o dia-a-dia de forma mais natural e, por vezes, assustadora.

Começando com o lançamento da Siri no iPhone 4S e chegando até ao Google Assistant e Amazon Alexa, estas vozes omnipresentes são uma nova interface que remete para um universo de ficção científica, especialmente agora que estão presentes em casa através de altifalantes inteligentes.

Amazon Echo Dot
Amazon Echo Dot

Permitem interagir com as aplicações e sistemas que cada vez mais gerem a nossa vida através de comandos (idealmente) flexíveis e naturais. Para além disso, a popularidade dos equipamentos “smart home”, desde TVs e sistemas de som a lâmpadas, faz com que o sonho de uma casa estilo-Iron Man esteja cada mais palpável.

No entanto, isto levanta questões de privacidade para as quais a resposta nem sempre é satisfatória. É verdade que a maioria dos utilizadores já trocou a sua privacidade no mundo online por serviços gratuitos e cada vez mais convenientes, mas a história é outra quando se trata de gravações de áudio de momentos supostamente privados.

Uber

Tecnologia da Uber

Mais do que uma aplicação, a Uber tornou-se a Gillete do mundo tecnológico, uma marca tão poderosa que “pedir um Uber” veio descrever o próprio ato de pedir um carro  através de uma app.

Quer seja para transporte ou para encomendar refeições através do Uber Eats, a Uber instalou-se em diversas cidades por todo o mundo e tem uma presença incontornável em muitas delas.

Esta “disrupção” não foi bem-vinda. Em Portugal e várias cidades pelo mundo, taxistas e outros grupos afetados manifestaram-se contra a chegada da Uber e plataformas de ride-sharing semelhantes, em alguns casos conseguindo banir a atividade por completo.

A Uber também foi posta em causa pelo estatuto dos milhares de condutores e estafetas que servem a plataforma, que incentiva trabalho precário e prolongado sem qualquer tipo de segurança ou benefícios.

Apple Watch e AirPods

Tecnologia do Apple Watch
Fotografia: DigitalBrew

No início da década passada, a industria da tecnologia foi marcada por uma questão: O que é a Apple depois da morte de Steve Jobs?

Estes dois wearables, lançados em 2015 e 2016, respetivamente, são a melhor resposta a essa pergunta. Ambos são acessórios para o iPhone que acrescentam valor à experiência de utilizador através de funcionalidade “mágica”, apenas possível num ecossistema fechado.

apple AirPods
Fotografia: Apple

Para além disso, tornaram-se fenómenos da cultura urbana, elevando a Apple para um estatuto não muito diferente de uma marca de luxo. Toda a gente reconhece um par de AirPods ou um Apple Watch, e isso motivou um mundo de falsificações, até por marcas como a Huawei e Xiaomi.

Num mundo em que iPhones e iPads duram cada vez mais tempo nas mãos dos utilizadores, a secção de acessórios e wearables da Apple, destinada a quem já está dentro da “família”, é agora uma das suas maiores fontes de receitas.

Revolut, Moey! e empresas fintech

Cartão Revolut e iPhone
Imagem: Revolut

Ninguém gosta de lidar com bancos, e percebe-se porquê. Normalmente, isto implica esperar em filas, usar aplicações medíocres e pagar taxas e comissões por apenas ter uma conta ou fazer uma transferência (que, ainda por cima, não é instantânea).

O Revolut é um exemplo de uma crescente frota de empresas e bancos fintech (financial-technology) que surgem por toda a Europa, propondo uma experiência mais moderna e adequada aos dias de hoje.

Depois de criar uma conta gratuitamente em poucos minutos através do telemóvel, é possível agrupar gastos por categoria ou vendedor, criar fundos de poupança, dividir despesas ou enviar e receber dinheiro instantaneamente, e muito mais.

No caso do Revolut, é também uma carteira internacional, podendo ter várias contas em moedas diferentes e trocar fundos entre elas de forma instantânea e sem comissões.

Em Portugal, o Moey! do Crédito Agrícola é uma opção que concretiza este conceito e chega a envergonhar o que o resto da banca anda a fazer em termos de experiência de utilizador.

Tesla Model 3

Tecnologia do Tesla Model 3
Imagem: Tesla

A Tesla já foi descrita como a Apple da indústria automóvel. Se esse for o caso, o Model 3 é o MacBook Air, uma máquina mais acessível que veio definir a direção da indústria dos anos que ai vêm.

A empresa de Elon Musk sempre teve um objetivo ambicioso: causar mudança numa indústria que, ao longo do último século, tem seguido um caminho mais ou menos iterativo.

Por um lado, os carros da Tesla obrigaram as grandes marcas a reposicionarem os veículos elétricos, passando-os de projetos secundários a prioridades de topo.

Por outro, a Tesla fez com que os consumidores esperassem mais da tecnologia que agora domina o interior de virtualmente todos os modelos novos. Desde ecrãs enormes a comandos por voz, marcas como a Mercedes e BMW estão, pela primeira vez em décadas, a lidar com um adversário que joga com outras regras.

Até ao Model 3, os Tesla eram caros o suficiente para este impacto ser contido ao segmento de luxo, mas isso deixou de ser o caso. Agora, até marcas como a Opel e Renault trazem inspiração dos ecrãs gigantes que dominam os interiores da Tesla.

 

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