RTP redação
Fotografia: Wikimedia Commons

Comunicado da Redação que acusou Flor Pedroso assinado por apenas 25% dos jornalistas

Rita Marrafa de Carvalho, jornalista da RTP, divulgou no episódio do podcast Dia de Reflexão que ficou disponível esta quinta-feira (19), que o comunicado do Conselho de Redação que acusou Maria Flor Pedroso de deslealdade e violação dos deveres deontológicos foi subscrito por apenas 25% dos jornalistas da estação pública.

Este foi um plenário que, infelizmente, apesar de ter começado por volta das duas e meia da tarde, terminou muito tarde e já sem a presença de grande parte das pessoas e, como tal, o comunicado foi assinado por 25% de todos os jornalistas“, explicou a profissional.

Marrafa de Carvalho, que tem desempenhado o cargo de editora na secção de Sociedade na informação da RTP, reconhece ser “verdade que nem todos se revêem naquele comunicado” e considera que “houve uma falha” por parte de quem fez o comunicado, ao não ter incluído “o número de jornalistas que votou e o número de jornalistas que na totalidade fazem parte da redação, para que se pudesse ter uma amostra mais representativa de quem é que são pessoas e quantos é que se reviram naquelas palavras“.

“Uma densa teia de ditos e meios ditos, verdades e meias-verdades”

A repórter da estação pública admitiu ter olhado com “grande tristeza e desalento” para todo o processo, considerando “muito triste” ver duas profissionais que admira, “a Flor Pedroso e a Cândida Pinto, envolvidas nesta densa teia de ditos e meios ditos, verdades e meias-verdades“. Rita Marrafa de Carvalho considera que “o jornalismo credível, isento, ética e deontologicamente inabalável” sai a perder.

Recusando as acusações de ingerência, a jornalista defende que “um diretor, ou um membro de uma direção de informação, tem toda a legitimidade para olhar para uma reportagem e dizer ‘não está em condições, não está trancada, precisa de mais argumentos, é frágil, não pode ir para o ar’. E isto não é ingerência, é a função de um diretor de informação, é para isso que ele é pago, para ter uma política editorial e, de acordo com essa política editorial, selecionar o trabalho que tem ou não qualidade para ir para o ar. É muito fácil dizer ingerência quando achamos que o nosso trabalho é intocável”, atira.

Esta quarta-feira (18) foi a vez de o Conselho Geral Independente dar sinais de tomar o lado da Direção de Informação na contenda que levou à demissão de Maria Flor Pedroso. O órgão que tutela a administração manifestou preocupação pela saída da equipa liderada pela jornalista e relembrou a missão do canal público em combater o “populismo mediático”. Maria Flor abandonou o cargo esta segunda-feira (16), depois de meses de conflito latente – e depois aberto – com a equipa do programa Sexta às 9.

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