Amar Pelos Dois Salvador Sobral

Retrospetiva. 2017: O triunfo da música portuguesa

Antes de fecharmos a década, não nos podemos esquecer de homenagear a nossa terra lusitana. Desta vez, não cantamos A Portuguesa, mas trazemos uma coletânea de hinos. E decidimos aterrar em 2017 para nos recordar de como os portugueses se emocionaram em Kiev.

A 62.ª edição da Eurovisão

O Festival da Canção já elegeu números que proporcionaram memórias durante anos, alguns ambiciosos o suficiente ao ponto de nos deixar desiludidos que não tenham conseguido posições mais altas no final do concurso europeu.

Antes de partirmos para as mais recentes, recordemos:

  • Simone de Oliveira, ‘Desfolhada Portuguesa‘ (1969)

A portuguesa já tinha estado na lista de favoritos do Festival da Canção em 1958 e, depois, em 1965, com ‘Sol de Inverno‘, que levou à Europa.

  • Paulo de Carvalho, E Depois do Adeus (1974)
  • Carlos Paião, ‘Playback‘ (1981)

  • Da Vinci, ‘Conquistador‘ (1989)
  • Dulce Pontes, ‘Lusitana Paixão’ (1991)

  • Homens da Luta, ‘A Luta É Alegria‘ (2011)

Uhhh…. Ainda não sabemos bem o que aconteceu neste ano.

Em 2011, o desinteresse pelo Festival da Canção e pela Eurovisão já era palpável, não cativando as camadas mais jovens. Mas o panorama alterou, abruptamente, na segunda metade da década, com um vencedor peculiar na fase nacional.

Vamos ser honestos: as opções não eram muitas e houve quem ficasse chocado com a vitória de Salvador Sobral no Festival da Canção de fevereiro/março de 2017. Foi um caso que, a início, se estranhou, e só depois entranhou. Foram vários os que acharam a música insuficiente para o programa da dança, dos foguetes, da exuberância, criticando a postura do músico nas suas atuações.

O público da Eurovisão, em maio de 2017, e que provavelmente incluiu esses espectadores atentos, teve uma opinião contrária.

Salvador Sobral foi sincero, e foi um ato que resultou uma só vez (vejamos pelas tentativas posteriores de fazer algo semelhante, seja em ‘O Jardim‘, o tema que Portugal apresentou na Eurovisão de 2018, em Lisboa, que apesar de ser belo já não era novidade).

LÊ TAMBÉM: 2019: ‘O SOL VOLTOU’ E DEU A LUÍS SEVERO O DISCO NACIONAL DO ANO

Foi a primeira e única vez que Portugal venceu a Eurovisão, e com o trabalho conjunto de Salvador e Luísa Sobral, que o primeiro tratou de explicar ser música com sentimento, não precisávamos de explicações, porque sentimo-lo também.

Apesar da tendência atual para dar menos atenção a estes dois momentos de música – nacional e europeia – anualmente, a 51.ª edição do Festival da Canção e a 62.ª edição da Eurovisão deram uma nova esperança à música portuguesa.

Visita aquitag da Eurovisão no Espalha-Factos para todas as novidades e para reveres momentos passados, em que quisemos estar presentes.

E antes de fechar, não nos podemos esquecer de mostrar o que é que o Salvador anda por aí a fazer. Ele, de cujo os entusiastas tanto temem que só o recordem por causa do concurso europeu, usou as palavras “a Eurovisão foi a minha prostituição” no início deste ano.

O que mais aconteceu na música portuguesa durante esta década?

A vitória da música portuguesa na Eurovisão de 2017 foi um impulso para que os talentos no país se começassem a expressar, especialmente por parte dos mais jovens. No ano seguinte, ficámos a conhecer Isaura e recordámos Cláudia Pascoal, que alguns já conheciam dos concursos de talentos em que cantou e encantou com o seu tom peculiar.

