Retrospetiva. 2013, o ano das boybands

O conceito de boybands existe há décadas e, no início deste século, o melhor exemplo para o mesmo eram os Backstreet Boys ou os NSYNC, com um potente legado nos anos 90. Mas a nova geração já não cede aos seus encantos.

É verdade que ficou um pouco esquecido durante a primeira década de 2000. E se o visitarem no Urban Dictionary, não ficarão encantados. Segundo o Cambridge Dictionaryboyband é um grupo de música pop constituído por integrantes masculinos que cantam e dançam. Simples.

2010 ditaria um rumo diferente: é nesse ano que, no X Factor, se formam os One Direction. E depois de dois anos de liderança praticamente única, em 2012 teríamos os The Vamps e em 2013 os Emblem3 para gerar concorrência neste campo. O pop rock transformou-se com os 5 Seconds of Summer, a partir de 2014. E agora, no final da década, o que é que os adolescentes procuram dos grupos de pop?

Neste quinto artigo de retrospetiva que saltita pela música popular da década que agora fechamos, o Espalha-Factos traz recordações dos momentos mais fáceis da adolescência (prometemos ser breves nos mais tristes), passados no quarto a dançar ao som da voz de Harry Styles e Zayn Malik.

Simon Cowell fez magia

E disse que teriam de ser eles.

Estávamos em 2010 quando os cinco rapazes britânicos se juntaram no X Factor UK, formando no programa o grupo dos One Direction. Niall, Louis, Liam, Harry e Zayn não sabiam que, nos próximos três anos, se tornariam na boyband mais bem sucedida da década. (Podes rever aqui as audições de cada um.)

Lançaram-se ao estrelato com ‘One Thing‘, ‘What Makes You Beautiful‘ e ‘Gotta Be You‘, os três grandes singles de Up All Night (2011), ainda com uma marca bastante britânica. Eram a primeira grande boyband britânica depois dos The Beatles, numa época completamente diferente e com um estilo completamente antagónico aos primeiros – mas com o mesmo nível de admiração por parte das fãs.

No segundo álbum de estúdio, os rapazes eram divertidos e românticos – chegava-nos Take Me Home (2012), que se estreava visualmente com ‘Live While We’re Young’ e logo passaria para a balada mais citada da banda, ‘Little Things‘.

Foi nesta altura que a banda conquistou o Reino Unido, e a prova disso é um feature do primeiro-ministro (à altura) num vídeoclipe relacionado com uma campanha de caridade, aquando de um cover dos Blondie:

Em meados de 2013, com Midnight Memories, qos One Direction mostraram um pop rock mais arrojado, não perdendo a sua virtualidade nas baladas mais tocantes (como é o caso da underrated Half a Heart)… Ou nos dance moves questionáveis:

O Zayn disse adeus mais cedo,

E quebrou o coração das fãs do quinteto, pouco depois da entrega do quarto álbum de estúdio, de nome Four (2014). Zayn espalhou a massa, o vinho e mudou a noite das directioners. Estávamos em março de 2015 quando a notícia apareceu repentinamente na imprensa e deixou o mundo em choque. Mas terá sido assim tão chocante?

Olhando para a situação quatro anos depois, qualquer entrevista anterior ao momento já previa a situação. E o artista dentro de Zayn Malik expressou-o: a música produzida enquanto membro dos One Direction não era o seu chá favorito. O rapaz de Bradford queria a sua estreia no R&B, e fê-lo impecavelmente:

Carreiras a sólo (ou a benece do hiatus dos One Direction)

Made In The A.M. (2015) foi o último álbum do grupo antes de anunciarem, publicamente, o seu hiatus – que se prolonga até hoje. Despediram-se com o singleHistory’, acompanhado de um vídeoclipe que reuniu momentos não só dos 4, mas indubitavelmente dos 5:

Apesar dos corações partidos dos fãs, que acharam que o grupo se prolongaria durante mais tempo como dito em várias entrevistas após a saída de Zayn, o outcome deste prolongado hiatus não foi assim tão mau. Principalmente, pela maior liberdade artística dos quatro membros restantes: Zayn já se aventurara no R&B, faltava então Niall, Louis, Liam e Harry fazer o mesmo nas áreas que os puxassem.

Podes clicar nos nomes de cada um, acima, para espreitar os seus últimos trabalhos. Gostos não se discutem – e os quatro rapazes conseguiram agradar diferentes fregueses.

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Antes de largarmos o X Factor…

Viajemos para Los Angeles, onde se assistiu a uma das melhores audições de uma boyband que, não só já existia antes do programa, como já tinha o seu próprio original a apresentar:

Mais uma vez, estamos a falar de concorrentes que não venceram o programa. Mas ganharam a admiração de várias (e vários) adolescentes, entretanto lançando o seu primeiro single em abril de 2013.

Nothing To Lose (2013) foi o álbum de estreia dos californianos Wesley, Drew e Keaton. Além de incluir originais com nomes como “esparguete“, incluem também músicas que os três cantaram no programa de talentos – como a sua interpretação de ‘One Day’, de Matisyahu.

