paramore punk pop

Retrospetiva. 2016: Green Days e um pouco de pop punk

Os millenials decerto se lembram dos anos do auge dos estilos alternativos nos anos 2000, marcados pelo crescer de sentimentos adolescentes de revolta exprimidos na música e na aparência – era a época dos scene, dos emo e das reminiscências do punk (o grunge acabara nos anos 90, ainda que alguns o tentassem manter vivo).

Cerca de uma década depois, os míticos Fall Out Boy fizeram com que o pop punk regressasse aos charts, aquando do lançamento do álbum American Beauty/American Psycho (2015) – já agora, títulos de dois grandes filmes a explorar.

Estamos entre 2013 e 2016. Os Pierce The Veil e os Sleeping With Sirens dão-nos King For A Day e marcam uma nova geração de misfits (ou tentativas de tal); os Green Day estão de volta; os Twenty One Pilots crescem em popularidade; os alternativos do punk pop estão não na rua, mas nos covers do YouTube.

Hoje, o Espalha-Factos faz-te uma retrospetiva dos que lá estiveram para apoiar jovens emocionais e confusos.

Kids in the Dark

Ou o principal single (do sexto álbum de estúdio, Future Hearts, 2015) da banda norte-americana e igualmente descrição acolhedora para os fãs. All Time Low estão no ativo desde 2003 e, desde então, impactaram duas diferentes pseudo-gerações de quem precisou de uma voz amiga, especialmente nos seus últimos álbuns.

Mas os antecedentes não mostraram apenas mensagens de apoio: os All Time Low destacam-se por serem divertidos e quererem divertir, o que não faz mal a ninguém – para os interessados, Dirty Work (2011) ou Don’t Panic (2013) são as recomendações. O trabalho de 2011 inclusive deu à banda o prémio de Álbum do Ano pela Alternative Press Music.

O próprio estilo musical dos mesmos centra-se, consistentemente, no pop punk/pop rock. É uma banda formada entre amigos, ainda nos anos escolares, e as suas inspirações são nomes como Blink-182 ou Green Day.

Heavy Metal Broke My Heart

O nosso também está quebrado, mas foi pelos Fall Out Boy, durante os anos de pausa anunciados em 2009.

Ainda assim, sabemos que os mais desatentos vão achar difícil crer que, inicialmente, em 2001, o som dos Fall Out Boy era muito mais grave, tendo-se desenvolvido no ambiente do metalcore, onde Pete Wentz tinha um pézinho. O seu trunfo tornou-se seguro com Patrick Stump, que eventualmente se tornaria o vocalista da banda de pop punk de Illinois.

Só em 2007 recuperariam o fôlego para investir nesta banda, quando voltaram em força em 2005: com três álbuns de seguida, From Under the Cork Tree (2005), Infinity On High (2007) e Folie à Deux (2008). A partir daqui pedir-nos-iam para dançar, dançar; agradeceriam pelas memórias; causariam não uma cena mas uma corrida armada; ou, ainda, mandar-nos-iam abaixo com eles, enquanto nos chamavam de doces.

Save Rock and Roll (2013) foi o regresso dos rapazes caídos, após um breve hiatus. Do seu trabalho seguinte, em 2015, já falámos. Mas podes ouvir um pouco dele aqui:

I_Write_Sins_Not_Tragedies.mp3

No início da década, eram uma mão cheia de integrantes – agora, os Panic! at the Disco terminam com apenas um membro oficial, um dos fundadores: Brendon Urie. É o sucedido desde 2015, e o multi-instrumentalista parece estar a dar conta do recado (e garante-nos que nunca vamos encontrar ninguém como ele… ou como Taylor Swift… o que for mais conveniente à audiência).

