Save the World, música dos Swedish House Mafia

Retrospetiva. A música no fim do mundo em 2012

Quem salva o mundo esta noite? E, se assumirmos que não há salvação, que música dançamos até que ele acabe? Foi assim que terminámos, não o mundo, mas 2012, e a profecia maia nunca teve tanta importância globalmente.

A interpretação desta profecia pode ter sido exagerada: primeiro, porque sabemos que o mundo não acabou a 21 de dezembro de 2012 (a não ser que estejamos a viver numa simulação, ou que isto seja o fim do mundo, enfim, reflexões a ter num outro momento); segundo, porque supostamente o que acabaria a 21 de dezembro era um ciclo, dando início a um outro.

Não foi propriamente em dezembro de 2012 que se iniciou um novo ciclo na música, mas a verdade é que os temas apocalípticos cresceram só com essa referência. O Espalha-Factos traz-te uma análise das músicas que exploraram o medo do 21 de dezembro de 2012 e, ainda, a forma como o pop rock o aproveitou nos anos seguintes.

Save The World‘, Swedish House Mafia (2011)

A música data de 2011 e, quando fala sobre salvar o mundo, não se refere ao seu previsto final em 2012. A sua conexão prende-se, provavelmente, com o facto de ter sido repetida nas estações de rádio várias vezes durante esse ano, o que a associou ao receio dos crentes e dos cépticos.

Mas os Swedish House Mafia só queriam salvar o mundo do mal, e fizeram-no através de… cãezinhos. (Não temos qualquer reclamação – afinal, ver o mundo salvo por animais torna tudo mais bonito.)

Este grupo de suecos sabia como cativar o público, independentemente de serem ou não fãs de house. O seu melhor e pior momento coincidiu com o hitDon’t You Worry Child’, um poderoso hino que 2012 nos deu. Ao mesmo tempo que cantávamos o refrão de forma entusiasta, lembrávamo-nos do repórter a anunciar a separação do grupo no início do vídeoclipe oficial.

Pois é: o final do mundo não se verificou – foi substituído pelo final dos Swedish House Mafia, o que acaba por ser uma sensação semelhante para os fãs, mas três meses antes do previsto.

Axwell e Ingrosso, dois dos integrantes do grupo, continuaram a fazer música juntos. ‘More Than You Know‘ é um exemplo bem sucedido do duo.

Ainda assim, eles próprios nos dizem para não nos preocuparmos e, de facto, havia um plano vindo dos Céus: em 2018, os Swedish House Mafia voltaram, apresentando-se de surpresa no mesmo sítio onde se haviam apresentado pela última vez, o Ultra Music Festival, em Miami. Axwell, Sebastian Ingrosso e Steve Angello continuam a ser uma máfia respeitada no mundo da música eletrónica.

Till The World Ends‘, Britney Spears (2011)

A proposta da Princesa do Pop é um pouco diferente da anterior: Britney Spears quis dançar, e nós dançámos com ela, no seu cenário verdadeiramente apocalíptico.

Foi o segundo single do álbum Femme Fatale (2011), um regresso emblemático de Britney, e foi escrito em conjunto com Kesha, outra artista incontornável do pop desta década.

Sobre Britney, não há muito mais a dizer: esta década não foi dela, apesar de todos reconhecermos o seu valor como uma artista relevante neste novo século. Podes ler mais aqui.

Ainda no tópico da dança… ‘Knights of Shame‘, AWOLNATION (2011)

A maioria das pessoas conhece-os por ouvir gritar “Sail!“. Mas os norte-americanos da indie pop têm mais que se lhe diga e, nesta lista, ‘Knights of Shame’ é a canção que os representa.

Num tom desde logo apocalíptico, começam por pedir-nos que dancemos como se o mundo estivesse a acabar (segundos mais tarde, confirmam que está mesmo a acabar). A interpretação do apocalipse deles é mais coisa de Halloween: pessoas a andar por aí de cabeça cortada, zombies, esqueletos.

