O irreverente Conan Osíris foi eleito pela redação do Espalha-Factos como a figura nacional de 2019. Com o ano novo à porta, passamos, em revista, o ano do artista português.

O ano que está prestes a cessar foi memorável para Tiago Miranda. Para além de ter celebrado 30 anos de vida, o artista, mais conhecido pelo pseudónimo Conan Osíris, foi o escolhido no Festival da Canção para representar Portugal na Eurovisão em Israel. O motivo para essa viagem foi apenas um: a canção ‘Telemóveis’, escrita e composta pelo próprio.

Quando o tema surgiu durante a transmissão da primeira semifinal do Festival da Canção na RTP, qualquer espectador foi apanhado de surpresa. A letra, a mistura de sonoridades distintas, a coreografia algo bizarra de João Reis Moreira e, por fim, a aparência visual de Conan Osíris foram elementos que apimentaram a sua participação no conceituado concurso televisivo. Em teoria, a atuação tinha tudo para correr mal, mas, de forma surpreendente, captou a atenção do grande público.

Nessa semifinal, Conan ficou em segundo lugar, atrás de Matay. Mas a expressão popular foi notória: o músico obteve pontuação máxima no televoto.

As redes sociais depressa mostraram duas facções sobre Conan Osíris. De um lado temos os fãs incondicionais do artista e, do outro, o clã do ódio unido para denegrir Conan. Depois de uma batalha incessante nas caixas de comentários, a final do Festival da Canção ocorreu no início de março e a devoção perante o artista português consumou-se. Apesar de cantar, “vou partir o telemóvel”, os resultados das votações foram claras: os portugueses queriam ver o “rapaz do futuro” a participar na Eurovisão em Tel Aviv

Vou descer a minha escada

Conan Osiris

Fotografia: Diogo Leal Magalhães / Espalha-Factos

A confirmação de Conan Osíris como escolhido para representar Portugal num dos maiores palcos televisivos do mundo foi vista como uma oportunidade de ouro para o jovem artista. Os olhares mediáticos iriam centrar-se na comitiva portuguesa e, principalmente, em Tiago Miranda.

Antes da viagem, Conan Osíris participa, em abril, no concerto de beneficiência face aos estragos que o ciclone Idai causou a Moçambique, num evento designado por “Mão dada a Moçambique” planeado por Selma Uamusse.

Depois disso, a chegada a Israel e o início dos ensaios foram algo atribulados mas Conan Osíris estava mais focado em deixar a sua marca na Eurovisão. A atuação na primeira semifinal aconteceu no dia 14 de maio. No entanto, o impacto de Conan não estremeceu o resto da Europa. O sonho de chegar à final terminou nesse dia e a comitiva portuguesa regressou a casa mais cedo que esperado.

Apesar do clima algo derrotista, a presença de Conan Osíris em Tel Aviv perante a imprensa eurovisiva e os fãs do evento não deixou ninguém indiferente e representou o primeiro passo num ano sólido para o artista português.

Quem mandou a flecha, fui eu

O “falhanço” de classificar-se para a final da Eurovisão não representou necessariamente um desaire para Conan Osíris. Em plena época de festivais de verão, Conan participou no concerto de homenagem a António Variações organizado pelas Festas de Lisboa ao interpretar ‘Maria Albertina’ e ‘Erva Daninha Alastrar’ e atuou no Super Bock Super Rock.

Em novembro Conan Osíris atuou em Macau e na China e, cerca de um mês depois, estreou-se num concerto em nome próprio no Coliseu dos Recreios que o Espalha-Factos presenciou.

Com mais de três milhões de audições de ‘Telemóveis’ no Spotify, espera-se que 2020 traga um novo sucesso de Conan Osíris para confirmar que “o rapaz do futuro” veio para ficar na música portuguesa.