Tão populares – ou mais – do que os Fall Out Boy, os Panic! at the Disco têm também a versatilidade musical de alterar algo nas suas composições que os mantenham sempre na tendência, independentemente de estarem nos topos dos charts ou não, já que afinal são bandas que começaram o caminho no punk pop/rock. Isto para vos dizer que todas as bandas hoje referidas ultrapassaram a sua fase mais negra (no eyeliner e nas roupas), como todos nós. E não é por isso que nos esquecemos desses gloriosos dias:

Depois das gargalhadas, Paramore

O primeiro contacto que o público mais geral teve com eles foi quando lançaram ‘The Only Exception‘, uma balada sobre o amor e como o mesmo não é perfeito, parte do álbum Brand New Eyes, do ano anterior. A imagem de marca confirma-se: Hayley Williams, que entretanto também vimos em features populares, como ‘Airplanes‘ do rapper B.o.B.

Não obstante, o som dos Paramore começou muito mais agressivo, e já em 2004. É seguro dizer que os fãs mais acérrimos já sentem falta da altura de Riot! (2007).

Mas não dizem que não à alternativa a este som: After Laughter, 10 anos depois (2017), é uma alteração completa do panorama da banda em termos de sonoridade – em palavras continuamos no mesmo tom.

Ao contrário do que Hayley nos canta, não ficámos fake happy com o álbum, mas verdadeiramente contentes, e a forma como o trio explora os tempos difíceis faz-nos crer que podemos afastar as nuvens e aprender com eles. Eventualmente, estaremos tão rose-colored quanto eles gostariam:

Tragam-lhes o horizonte

Poucos se lembram do início da banda de Sheffield na cena musical, e menos ainda os associariam ao que são atualmente – de uma banda ambiciosa para o metalcore, a melhor decisão que o grupo fez foi, de facto, acalmar-se e ir pela via do rock experimental. Se com os três primeiros trabalhos, entre 2006 e 2010, caminhavam na direção de companheiros dos Suicide Silence, a partir de That’s The Spirit (2015) aproximaram-se de mentorados dos Linkin Park – apenas com mais berros.

Aos mais sensíveis e não familiarizados com os Bring Me The Horizon da década passada, cuidado com o que se segue:

No meio dessas duas experiências, encaixar-se-ia Sempiternal (2013), que se eternizou efetivamente através dos seus singles e, nomeadamente, de ‘Can You Feel My Heart‘. Oliver Sykes cantava sobre não poder afogar os seus demónios, bons nadadores, uma das letras mais citadas pelos jovens entusiastas do género musical, no Tumblr ou nas descrições das fotos do Facebook (ao contrário da década anterior, a gen Z não teve grande aproveitamento do MySpace para tal).

Mais recentemente, o grupo apresentou o sexto álbum de estúdio, categorizado como rock alternativo, e contando com features até da caótica GrimesAmo (2019) é um trabalho ambicioso, diferente e que os fãs estranharam, mas entranharam. (P.S. O Anthony Fantano não usou camisola amarela, mas os tons alaranjados da escolha de vestuário e os elogios ao álbum foram um plus.)

Tip: para te manteres vivo, tens de matar a tua mente

Ou Tøp em vez de Tip, já que as palavras são de Tyler Joseph, dos twenty øne piløts.

Nesta década, aprendemos que não precisamos de gente a gritar connosco e de vídeoclipes obscuros (se bem que eles nem sempre fogem a essa tendência) para nos sentirmos emocionados com a música, enquanto adolescentes despreocupados com a música popular.

Mas estes conquistaram uma vasta popularidade, e o primeiro contacto que tivémos com eles foi, para muitos, através dos singles de Blurryface (2015), ‘Stressed Out‘ e ‘Ride‘, ouvidos no rádio, no carro – mesmo depois de os ouvirmos cantar:

Yo, this song will never be on the radio
Even if my clique were to pick an’ the people were to vote
It’s the few, the proud, an’ the emotional

De banda formada mesmo ao virar para os “2010”, Tyler Joseph e Josh Dun acompanharam, aconchegaram e encantaram aqueles que lhes deram atenção nesta segunda metade da década. Dão-nos letras que tocam o coração dos que se identificam como renegados (e prometemos-vos que são muito mais do que isso), para as calcar admiravelmente com o upbeat característico de Vessel (2013) e também de Blurryface.

