Imagem: Divulgação NOS Audiovisuais

Crítica. ‘És Capaz de Guardar um Segredo?’, o perfeito exemplo de potencial desperdiçado

És Capaz de Guardar um Segredo? é a adaptação ao grande ecrã do livro homónimo de Sophie Kinsella. O filme já chegou às salas de cinema portuguesas e o Espalha-Factos diz-te porque acha que, apesar do potencial, este não consegue ser levado a sério.

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És Capaz de Guardar um Segredo? conta a história de Emma Corrigan, uma jovem mulher que, após uma reunião desastrosa em Chicago, embarca num voo de volta para Nova Iorque certa que irá perder o emprego. Quando uma simpática assistente de bordo percebe o seu estado de espírito, oferece-lhe um lugar em primeira classe. Durante a viagem, o avião apanha turbulência e Emma, com algumas bebidas a mais, entra em pânico. Certa de que irá morrer, conta ao bem-parecido passageiro ao seu lado todos os seus mais embaraçosos segredos. Quando finalmente aterram, sãos e salvos, Emma respira de alívio… até chegar ao escritório na manhã seguinte e dar de caras com o desconhecido do avião, que afinal é Jack Harper, o CEO e fundador da empresa.

Alexandra Daddario e Tyler Hoechlin
Alexandra Daddario e Tyler Hoechlin em ‘És Capaz de Guardar um Segredo?” (Imagem: Divulgação NOS Audiovisuais)

O filme é uma pequena produção independente americana que tenta adaptar o livro com o mesmo título, de Sophie Kinsella, muito antecipada pelos fãs da autora. A longa-metragem conta com Alexandra Daddario e Tyler Hoechlin nos principais papéis, a quem se junta ainda Laverne Cox num dos papéis secundários. Mas os trunfos acabam aqui, pois há vários problemas nesta pequena produção que tenta, mas em última instância falha, traduzir para o ecrã tudo aqui que torna as obras de Kinsella tão adoradas e lidas pelo público.

Aquém das expectativas

A história de Emma (Daddario), embrenhada num mundo empresarial do qual percebe pouco e no qual não tem a confiança necessária para se afirmar, resulta muito bem na página, com as situações embaraçosas em que Kinsella consegue sempre pôr as suas protagonistas e também, no seu âmago, com uma história mais profunda sobre a vida familiar ou a infância dessa personagem principal. Mas se o primeiro aspeto está presente na história, até porque é o mais fácil e o mais comummente representado em comédias românticas, é o segundo que, para quem conhece a obra da autora, falta neste filme.

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Por limitações de recursos ou tempo (ou ambos), a verdade é que a história de Emma é simplificada, resumida e indistinguível das de outras protagonistas de comédias românticas. Esta perde por ser obviamente uma pequena produção, sem os recursos para expandir o mundo à volta das personagens principais. E se isso é verdade para Emma ou Jack (Hoechlin), os protagonistas desta história, o mesmo é ainda mais gritante no caso das personagens secundárias, que apesar de terem de estar lá devido ao seu papel no avanço do enredo, pouco mais acabamos por saber delas.

Pequena redenção

No entanto, uma coisa funciona muito bem no ecrã: Alexandra Daddario e Tyler Hoechlin têm uma boa química e resultam como casal principal desta comédia romântica. Para além disso, é entre os dois que acontecem as melhores cenas do filme – em que a palavra rápida, o embaraço, os silêncios e as conversas fluem melhor. É quando os vemos aos dois juntos no ecrã que temos um vislumbre do livro e do tom que o filme procura atingir mas não consegue manter.

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É notório que o filme tentou fazer jus à obra. Mas, mesmo com o apoio da autora, este filme não consegue, infelizmente, ser tudo aquilo que podia ter sido. Mesmo dentro do cliché, as comédias-românticas podem ser boas. Ou, pelo menos, levadas a sério. Mas este filme é demasiado simples para tal. Apesar de nos deixar com um sorriso na cara e de não ser problemático ou desrespeitoso para com a sua matéria-prima, vai deixar desapontados tanto aqueles que queriam uma adaptação fiel ao livro, como aqueles que o vão ver porque é da mesma autora que criou a história de Louca por Compras ou porque apenas são fãs do género.

No final, És Capaz de Guardar um Segredo? é um filme que tinha potencial para muito mais, baseando-se num livro de sucesso que é, ao mesmo tempo, incrivelmente engraçado e romântico. Mas nem sempre bons livros dão bons filmes. E, apesar da boa vontade de todos os envolvidos, este seguiu a mesma regra.

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