Retrospetiva. 2014: O legado feminino na pop

Para os sexto e sétimo artigos de retrospetiva de música, o Espalha-Factos traz-te os trunfos mais evidentes da década. E, não que apoiemos isto noutro contexto, fazemo-lo separando as poderosas vozes femininas das tendências que o pop trouxe com o legado masculino, a partir de 2014 e de 2015.

Comecemos por 2014, e guiemo-nos pelo que o público diz. Fica já o spoiler sobre o número 1: Happy, de Pharrell Williams. Nas posições seguintes, apesar de Ed Sheeran e John Legend serem fortes, acabamos por destacar uma panóplia de artistas femininas – algumas delas, no início da sua carreira.

O título de incontornável vai para… Ariana Grande

Ariana Grande, que na verdade até é conhecida por ser pequena, era uma cara já familiar aos assíduos espectadores do Nickelodeon (isto para os mais novos).

A artista terminou o ano de 2014 com o singleProblem‘, cantado com Iggy Azalea, no 9.º lugar do Billboard Hot 100. Mas não é a única incluída: ‘Bang Bang‘, com Jessie J e Nicki Minaj e ‘Break Free‘ são outros títulos.

Apesar de Ariana Grande ainda não bater as primeiras posições nos charts internacionais, foi a partir de 2014, com o álbum My Everything, que a artista se começou a destacar.

O seu debut a solo dera-se um ano antes, com Yours Truly que, mesmo tendo alcançado o primeiro lugar da Billboard 200, não foi suficiente para levar Ariana ao grande público. A sua estreia musical teria sido, no entanto, num projeto conjunto, enquanto voz de Cat Valentine, personagem que interpretou no programa Victorious.

A partir destes três singles destacados, Ariana construiu uma fanbase sólida, uma imagem de marca e tornou-se numa inspiração para vários.

E por falar na Iggy Azalea…

(já que não ouvimos falar dela há alguns anos), a rapper também consta dos favoritos de 2014. A ela junta-se Charli XCX. Deram-nos ‘Fancy‘, um ícone cujo vídeoclipe é uma rendição moderna do clássico filme Clueless, de 1995. É a quarta música mais bem sucedida de 2014 nos Estados Unidos.

De todos os seus anos de carreira, 2014 é capaz de ter sido o mais impactante: participou honrosamente em três músicas incluídas nos primeiros 100 lugares de charts referentes a streams em aplicações de música – ‘Fancy‘, ‘Problem‘ e ‘Black Widow‘ (com Rita Ora).

Também com ‘Boom Clap’, Charli XCX marcou o ano na soundtrack de um dos filmes mais aguardados de 2014, The Fault In Our Stars, baseado no livro com o mesmo título de John Green.

Rap feminino – chamem a Nicki!

Hoje, o cenário é partilhado por várias artistas. Mas em 2013 o altar era praticamente de Nicki Minaj, ainda que artistas como Iggy Azalea se tenham aproximado. Estamos a falar do rap pelas vozes femininasAinda se lembram de ‘Anaconda‘? O vídeoclipe tem mais de 900 milhões de visualizações, é praticamente impossível que alguém se tenha esquecido.

Mas Nicki Minaj não começou aqui: os mais dedicados sabiam a letra de ‘Starships‘ e ‘Super Bass‘ de cor ainda antes deste single ser algo dentro da mente de alguém. Nicki Minaj evoluiu musicalmente e, apesar de ser divertido cantá-las de forma entusiasta, é mais interessante ver o que a rapper entretanto alcançou:

A novembro de 2018, Nicki Minaj tornou-se na primeira artista feminina com cem entradas (próprias ou participações) na Billboard Hot 100, cortesia do tema de Tyga em que participa, ‘Dip‘.

(Além disso, participa num hit conjunto com uma artista já mencionada no artigo. É o singleSide To Side, com Ariana Grande. Esteve no número 1 do Mainstream Top 40 da Billboard, embora no Hot 100 só tenha chegado à quarta posição.)

Miley Cyrus – reminiscência da bola demolidora?

A princesa da Disney chocou audiências com o seu comeback musical em 2013. Em primeiro lugar, com o hit festivo ‘We Can’t Stop‘, onde nos apresentou a sua mudança radical de visual; e só depois, o caos total em ‘Wrecking Ball‘, que resulta de um coração partido, mas que nos dá falhas na compreensão quando envolve martelos e movimentos obscenos associados a estes.

single continuou no Top 50 do Billboard Hot 100 no ano seguinte ao seu lançamento – a Hannah Montana tê-lo-ia invejado. Faz parte do seu passado.

