Conan Osíris
Fotografia: Frederico Gomes

Conan Osíris no Coliseu dos Recreios: o ‘rapaz do futuro’ veio para ficar

Conan Osíris conquistou o Coliseu num espetáculo arrojado recheado de convidados de luxo. Mais que Telemóveis, Conan provou à plateia que veio para ficar.

Numa noite fria de dezembro (12), a Rua das Portas de Santo Antão parecia algo deserta dado à chuva que caía na capital. À porta do Coliseu dos Recreios, o cenário era um pouco diferente. Há um clima de entusiasmo e, ao mesmo tempo, de nervosismo a pairar no ar. Afinal de contas Tiago Miranda, mais conhecido pelo grande público como Conan Osíris, está prestes a fazer o seu primeiro concerto numa das salas mais importantes do nosso país.

Mais que uma simples atuação, Conan tem a oportunidade de se afirmar perante o público português e provar que tem mais para dar do que uma só canção. O salto para os holofotes mediáticos de todo o mundo aconteceu em maio passado, quando atou na festival da Eurovisão com o tema Telemóveis. Amado por uns, detestado por outros, Conan Osíris é, sem dúvida, um fenómeno que poucos conseguem decifrar.

A sua maneira de estar, as suas letras, as batidas e, sobretudo, a junção destes elementos tornam-no único no panorama musical português.

Um simples presente

Depois de picarem o bilhete, um elemento do staff do Coliseu entrega um cartão com a seguinte mensagem: “Este cartão quando rasgas tem lá sementes duma flor. Não estou a gozar. Achei excelente e quis te oferecer. Parabéns. Conan”. Um gesto simples mas que denuncia que Tiago Miranda orquestrou uma atuação que promete ser marcante.

Dentro da sala, o palco está no centro do Coliseu. As cadeiras do público estão dispostas à volta do mesmo. O público é diverso, mas a grande maioria é jovem. Enquanto esperam, alguns deliciam-se com a moldura humana que está presente na sala e observam os técnicos que limam as últimas arestas antes do início do espetáculo.

Já com as luzes baixas, a atuação começa fora de palco. Conan Osíris canta atrás da cortina acompanhado por uma melodia de uma gaita de foles. Entra em palco num passo lento com um traje sui generis. Um fato de macaco castanho com luvas e caneleiras, sem esquecer da pala e dos ténis brancos.

Quando sobe os degraus para o palco, sob uma chuva de aplausos, já é possível constatar pessoas que o fazem de pé e o concerto ainda mal começou. 100 Paciência é o tema que se ouve com o público já rendido. Para além do músico, está com ele João Reis Moreira e outros seis bailarinos que complementam a performance.

Ao som das batidas que sai pelas colunas, Conan Osíris dança e canta ao mesmo tempo. Uma espécie de catarse para os olhos mais desatentos, mas onde existe, claramente, uma noção de espetáculo.

Convidados de luxo

Borrego. Borrego. Eu é que sou borrego! é o que coliseu canta durante o tema com o mesmo nome de Conan Osíris. É uma espécie de exorcização dos demónios que alguns espetadores podem ter. Acaba a canção, Conan e João Reis Moreira saem de palco seguidos pelos olhares atentos do público. Na mesma direção, há destaque para um solo de um instrumento de cordas de um músico nepalês. O mesmo está no palco onde costuma a ser a maioria dos concertos na sala.

Ao som de Cartomância, já com um traje diferente, há uma nova performance de Conan e do grupo. Desta vez com espadas de madeiras que Osíris e João Reis Moreira batem uma com a outra, ao som da batida.

Depois de Adoro Bolos e Titanique, há espaço para o artista chamar a palco os pauliteiros de Miranda para ter o seu destaque. Apesar de ser o centro de atenções, Conan não tem qualquer problema de dar destaque a outros.

Sob um arranjo de instrumentos de cordas, o artista da noite surge sozinho em palco a cantar Telemóveis. É uma versão muito mais crua da composição original e, por essa razão, dá um outro peso à canção.

De seguida, Conan sai de cena e uma figura vestida num véu negro sobe ao palco. Por breves instantes, o mistério paira no ar. Num instante, Ana Moura surge para espanto dos presentes. Acontece um dueto inédito entre a fadista e Conan, acompanhados por Branko que está nos comandos dos samples na tribuna presidencial do Coliseu.

Scúru Fitchádu é também um dos convidados surpresa e apresenta os seus dotes em Nasce nas Acucenas com um ferro tocado por uma faca.

O serão prossegue. Celulite é ovacionada e após hora e meia de concerto, a despedida é feita ao som de Telemóveis em tom de festa. “Quem mandou a flecha? Foram vocês!”, exclama o artista. Uma noite de consagração num ano histórico para Tiago Miranda. O ‘rapaz do futuro’ veio para ficar. Fica apenas uma dúvida no ar: quando é que sai um novo disco?

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