Drake em entrevista à Rap Radar
Rap Radar

Retrospetiva. 2015: o legado masculino na pop

Como prometido, passeamos agora pelos que marcaram a música pop em 2015. Eles são os responsáveis pelas maiores mudanças nos seus subgéneros no Ocidente, a maioria datando dos meados desta segunda década do segundo milénio.

Espalha-Factos recorda-te de quem são.

Quem é que está nos 24k?

A resposta é Bruno Mars, e já o conhecemos desde que encantou com ‘Just The Way You Are‘ (do álbum de estreia, Doo-Wops & Hooligans, em 2011) ou entristeceu com ‘Grenade‘. Ou de quando cantou que queria ser um bilionário, com Travie McCoy, em 2010, altura em que ainda não previa a sua networth no final da década ($175 000 000, aproximadamente 156 mil milhões de euros). Mas, bem, para isso é preciso não ser preguiçoso:

Peter Hernandez, que se apresenta como Bruno Mars, mostrou-se tímido ao início mas rapidamente evoluiu para um artista incontornável do R&B contemporâneo, misturando-lhe blues, pop e até reggae. Unorthodox Jukebox (2012) ditá-lo-ia.

Habituámo-nos a ver Bruno Mars a passear de fedora na cabeça, óculos de sol talvez, e atribuímos-lhe automaticamente o adjetivo de funky. Que, em colaboração com Mark Ronson, ele confirmaria:

A canção ganhou-lhes a primeira posição do Billboard Hot 100 ao final de 2015 e dois Grammys para Melhor Colaboração Pop e Gravação do Ano.

Mas os bops de Bruno não pararam por aqui – aliás, em 2015 já se sentia a ânsia pelo seu terceiro álbum de estúdio, que chegaria no ano seguinte pelo nome de 24K Magic (novembro de 2016), cujo principal single lhe é homónimo.

Falemos de um ruivo britânico, que não é o príncipe Harry

2015 foi um ano em pêras para Ed Sheeran e para as suas canções de amor: seja ‘Thinking Out Loud’, o tema romântico que conquistou os corações dos fãs e não-fãs, seja ‘Photograph‘, o tema nostálgico que os aqueceu. Ambos fazem parte do seu segundo álbum de estúdio, x (2014), que o levaram ao topo do UK Albums Chart e do Billboard 200.

Já nos falava de símbolos matemáticos em 2011, quando lançou o seu primeiro álbum, +, onde constam os primeiros pedaços musicais a solo, compostos e cantados pelo rapaz do folk-pop, ainda que o seu trabalho na música remonte à década anterior.

Mais do que ouvirmos a sua música enquanto cantor, o seu trabalho como compositor deve importar – e já valeu hits de topo de tabela, tendo trabalhado com a cantora americana Taylor Swift mais de uma vez e escrito para os mundialmente conhecidos One Direction.

No seu terceiro álbum, ÷ (2017), as baladas ficaram um pouco de lado e deram espaço para que as tendências pop florescessem, mas o resultado disso não foi de agrado de todos, havendo já quem questione como é que Ed Sheeran passou de um compositor ambicioso para produzir apenas música pop que se consome facilmente.

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Independentemente das críticas, o álbum vingou e o seu principal single, ‘Shape of You, conseguiu derrotar o latino ‘Despacito‘ (Luis Fonsi, Daddy Yankee) e arrecadar o primeiro lugar das 100 músicas mais bem sucedidas, nos Estados Unidos, em 2017.

O seu quarto álbum de estúdio é de nome No.6 Collaborations Project (presumimos que acabou a Matemática) e envolveu vários nomes: são alguns eles Justin Bieber, Camila Cabello, Travis Scott, Eminem, Cardi B, Bruno Mars ou até o rapper britânico Stormzy.

Mas não sendo uma surpresa na sua carreira, Ed anunciou que fará uma pausa, e deixou uma nota aos que o acompanham no passado dia 24 de dezembro. Feliz Natal, Ed!

O abalo estrondoso de Abel Tesfaye

Ou, por outras palavras, The Weeknd, que começou a sua carreira musical no início da década. Depois de três mixtapes, uma tour e o álbum de estreia em 2013, Kiss Land, foi em 2015 que conquistou o público com o seu segundo álbum de estúdio, Beauty Behind The Madness.

O canadiano ocupou honrosamente os dois últimos lugares do Top 10 do Billboard Hot 100, nas contas finais do ano de 2015: com ‘The Hills‘, arriscando no R&B e nas influências da mais moderna tendência, trap; e com ‘Earned It’, parte da soundtrack da trilogia 50 Sombras de Grey, que lhe valeu o Grammy de Melhor Performance de R&B.

