Numa coluna publicada esta sexta-feira (3) no The New York Times, o enteado de Chuckie O’Brien condena a forma como o padrasto é retratado no filme The Irishman. Jack Goldsmith defende O’Brien daquele que considera ser “de longe a maior representação da acusação falsa contra meu padrasto”.

O filme de Martin Scorsese, lançado a novembro de 2019, retrata o envolvimento de Frank Sheeran, interpretado por Robert de Niro, no misterioso desaparecimento de Jimmy Hoffa (Al Pacino). Outra das figuras acusadas pelo filme é o próprio filho adotivo de Hoffa, Chuckie O’Brien (Jesse Plemons) que, segundo a longa-metragem, participou indiretamente na morte do pai.

Na sua carta polémica ao jornal norte-americano, Goldsmith acusa Martin Scorsese de usar mentiras para criar a trama de The Irishman. Afirmando que o realizador se apropriou da relação de Hoffa com o filho, o enteado de O’Brien sublinha que “o filme é alta ficção.

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Jesse Plemons assume o papel de Chuckie O’Brien

No mesmo artigo, é abordada a reação descontente de Chuckie O’Brien perante a forma como é retratado. De acordo com Goldsmith, após ter assistido a longa-metragem, o padrasto mostrou-se bastante exasperado: “Eu gostaria de agarrar aquele Scorsese e sufocá-lo como uma galinha.”

Porém, The Irishman não é a única obra cinematográfica a ser condenada. Os filmes Absence of Malice, de 1981, e Hoffa, de 1992, também são recriminados na sua tentativa de dar vida a O’Brien. Ainda assim, é o trabalho de Scorsese que Goldsmith assinala como sendo “a pedra angular da humilhação de 44 anos de meu padrasto”.

Apesar da polémica, The Irishman, baseado no livro I Heard You Paint Houses, de Charles Brandt, está a concorrer a vários prémios na entrega dos Globos de Ouro, incluindo à categoria de Melhor Filme, e é o principal candidato ao Óscar de Melhor Imagem.