Porém, é a única música da lista que nos fala diretamente do receio para com 2012:

“Aw, we can dance like the world’s over
Yeah it’s almost 2012, call your girls over
Let’s kick back, pop shots, have a ball
And if the world blow up, next life we’ll do it all over”

Numa peça de 11 minutos, os AWOLNATION criaram um momento incrível. “Esperamos por um batimento cardíaco, está alguém a ouvir?” – Nós estamos, e reiteramos que vale mesmo a pena.

Radioactive‘, Imagine Dragons (2012)

Esta é a banda que não poderia faltar na lista. Estamos convictos de que, quando eles mesmos cantam “This is it, the apocalypse!“, referem-se a si mesmos – chegaram às estações de rádio em 2012 e, desde aí, não podemos dissociar esta ideia deles.

Não é apenas com ‘Radioactive‘ que o fazemos, apesar de esta ter sido o grande hit, que lhes valeu inclusive dois Grammy‘s. Os Imagine Dragons adoram um cenário negro, e quando não o mostram nas suas letras (há um reino atormentado em ‘Demons‘), mostram-nos nos seus vídeoclipes (a cidade não dorme em ‘It’s Time‘). Os preferidos do pop rock já nos mostraram que podem fazer o que quer que seja preciso (adorando sentir a adrenalina nas veias), e ainda nos relembram que há poder nas coisas naturais:

Os Imagine Dragons construíram uma carreira sólida ao longo desta década, embora isso não os tenha livrado da mira das opiniões mais críticas e menos impressionadas, que frequentemente se questionam como é que a banda norte-americana está conectada ao rock.

Tendo em conta a popularidade e as premiações, podemos dizer que a música dos Imagine Dragons é relevante, e se não é propriamente rock, é um pop rock agradável. Para quem procura referências obscuras sem demasiada agressividade na abordagem, a maioria da sua discografia serve perfeitamente.

Menção honrosa: ‘What I’ve Done’, Linkin Park (2007)

Nesta década, os Linkin Park mostraram conhecer bem o conceito que os Imagine Dragons exploram – vejamos por ‘Castle of Glass‘. Mas a origem está na década anterior. Os Linkin Park já faziam referências ao caos global, sem ter de imaginar o final do mundo.

Passaram 12 anos desde o lançamento de ‘What I’ve Done’, acompanhada de um vídeoclipe desconfortável àqueles que estão bem e conformados – o mundo continua igual. Deixem que venha a compaixão.

Este mundo acabou para Chester Bennington (o vocalista), e todos perdemos: nós, Chester, o mundo. Ouvir ‘Leave Out All The Rest‘, que data de 2008, agora não é o mesmo.

“When my time comes, forget the wrong that I’ve done
Help me leave behind some reasons to be missed
Don’t resent me, and when you’re feeling empty
Keep me in your memory, leave out all the rest”

O vocalista foi encontrado sem vida em casa, em Los Angeles. Causa: suicídio. Ninguém o pôde salvar de si mesmo. É plausível dizermos que, desde aí, quanto a Linkin Park, tudo está um pouco entorpecido.

Retrospetiva. Amy Winehouse e Adele, em direto de 2011

O mundo não acabou em 2012. Não acabou também em anos anteriores, apesar de profecias e teorias da conspiração o afirmarem.

E também não acabou depois de 2012, quando nos foi dito mil vezes que aconteceria, e por diversas razões: algumas presas com a religião, outras presas com a ciência, embora não credíveis em qualquer dos casos.

Hoje,

7 anos depois, as nossas preocupações para com o final do mundo são diferentes: a poluição, os oceanos, o ar. E não são apenas os crentes, que temem um Juízo Final, ou os cientistas que, mais do que nós, estão a par da situação. Desta vez, é real e são os jovens que carregam a mensagem dos mais conscientes.

Vai acabar o mundo? Provavelmente não; pelo menos enquanto estivermos num bom caminho, unidos (como os cãezinhos no vídeo dos Swedish House Mafia).

Enquanto não se explode com isto tudo, ainda podemos ouvir interpretações do fenómeno, e imaginar um fim mais bonito do que estas teorias (e factos) nos dizem – a arte embeleza-nos o assustador, para que possamos dormir descansados à noite.

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