Luís Severo
Neuza Rodrigues/Facebook Luís Severo

2019: ‘O Sol Voltou’ e deu a Luís Severo o disco nacional do ano

Para o Espalha-Factos, o disco nacional que marcou este ano foi a pequena grande obra prima de Luís SeveroO Sol Voltou. A edição, a 17 de maio de 2019, foi uma agradável surpresa – Severo já prometia um novo álbum há algum tempo e já se sabia que este estava a caminho, mas o disco caiu nas plataformas de streaming como um anjo que cai do céu, sendo que as únicas informações anteriormente concedidas tinham sido as datas dos concertos de apresentação d’O Sol Voltou.

A inspiração veio-lhe durante uma residência na Casa das Artes, nos Açores e, envolto num ambiente tão nostálgico, o álbum que viria só poderia ser bom. A anatomia das canções, neste disco, são familiares aos ouvintes do cantor que, como nos passados Cara D’Anjo (2015) e Luís Severo (2017) faz referências a pontos de Lisboa, e narra acontecimentos quotidianos com um mel na voz que faz com que se tornem etéreos, flutuando numa aura poética, colorida a tons pastel.

“Manhã, corro se o autocarro vem lá
Vou mal vestido e sem comer
Mais cinco horas sentado
Não sei com que cara lhe vou aparecer”

– Cheguei Bem

O Sol Voltou conta com nove canções, 26 minutos de pura primavera, desde as mais ternurentas como ‘Primavera’, ‘Maio’ ou a bela homenagem à juventude e à constante dúvida que ela suscita, ‘Joãozinho’, até às mais melancólicas, como ‘Acácia’, ‘Domingo’ e ‘Última Canção’.

Uh se não há um tempo certo
Para crescer e ficar esperto
Cada qual o seu
Não faz mal cair ter medo
Vá não chores em segredo
Se não choro também eu
Deixa lá, João”

– Joãozinho

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Em entrevista ao Espalha-Factos em junho de 2018, altura em que preparava este novo disco, Severo confessou que “Neste novo disco, que estou a gravar, sinto que já dou outro passo para o sítio que sei que é mais pessoal“. O primeiro nível disto pode se ter dado pelo facto de as guitarras clássicas, acústicas, elétricas e os pianos terem sido todos tocados pelo artista, que compôs e produziu todo o disco sozinho.

As melodias e letras parecem elas também mais ínsitas, como sementes expostas às doses perfeitas de sol a crescerem preguiçosa mas vigorosamente. O concerto de apresentação, no B.Leza, foi também conduzido sozinho, perante uma sala que transbordava e colava-se às famosas janelas com vista para o Tejo.

luis severo
Capa de O Sol Voltou, por João Sarnadas | Fonte: Bandcamp

Em O Sol Voltou Luís Severo vai buscar várias referências da música nacional e internacional – parece invocar a guitarra de Leonard Cohen em ‘Acácia’, as notas iniciais de ‘Joãozinho’ parecem uma homenagem a ‘Com um Brilhozinho nos Olhos’, de Sérgio Godinho, e o fado, como o próprio artista refere, está presente ao longo de todo o disco, como está também o vira-minhoto que, cada vez mais tem vindo a ser explorado por artistas mais jovens, como Éme e uma das irmãs Pega Monstro, Maria Reis (que, em Novembro, lançou um belíssimo disco a solo: Chove na Sala, Água nos Olhos).

Ternura, melancolia folclore e uma pitada de fado são alguns dos ingredientes que fazem deste curto álbum tão grandioso. Luís Severo escreveu o álbum perfeito para a Primavera e, para o Espalha-Factos, para o resto do ano também. Como se não fosse suficiente, no dia de Natal, o artista presenteou-nos com um novo disco. Guitarrinha, gravado ao vivo durante uma pequena residência de Severo no Art Room, em Lisboa.

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