Maria Flor Pedroso (RTP) no Parlamento. Caso Sextas às 9.
Fotografia: José Sena Goulão/Lusa

Conselho de Redação vai contra plenário de jornalistas e defende Maria Flor Pedroso

Exatamente 14 dias depois da demissão de Maria Flor Pedroso, o caso teima em não sair da ordem do dia. O Conselho de Redação (CR) da RTP vem agora contrariar o comunicado do plenário de jornalistas, que acusava a jornalista de deslealdade, e defender a diretora de informação demissionária.

É exposta a fratura na redação do canal público, com os membros do CR a sublinharem em deliberação que não deve ser “imputada qualquer acção ilegítima” à diretora e à diretora-adjunta Cândida Pinto no caso relativo à reportagem que o programa Sexta às 9 estava a fazer sobre o ISCEM, onde Maria Flor Pedroso era docente.

O órgão da redação acrescenta ainda que “não foi apurada nenhuma evidência sobre qualquer tipo de interferência política na decisão da direcção de Informação de não emissão do programa Sexta às 9 durante a campanha eleitoral” de outubro. Recordamos que, em novembro, a jornalista Sandra Felgueiras sublinhou que esta interrupção aconteceu pela primeira vez em sete anos.

Sobre este assunto, o CR alerta que de modo a preservar “o bom nome da redação” da estação pública, os autores de acusações sobre esta matéria devam comprová-las “de forma irrefutável“.

O CR defendeu igualmente que um programa de jornalismo de investigação “não pode ficar dependente de constrangimentos de recursos humanos provocados pela sazonalidade” e ainda que deve haver uma “clarificação da linha hierárquica” seguida por este tipo de programas, de modo a que seja preservada a “autonomia das equipas de repórteres“.

Lamentam ainda a polémica que envolve o Sexta às 9 desde setembro, bem como o “clima de conflitualidade” existente, pedindo que sejam retomadas a “normalidade e tranquilidade fundamentais” para prosseguir um jornalismo de serviço público. O CR sublinha ainda que estes diferendos devem ser resolvidos entre portas, considerando “indesejáveis” as fugas de informação, que são “lesivas” da redação e credibilidade da RTP.

Este comunicado contraria de forma clara a deliberação do plenário de jornalistas de há duas semanas e volta a adensar as dúvidas sobre a representatividade do mesmo. Na altura, poucos dias depois da sua divulgação, a jornalista Rita Marrafa de Carvalho revelou no podcast Dia de Reflexão que apenas 25% dos jornalistas da redação participaram no dito plenário e demarcou-se do mesmo. O Público desta segunda (30) faz um diagnóstico ainda pior e diz que este é representativo de apenas um quinto dos jornalistas – 63.

Nesse comunicado revelado inicialmente em nome dos repórteres da RTP, a ação da diretora de informação foi enquadrada como “deslealdade” para com a redação e “violação dos deveres deontológicos“.

Não houve “intenção propositada” de prejudicar a investigação ao ISCEM

No que diz respeito, especificamente, à investigação ao caso ISCEM, no qual a diretora de informação terá aconselhado a diretora da escola superior a responder por escrito aos jornalistas do Sexta às 9, os eleitos do Conselho de Redação consideram que não existiu “nenhuma intenção propositada por parte da directora de informação no sentido de prejudicar a investigação“.

Isto não inibe no entanto o CR de considerar que Maria Flor Pedroso devia ter tido”maior bom senso (…) quando questionou o ISCEM com recurso a informação privilegiada, referente a uma investigação jornalística em curso“.

Estes jornalistas afiguram “manifestamente desejável a existência de extrema prudência na abordagem de matérias sob sigilo profissional dos jornalistas, em particular nas situações em que possa vir a ser alegado um eventual conflito de interesses“, sublinham.

No entanto, o Conselho de Redação acredita que o intuito desta responsável era “auxiliar a reportagem“. Só que, para isso, devia ter avisado de imediato a equipa do Sexta às 9 acerca da conversa com a diretora do ISCEM.

Conselho de Redação ouvido pela Comissão da Carteira

A deliberação do Conselho de Redação divulgada na noite deste domingo (29) surge na sequência de um pedido de explicações da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista acerca das violações aos deveres deontológicos que foram imputadas à Direção de Informação demissionária, nomeadamente os relativos à confidencialidade das fontes e ao sigilo profissional.

Há duas semanas demissionária, a RTP tentou substituir Maria Flor Pedroso por José Fragoso, diretor de programas da RTP1, que acumularia os dois cargos. A Entidade Reguladora para Comunicação Social (ERC) vetou o nome do jornalista.

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