Ao contrário do esperado, a banda acabou por se separar durante alguns anos, com o afastamento de Drew Chadwick, para prosseguir uma carreira a solo. Ainda assim, o grupo teve um comeback este ano… embora não saibamos bem o que pensar disto. Os meninos do reggae pop transformaram-se em… trap?

Honorable mentions: os girl groups

Little Mix são contemporâneas de One Direction – aliás, participaram no X Factor UK um ano depois dos quatro rapazes britânicos e, tal como eles, foram agrupadas no programa. São a primeira e única girlband a chegar tão longe no X Factor: as finais.

Já das Fifth Harmony ouvimos falar mais tarde, embora a sua participação tenha sido no mesmo programa, apenas um ano depois (2012), mas nos Estados Unidos da América. Entretanto perderam um membro, que ficou a ganhar com a carreira a solo – Camila Cabello.

É seguro dizer que o X Factor criou um bom legado.

Os australianos e os britânicos do verdadeiro pop rock

Surpresa: estes trazem instrumentos e encaixam-se, de facto, na categoria de banda. Ambos foram descobertos através de covers no Youtube, que lá continuam para os mais curiosos.

Boysband 2013, 5SOS, The Vamps

Os youngbloods da categoria

São os 5 Seconds of Summer, que num dia solarengo foram descobertos pelos One Direction e começaram a abrir os concertos da boyband pelo mundo fora. Mas antes disso, eram só quatro australianos a fazer o seu melhor em frente a uma câmara, fosse através de covers ou através de originais (que depois foram encorporados no primeiro álbum).

Foi a partir de 2013 que começámos a ver os seus primeiros vídeoclipes – pelas canções ‘Heartbreak Girl’ e ‘Try Hard‘, dois hinos do amor não correspondido. O álbum viria quase no final de 2014, self titled, com re-edições de músicas já lançadas e com a introdução de novos originais. Consagra-se o pop rock.

E verifica-se novamente em Sounds Good Feels Good (2015), do qual resulta o seguinte vídeoclipe – que, caros leitores, é uma mistura estranha entre One Direction e Green Day.

Ao longo dos anos, o conjunto de Luke, Ashton, Calum e Michael foi ganhando uma identidade própria, que felizmente encontramos em Youngblood (2018). Além de um som mais consistente, garantiu-lhes o primeiro lugar em charts australianos e americanos (nomeadamente, o Billboard 200, onde já tinham estado com os dois álbuns anteriores, embora não por muito tempo).

O último pedaço do quarteto que vos apresentamos faz parte da banda sonora do controverso sucesso da Netflix13 Reasons Why, mas cá nós preferimo-lo assim:

E, não menos importantes, os fãs da Taylor Swift

Voltamos às boybands do Reino Unido, para vos introduzir aos The Vamps. Destacaram-se com os seus covers de One Direction e de Taylor Swift – e ambas as interpretações eram encantadoras. Assim encontrámos Brad, James, Connor e Tristan.

Entre os seus primeiros trabalhos originais encontramos ‘Can We Dance’ Wild Heart’, declarações divertidas para dançar no quarto com luzinhas a piscar no fundo.

Mas os meninos cresceram  (menos Brad, o vocalista, que continua com cara de bebé apesar de cantar como quem nos rouba o coração), e entretanto apresentam-se cada vez mais sólidos no pop rock. Além disso, apesar de não ouvirmos falar muito deles especificamente, ouvimo-los por vezes na rádio, em colaborações com artistas como a Demi Lovato ou o Shawn Mendes.

E o comeback do ano vai para…

Jonas Brothers. Conseguem imaginar um artigo de retrospetiva sobre boybands que não inclua estes três?

Eles representaram na Disney com um programa dedicado totalmente a eles, e trabalharam musicalmente até cerca de 2013, quando se afastaram do campo para fazerem outras coisas.

Kevin Jonas começou a criar a sua própria família, Joe Jonas andou a cantarolar por aí com os DNCE e o mais novo, Nick Jonas investiu numa forte carreira a solo.

Em 2019, anunciaram repentinamente um retorno. Depois de nos darem ‘Sucker como o regresso, estamos cativados para o que quer que daí venha.

Mas onde vão parar as fãs das boysband hoje?

fenómeno não é recente, mas a sua globalidade data apenas de 2015: com o boy group BTS. Estamos, claro, a falar do kpop. Se continuas sem conhecer nada do género, encontrámos um vídeo que o pode resumir para ti:

O ocidente ofereceu resistência à chegada do kpop, ainda que em 2012 encontrássemos sempre alguém por aí a cantar “oppa Gangnam style“, enquanto abanava o corpo efusivamente.

Apesar do conceito soar estranho para aqueles que não se encontram envolvidos nele, a verdade é que no kpop não faltam boybands para quem as queira adorar. Mas isso é assunto para outro dia.

LÊ TAMBÉM: RETROSPETIVA. A MÚSICA NO FIM DO MUNDO EM 2012

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