Protestos em Hong Kong em junho de 2019
Studio Incendo, Flickr

2019: Manifestações em Hong Kong são evento internacional do ano

2019 foi um ano marcado por inúmeras manifestações a nível mundial: desde a Catalunha, à Bolívia, ao Chile até Hong Kong. Todos estes acontecimentos foram marcantes e terão repercussões futuras – daí ser importante relembrá-los e conhecê-los.

A redacção do Espalha-Factos escolheu as manifestações em Hong Kong como evento internacional do ano.

Hong Kong ‘levantou a voz’

A cidade de Hong Kong tem sido palco de manifestações desde junho de 2019 até hoje. Vamos por partes:

  • Os protestantes estavam, inicialmente, contra uma lei do executivo de Hong Kong que permitiria a extradição de pessoas acusadas de certos crimes para “território chinês”. Ora, a China tem um regime distinto de Hong Kong (que é uma região autónoma especial, com o seu governo, as suas leis e que vive em democracia, apesar de fazer parte do continente chinês) e os julgamentos decorreriam sob a lei chinesa.
  • O governo chinês defendeu a medida alegando uma necessidade de manter a ordem numa região autónoma como Hong Kong e combater a criminalidade.
  • Os protestantes relembraram que a taxa de condenação na China é de 99%, que as leis são distintas e que a nova lei sujeitaria os cidadãos de Hong Kong a tratamentos abusivos e a julgamentos injustos – nomeadamente de opositores ao regime chinês que vivem em Hong Kong.

A lei acabou por ser retirada em setembro mas os protestos continuaram, com os manifestantes a aumentar as exigências. Hoje, estas exigências vão desde a reforma do sistema político ao escrutínio da ação policial. 

Protestante em Hong Kong com cartaz anti-extradição
Protestante segura cartaz contra a extradição.

Maior força policial aumentou as exigências 

À medida que o tempo foi passando, trazendo consigo mais manifestações, a polícia interveio. A primeira demonstração contra a lei foi uma marcha pacífica. No entanto, os protestos foram acentuando-se e as forças policiais começaram a utilizar métodos como gás pimenta e lacrimogéneo para conter os manifestantes. O executivo chegou também a proibir a utilização de máscaras para cobrir o rosto, de forma a que os manifestantes fossem devidamente identificados.

Entre os grupos de protestantes há grupos pacíficos e outros mais violentos, aos quais a polícia tem respondido igualmente com violência. O auge da violência ocorreu em novembro, quando os protestos fizeram a sua primeira vítima mortal, um estudante de Hong Kong. 

Polícia em protestos em Hong Kong em abril de 2019
Polícia em Hong Kong em abril de 2019. (Fotografia: Jimmy Chan, Pexels)

As 5 principais causas dos manifestantes

  • Exigem que os protestos não sejam considerados motins.
  • Amnistia para os protestantes presos.
  • Uma investigação independente à alegada violência policial.
  • A implementação completa do sufrágio universal.
  • Contra a legislação das extradições, anteriormente referida e que já foi retirada.

Entre as causas de alguns protestos também está o desejo de afastamento de Carrie Lam, a atual chefe do executivo de Hong Kong, que é acusada de colaborar com a China na repressão à região. Há também quem defenda uma total independência de Hong Kong face à China. A região administrativa especial, como é designada, era uma antiga colónia britânica. De acordo com o que foi estabelecido com o Reino Unido, esta Lei e o método “Um País, Dois Sistemas” têm uma data de validade: 2047. O que acontecerá depois desta data, ninguém sabe ainda.

Protestos em Hong Kong
Protestantes em Hong Kong juntam-se com mensagem que lê “Cidade do Gás Lacrimogéneo”

Mas os protestos não ficam por aqui: há protestantes contra os primeiros protestantes. Já foram feitas em Hong Kong manifestações contra a escalada de protestos que originou toda esta situação e defensoras do atual executivo.

Protestos sem fim à vista

O presidente chinês, Xi Jinping não tenciona ceder às reivindicações dos manifestantes e já fez saber que tudo vai fazer para manter a ordem na região. Pequim tem hesitado na hipótese de intervenção militar devido ao valor económico da região e ao receio de que muitos negócios deixem o território.

No passado dia 24 de novembro, no entanto, os resultados das eleições para os conselhos distritais de Hong Kong deram força aos manifestantes. As forças anti-Pequim passaram a dominar 17 dos 18 órgãos locais. Já o governo chinês respondeu com um apoio reforçado a Carrie Lam.

Violência policial nos protestos de Hong Kong
Polícia segura cartaz que ameaça violência contra manifestantes, em dezembro de 2019.

Nos últimos dias os manifestantes voltaram às ruas, nomeadamente a centros comerciais, causando distúrbios nestes centros, usualmente cheios em época natalícia.

Com o fim de 2019 à vista, veremos o que 2020 trará para o futuro de Hong Kong.

Lê também: 2019. GRETA, A INCONTORNÁVEL FIGURA INTERNACIONAL DO ANO

 

Mais Artigos
‘Portugueses pelo Mundo’ está de regresso à RTP1