Fotografia: RTP / Flickr

Maria Flor Pedroso ataca “a construção de realidades alternativas” na carta de demissão

Maria Flor Pedroso, que esta segunda-feira (16) se demitiu da função de Diretora de Informação da RTP, foi contundente na carta de demissão que entregou ao Conselho de Administração do grupo público e muito crítica de “um certo tipo de jornalismo“.

Na missiva que dirige aos gestores da estação, à qual a Agência Lusa teve acesso, sublinha que a direção que liderou “nunca cedeu a motivação outra que não a da causa de uma informação livre, isenta, plural e independente“, para logo a seguir passar ao ataque.

A construção de realidades alternativas a partir de meias verdades, da qual se alimenta um certo tipo de jornalismo no qual não me revejo, é um dos problemas da sociedade atual, que precisa de um jornalismo vigoroso e rigoroso, livre e independente, isento e plural para robustecer as sociedades democráticas“, denuncia Maria Flor Pedroso.

A agora ex-diretora dos canais públicos sai por considerar que “face à reiterada exposição pública de insinuações, mentiras e calúnias, à qual eu e a minha direção somos totalmente alheios, face aos danos reputacionais causados à RTP“, não há agora “condições para a prossecução de um trabalho sério, respeitado e construtivo, como tentámos realizar ao longo deste ano de mandato“.

Tinha a expectativa de poder contribuir para prestigiar o serviço público de televisão

Maria Flor Pedroso agradece, na mesma carta, a “forma sempre leal e frontal” como em conjunto com Gonçalo Reis, presidente da RTP, foi “ultrapassando os problemas que iam surgindo“, destacando que quando aceitou o convite para ser diretora, “tinha a expectativa (…) ao escolher uma direção de enorme valia profissional, diversa nos curriculuns, nas experiências e no género, formada por jornalistas com provas dadas da sua competência e rigor, de poder contribuir para prestigiar o serviço público de televisão e todos os que nele trabalham“.

O mandato da diretora, que se tinha iniciado em outubro de 2018, chega agora ao fim, com Flor Pedroso a alegar não ter “condições para a prossecução de um trabalho sério“. A situação ocorre depois de um conflito, que já se arrasta há alguns meses, com a coordenadora do programa Sexta às 9, Sandra Felgueiras.

A administração da RTP agradeceu o trabalho da jornalista, que considera alguém com “idoneidade e currículo irrepreensível” e a quem agradece “o trabalho desenvolvido de forma dedicada, competente e séria enquanto diretora de informação de televisão da RTP“.

A equipa que Gonçalo Reis lidera considera que “a linha editorial que vinha a ser desenvolvida pela direção, assente num jornalismo objetivo e rigoroso, livre e independente, isento e plural é a matriz de um serviço público de excelência, em absoluto contraste com a crescente tendência para um jornalismo populista e sensacionalista que repudiamos veementemente e que é imperativo combater“.

Uma nova direção de informação será em breve nomeada, anuncia também a equipa de gestão do grupo público, explicando que aos novos dirigentes será exigida “a implementação das melhores práticas, para que o jornalismo feito pela RTP seja o mais completo, o mais sério, o mais credível e o mais isento, ao total serviço do público“.

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