Não restam dúvidas: o álbum When We All Fall Asleep, Where Do We Go? de Billie Eilish é, para o Espalha-Factos, merecedor do título de álbum internacional do ano.

É o álbum de estreia da jovem, que só recentemente completou os 18 anos (a 18 de dezembro), e que tem conquistado gradualmente o público desde o seu EP Don’t Smile At Me, em 2017.

Porquê When We All Fall Asleep, Where Do We Go? e não outro álbum da incrível coleção que 2019 nos deu?

Passamos a explicar:

O álbum foi lançado em março de 2019, mas a sua composição remonta a 2016, antes ainda da cantora lançar o EP que a tornou conhecida. Decerto que isto é uma prática comum no mundo da música, mas eis o impressionante: em 2016, Billie Eilish tinha apenas 14–15 anos e, nessa altura, já compunha as suas canções.

Não o fez sozinha. A sua carreira celebra-se em conjunto com o irmão, Finneas O’Connell, que também é artista na área. When We All Fall Asleep, Where Do We Go? é um trabalho conjunto, onde Finneas foi uma espécie de mentor para a irmã mais nova. A produção pertenceu aos dois, e foi toda realizada em sua casa, em Los Angeles.

O álbum valeu nomeações nos Grammys 2020 aos dois: a Billie Eilish, Melhor Artista Revelação (a mais nova da lista), Álbum do Ano e Melhor Álbum Vocal Pop, e a Finneas O’Connell, Melhor Produtor do Ano, Não Clássico.

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Com ou sem prémios, o disco já bateu recordes: segundo a Billboard, o álbum ficou em primeiro lugar no Billboard 200. A artista torna-se também na figura mais nova a ficar em primeiro lugar no year-end Top New Artists. É também a mais nova a conseguir um álbum classificado como year-end Billboard 200 album.

Na Austrália e no Canadá, o disco é certificado platina. No Reino Unido, certificado ouro. Tudo isto até ao final da primeira metade do ano, ou seja, em cerca de 3–4 meses.

No resto do ano, conquistou platina – em alguns casos, mais de uma vez – por todo o mundo: México, Itália, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia; e valeu ouro para os europeus do centro, em França, na Áustria, na Bélgica e na Alemanha.

Então e em Portugal? Billie Eilish é assim tão impactante?

A resposta é afirmativa. E prova-o o concerto que deu em Lisboa, em setembro. Inicialmente anunciado para o Coliseu dos Recreios, em fevereiro, a afluência foi tanta e inesperada que os bilhetes esgotaram num ápice. No final do mês e ainda antes do lançamento do álbum, o concerto foi movido para a maior sala de espetáculos do país, a Altice Arena. Sem alguma surpresa, o concerto da jovem encheu a sala e não deixou bilhete por vender. A surpresa foi o espetáculo em si. E o Espalha-Factos esteve presente:

Billie Eilish na Altice Arena: a pirata da música pop conquista Lisboa

Para os críticos,

É seguro dizer que Billie Eilish conquistou uma audiência louvável, especialmente depois de lermos as opiniões dos mais aclamados. Pela Pitchfork:

“Ela captou uma fanbase jovem com os seus hooks e levantou o dedo do meio ao status quo da música pop; aqui temos esta música que salta entre géneros – do pop ao trap e à EDM – feita por uma cantora jovem fora da lei que usa roupas largas e andrógenas. Ela revirou os olhos, aborrecidos e apáticos, em vez de os piscar para a câmara. Ela encheu os vídeos de lágrimas escuras, agulhas e aracnídeos hors d’oeuvres em vez de girar em torno das paisagens citadinas. A excentricidade arrepiante de Eilish parece removida da fórmula pop; isso ajuda a distanciá-la da maceração historicamente promíscua dos teen idols na indústria musical. Eilish parece mais acentuada, mais ruim e mais autossuficiente – uma estrela jovem de Los Angeles, como é tradição, mas uma que só poderia ter aparecido enquanto as montanhas ardem.”

Billie Eilish tirou o Invisalign e este é o álbum

Se se pensou que a jovem seria uma artista para entreter adolescentes entusiastas da música popular, When We All Fall Asleep, Where Do We Go? provou o contrário. A onda de art pop avant pop presente no álbum é para todas as idades, e vemo-lo quando passa algum dos seus singles no rádio ou nas playlists de qualquer festa ou café, certamente dissonantes (no bom sentido) da música pop frequente. Billie não precisa de cantar alto – sussurra – para passar a sua mensagem.