E fez questão de não deixar que o esquecessemos nos anos seguintes – é um Starboy.

single nomeia também o álbum, de 2016. Starboy conquistou a primeira posição nos charts mundialmente, lá permanecendo até 2017 (nomeadamente, nas tabelas canadiana, americana e dinamarquesa). O R&B de The Weeknd foi compensado com o Grammy para Melhor Álbum Urbano Contemporâneo e com o Juno Award para Gravação R&B/soul do Ano.

Em cerca de 5 anos, Abel Tesfaye, ou The Weeknd, tornou-se num dos artistas com mais vendas nos Estados Unidos e arrecadou três Grammys, oito Billboard Music Awards e dois American Music Awards.

Entretanto, o músico decidiu deixar o mistério pairar no ar, quando desativou as redes sociais a meio do ano. Esperamos agora pelo que se segue ao EP My Dear Melancholy (2018) que, como o nome diz e muito bem, foi uma benesse agridoce para os fãs mais melancólicos.

Vamos ao seu amigo, Drake

Foi em julho de 2015 que ‘Hotline Bling‘ veio ao mundo, sendo o bop de Drake que aguardávamos desde que nos dera ‘Hold On, We’re Going Home‘ em 2013.

rapper já se consolidara na indústria no final da década de 2000, mas vingou em popularidade com as várias colaborações que foi estabelecendo nos últimos anos, fosse com mestres do hip hop ou com o seu amor não correspondido, Rihanna.

2018 foi o seu ano: em janeiro, o EP Scary Hours trouxe-nos o emblemático ‘God’s Plan‘, que depois foi incluído no seu quinto álbum de estúdio, Scorpion, em junho, que tinha também os dois jokers do baralho ‘Nice For What’ e ‘In My Feelings‘. As três faixas estiveram em primeiro lugar na Billboard Hot 100,plano de Deus sendo colocar a primeira referida nessa posição ao final do ano.

Os donos da lírica

A meados da década, o rap fez-se ouvir em peso, e trouxe consigo mais sub-géneros, mais ou menos fáceis de identificar. O interessante nesta nova vaga é exatamente essa divergência entre os artistas.

Podemos falar do n.º 4 da Billboard Hot 100 de 2015: Fetty Wap, que o alcançou com ‘Trap Queen’. E bem que podemos falar de trap aqui, visto que é um dos pioneiros do género que, desde então, tem tido adesão não só do público como de vários artistas, novos na indústria ou vindos de outros géneros.

Quem não poderia faltar nesta lista é o legendário Kendrick Lamar, que em 2015 lançou To Pimp a Butterfly – dando-se início ao debate acérrimo sobre qual o melhor álbum do artista, se o inédito de 2015, se Good Kid, M.A.A.D City (2012).

Sugerimos uma apreciação igual dos dois e ignorar o facto de a Pitchfork se recusar a repetir o 9,5/10 de Good Kid, M.A.A.D City para To Pimp a Butterfly – tem 9,3/10.

Apesar de experimentar com vários sons, inclusive trap, Kendrick Lamar é conhecido por estar fora dos subgéneros do hip hop. O seu classicismo vem disso e, antagonicamente ao classicismo, valorizamo-lo pelas letras intensas e irónicas.

trap e o hip hop vingaram em conjunto e assim se fizeram nomes impactantes como Migos, A$AP Rocky, Travis Scott ou ainda, o mais alternativo e avant-garde, Vince Staples.

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Pára o disco – chegou a vez de Tyler, The Creator, cuja carreira teve uma evolução estranha. O rapper começou por se atirar às pessoas de forma agressiva, para hoje ser possível dançar ao ouvir os sons deste skater boy florido.

O meio-termo foram Wolf (2013) ↑ e Cherry Bomb (2015) ↓.

Flower Boy, em 2017, continuaria a dar-lhe frutos na secção alternativa do hip hop. Em maio de 2019, apresentou IGOR, que estreou no primeiro lugar da Billboard 200, tornando-se no seu primeiro álbum a chegar à posição.

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O génio criativo de Tyler, The Creator é importante; e também é importante analisarmos a ironia nas suas letras. De forma controversa, o artista tem abordado temas relevantes, tocantes especialmente à sociedade americana, mas não excluindo o resto do mundo.

Quem também o faz é o multi-facetado Childish Gambino, ou Donald Glover em sua melhor justiça, porque o primeiro é apenas o músico, e o segundo é o músico, o ator, o produtor, o humorista.

Entre 2013 e 2015, os temas de Because the Internet entreteram os internautas, com uma duração tão longa quanto as faixas do álbum (19). Não há quem não saiba os versos de ‘V. 3005‘, os mais ambiciosos de ‘IV. Sweatpants‘ até. Entretanto, o homem andou ocupado a fazer filmes de super-heróis e de fantasia no espaço.

O auge de Childish Gambino chegou em 2018, descreve a América com dance moves e um coro entusiasmantes…  ao contrário da letra e do significado por trás desta. E não precisa de muitas mais palavras:

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