A cantora e atriz americana atravessou fases bastante diferentes na sua carreira, sem nunca se afastar da música pop, desde a superstar escondida numa adolescente normal no canal infantil, à superstar excêntrica que conhecemos durante esta década.

Independentemente das polémicas em que se envolveu nos últimos 10 anos, Miley Cyrus foi capaz de passar uma mensagem de empoderamento e de liberdade para ser quem ela quer ser. Use a roupa ou o penteado que usar, namore com um Liam, com uma Stella ou com um Cody, cante o que cantar.

Lorde – ou o porquê da alternativa pop ser importante

A jovem australiana foi uma novidade em 2013, com o single Royals‘. Foi nos charts de 2014 que a audiência rebentou: tanto o debut single como ‘Team‘ constam no Top 20 da Billboard Hot 100 ao final do ano.

Mas Lorde não se fez de charts. Em primeiro lugar, teve de enfrentar a crítica popular quando se viu nomeada para categorias de rock com o seu álbum, Pure Heroine (2013). Mas os críticos aclamados não deixaram que isso desanimasse a sua música. Lorde não pertence nem às categorias de pop nem às categorias de rock, mas uma coisa é certa: a novidade era merecidamente apreciada. Pure Heroin falou-nos da adolescência, do mundo, e mais do que isso, deu-nos o murro no estômago que é ouvir – e ler – o transmitido em Ribs‘.

“This dream isn’t feeling sweet
We’re reeling through the midnight streets
And I’ve never felt more alone
It feels so scary, getting old”

Em 2013, Lorde foi a jovem mais influente do mundo pela Time. E Billie Eilish quebrou o recorde este ano (2019), mas Lorde foi a artista mais nova a conquistar o primeiro lugar da Billboard Hot 100 – tinha apenas 16-17 anos.

LÊ TAMBÉM: When We All Fall Asleep, Where Do We Go? é o álbum internacional de 2019

Em 2014, com os nomeados de 2013, a Canção do Ano, para os Grammy Awards, era sua:

Entretanto Lorde cresceu, encontrou o seu som e expô-lo de forma estrondosa em Melodrama (2017) – todo um álbum sobre corações partidos e como passar isso em frente, fazendo-o com e por nós próprios.

Menção honrosa: Lana del Rey

Elizabeth Grant moldou a música quando lançou Born To Die, em 2012, álbum que incluiu músicas emblemáticas como ‘Video Games’ ou ‘Blue Jeans‘ – que entretanto inundaram o YouTube de covers de pessoas que muito divergem entre si.

A cantautora refere frequentemente a cultura pop, com elementos remetentes a décadas anteriores e com cinematografia q.b., nas suas músicas e nos seus vídeoclipes, algo que se mantém desde o início da sua carreira. Em 2014, deu-nos o seu terceiro álbum de estúdio, Ultraviolence, um ano depois Honeymoon e, em 2017, Lust for Life, dois álbuns dissonantes do ouvido em 2014.

Norman Fucking Rockwell! é a forma como regressa em 2019, continuando a apostar na vanglória a Califórnia e nas histórias românticas psicadélicas que só Lana del Rey pode contar.

Para fechar, relembramos-te do trabalho conjunto de Lana del Rey, Ariana Grande e Miley Cyrus neste 2019, que as une nas suas divergências de estilos. E usamo-lo como prova da sua importância na indústria durante os últimos 10 anos.

Recorda ainda…

Aquelas que fizeram a década na música pop, e que começaram a construir a sua carreira na música na década anterior.

Como é o caso de Katy Perry, que nesta altura lançou o single ‘Dark Horse‘, a segunda música mais bem sucedida nos Estados Unidos da América em 2014. No mesmo chart, ‘Roar‘ e ‘Birthday‘ também aparecem.

A artista lançou-se ao estrelato em 2008, com o álbum One of the Boys, de onde saíram emblemáticos singles como ‘Hot N’ Cold‘ ou (o icónico mas controverso) ‘I Kissed A Girl‘.

Uma década depois, cheia de altos e baixos – não, Katy, ninguém se esqueceu da fase estranha em que se perguntou se Matemática e Ciência estão relacionados ou do vídeoclipe de ‘Bon Appétit -, a sua carreira continua firme e a americana eterniza-se no mundo da música pop.

Há mais, e já nos dedicámos a elas – podes encontrá-las nos artigos de retrospetiva anteriores, clicando aqui nos seus nomes: Taylor Swift, Beyoncé e Lady Gaga; Amy Winehouse e Adele.

LÊ TAMBÉM: 2013, o ano das boybands
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