Em 2016, a Billboard condecorou-os com os prémios de Top Rock Artist e de Top Rock Album – o que gerou alguma controvérsia para os mais elitistas do rock clássico. Já foram duas vezes merecedores de prémios de artistas dos AMA, como Duo Pop/Rock Favorito e Artista Favorito de Alternativa.

2018 alterou-lhes o conceito, mas estamos mais descansados ao ver a evolução que tiveram musicalmente – Trench é poderoso, é experimental e continua a mostrar a essência que nos fez apaixonar pelo duo. Para a revista Rock Sound, Trench foi o álbum do ano.

LÊ TAMBÉM: Trench: o auge dos Twenty One Pilots

O regresso dos clássicos tumultuosos

Dias verdes, prometem os rapazes do punk rock

Os Green Day já tem vindo a observar o que os rodeia desde os anos 90 – 1986 para sermos factuais, mas o primeiro álbum veio apenas 4 anos depois. E só em 1994 começamos a dar atenção ao que estes nos diziam, com o lançamento de Dookie, um dos álbuns que agora consta permanentemente no Rock and Roll Hall of Fame. Daqui saíram os seus primeiros grandes hits, como é o caso de ‘Basket Case‘.

Quem os sentiu mais foram os millennials, que puderam cantar do fundo dos pulmões os temas de American Idiot (2004) ou, no final da década, 21st Century Breakdown (2009).

Nos seus primeiros 30 anos de carreira, já têm três álbuns condecorados com Grammys, sendo eles Dookie, American Idiot21st Century Breakdown, indubitavelmente o seu legado mais palpável (embora não nos deixemos esquecer dos outros 8 álbuns de estúdio do trio).

O décimo-segundo e último à data chegou em outubro de 2016, e vai pelo nome de Revolution Radio. A trilogia que o antecedeu (¡Uno!, ¡Dos!, ¡Tré!, todos de 2012) não foi bem sucedida e as expectativas para este álbum, quatro anos depois, eram mais pela nostalgia do que por se esperar um álbum fenomenal. Revolution Radio pegou em tendências que o grupo explorou na década anterior.

Os indestronáveis My Chemical Romance

Já conseguimos ouvir Gerard Way a prolongar versos ao longe – “I’m noooooooooooooooooot okay” – e ouvir as primeiras notas do piano de ‘Welcome To The Black Parade’, que mobiliza um exército pronto a honrar a banda de New Jersey. Para nos relembrar dos My Chemical Romance na primeira década do milénio, escolhemos uma balada do Three Cheers for Sweet Revenge (2004).

Mas, como aconteceu com (quase) todos os emos que os acompanhavam, o estilo que simpatizava com o gótico apresentado nos vídeoclipes de My Chemical Romance (o próprio nome tornou-se obscuro para todos os familiarizados) transformou-se, eventualmente, em algo mais interessante.

Podemos dançar e ficar sem fôlego com Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys (2010), coisa que podíamos ter feito também nas ocasiões corretas com The Black Parade (2006), mas não teria sido o mesmo. Mostremos-lhes as nossas jazz hands, então.

O futuro é à prova de bala, mas os corações dos fãs não – alvejados quando o grupo anunciou, em março de 2013, que a sua jornada tinha terminado e, com isso, a banda separou-se. Mas os estraga-prazeres estavam longe de ficarem calados e, depois de vários teasers desde o seu fim, que deixavam todos à espera de um regresso e depois se reviam em coletâneas da sua discografia ou simples comemorações de datas significativas, finalmente temos o anúncio do comeback em 2019.

O purgatório acabou, já podemos ir para o inferno com eles. E com quem está a gritar neste vídeo amador, filmado há uns dias em Los Angeles. De nada.

LÊ TAMBÉM: Os factos e figuras do ano de 2019, votados pela equipa do Espalha-Factos

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