Mas clássicos são clássicos, e os portugueses não abdicam deles. Se não é por ouvirmos Rui Veloso e Pedro Abrunhosa nos cafés, é por reconhecermos o caminho que bandas da geração X estão a percorrer no sentido de se tornarem tão clássicos quanto eles: quem é que não conhece Os Azeitonas, os Amor Electro, ou os The Gift hoje em dia?

Concursos de talentos: máquinas enferrujadas que, de vez em quando, funcionam

Os Ídolos seriam um bom exemplo se o formato não tivesse já sido ultrapassado na década anterior, dando espaço a outros, como o X Factor – que em Portugal teve pouco tempo de antena – e, o mais popular, The Voice Portugal. O Espalha-Factos já analisou este tópico, e o Paulo Ricardo Pereira conta-nos tudo sobre o legado do programa aqui:

The Voice Portugal: O que é feito dos ex-vencedores?

Foi através destes programas que encontrámos vozes incríveis, algumas mais bem sucedidas na indústria do que outras, independentemente de serem os vencedores do programa ou não.

Tomemos como exemplo esta jovem, que nem convenceu os júris nas Provas Cegas e já tem a versão de estúdio disto a tocar na rádio semanalmente:

Da edição de 2016/2017, o vencedor não nos é desconhecido, depois de nos dar a melhor interpretação de uma música tão difícil quanto qualquer canção de Adele, ‘When We Were Young‘ – Fernando Daniel.

Mas não deixemos que a vitória nos distraia dos grandes talentos descobertos nessa mesma edição, como é o caso de Francisco Murta, ou dos que encontrámos um ano depois, como Tiago Nacarato. Sugerimos uma pesquisa pelos seus nomes no Google ou no Spotify para surpresas agradáveis.

LÊ TAMBÉM: The Voice Portugal 2019 – as atuações que viraram todas as cadeiras na estreia

O regresso dos mais emblemáticos

Muita coisa tem acontecido nos últimos anos na indústria musical portuguesa, mas nada se sente mais do que voltar a ouvir ao vivo aqueles que marcaram as nossas décadas anteriores.

Da Weasel e Ornatos Violeta vieram contar-nos uma história bonita em 2019. Não nos trazem conteúdo novo, apenas a sua honestidade artística e a vontade de cantar com o seu público favorito.

Quanto aos amigos do monstro estamos conversados: encheram o NOS Alive e o MEO Marés Vivas de sentimentos nostálgicos, durante o verão, e depois inauguraram perfeitamente o novo Pavilhão Super Bock Rosa Mota, no Porto, de 31 de outubro a 1 de novembro. Agora os lisboetas têm a sorte de os ter, em conjunto com os Xutos e Pontapés, para lhes garantir uma boa entrada em 2020.

Já os Da Weasel trataram da Nina e agora vêm tratar de nós no NOS Alive 2020, anúncio feito em direto da edição de 2019. É seguro dizer que teremos mais de uma geração a vibrar com os temas do grupo.

LÊ TAMBÉM: Adivinha quem voltou e recorda a história dos Da Weasel no momento da ressurreição

E ainda… uma lista portuguesa fiel à década que podes querer ouvir:

  • Amor Electro, ‘A Máquina‘ (2011)
  • HMB, ‘Dia D’ (2011)

  • Luísa Sobral, ‘Xico‘ (2012)
  • Doismileoito, ‘Quinta-Feira‘ (2012)

  • Linda Martini, ‘Boca de Sal‘ (2018)
  • João Couto, Canção Só (2018)
  • Sérgio Godinho, ‘Grão Da Mesma Mó‘ (2018)

  • Janeiro, ‘Solidão‘ (2018)

  • Tiago Bettencourt, ‘Trégua‘ (2019)

  • Miguel Araújo, ‘Talvez se eu Dançasse’ (2019)

  • Capitão Fausto, ‘Boa Memória’ (2019)

  • Isaura, Luísa Sobral, ‘Uma Frase Não Faz A Canção’ (2019)

  • Cláudia Pascoal, Samuel Úria, ‘Viver‘ (2019)

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